Entre o Amor e o Ódio II

Romance: Entre o Amor e o Ódio II

por Camila Costa

Romance: Entre o Amor e o Ódio II

Autor: Camila Costa

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Capítulo 23 — O Sussurro da Verdade na Chuva

A chuva caía implacável sobre o Rio de Janeiro, lavando as ruas imundas e refletindo as luzes neon em espelhos d’água fantasmagóricos. No alto do Arpoador, o vento uivava como uma alma penada, misturando-se ao som das ondas que se quebravam bravamente contra as rochas. Dentro daquele apartamento luxuoso, com vista privilegiada para o mar revolto, uma tempestade ainda maior se formava. Sofia, com os olhos marejados e o coração em frangalhos, encarava Rafael. A acusação pairava no ar, pesada e sufocante, como a umidade que grudava na pele.

“Você não pode estar falando sério, Rafael”, a voz de Sofia saiu trêmula, um fio quase inaudível contra o rugido da natureza lá fora. As mãos tremiam enquanto ela tentava segurar a xícara de chá que havia preparado minutos antes, um ritual que agora parecia profano em meio à desolação.

Rafael, por outro lado, mantinha uma postura rígida, os olhos escuros fixos nos dela, mas sem o calor de antes. Havia neles uma frieza cortante, uma determinação que ela jamais vira. “Eu estou mais sério do que nunca, Sofia. As provas estão aí. Seu pai, o senhor Alberto Dias, não é quem você pensa.”

As palavras ressoavam na mente de Sofia como golpes de martelo. Ela tentava processar, mas a realidade parecia distorcida, um pesadelo vívido do qual não conseguia despertar. Alberto Dias, o homem que a criara com tanto amor, o empresário respeitado, o pilar de sua vida… envolvido em algo sombrio? Algo que Rafael, com sua aura de mistério e sua reputação questionável, parecia ter descoberto.

“Provas? Que provas, Rafael? Você está inventando isso para me machucar, não é? Para se vingar de mim por eu não ter acreditado em você, por ter tentado te deter?” A voz dela se elevava, carregada de desespero. Ela se aproximou dele, estendendo as mãos como se pudesse fisicamente arrancar a mentira de sua boca. “Diga que é mentira, Rafael. Por favor, diga que tudo isso é uma grande e cruel brincadeira.”

Ele a observou, a expressão endurecida. “Eu queria que fosse, Sofia. Acredite em mim, eu queria. Mas a verdade é um monstro que não pode ser domesticado. E a verdade é que o seu pai é o arquiteto de um esquema de lavagem de dinheiro que movimenta milhões. E os últimos relatórios indicam que ele está prestes a finalizar a transação mais perigosa de sua carreira.”

Um arrepio percorreu a espinha de Sofia. Ela se afastou, cambaleando para trás, como se as palavras dele tivessem o poder físico de empurrá-la. “Lavagem de dinheiro? Meu pai? Isso é absurdo! Ele é um homem de negócios honesto, trabalha duro para sustentar a família, para construir um futuro…”

“Para construir um império de mentiras, Sofia”, interrompeu Rafael, a voz baixa, mas carregada de uma convicção inabalável. “Você o conhece como o pai que te deu tudo. Eu o conheço pelo que ele realmente é: um criminoso de colarinho branco, um homem sem escrúpulos que usa a fachada de respeitabilidade para ocultar seus crimes.”

A chuva lá fora intensificou-se, as gotas batendo nas janelas com força renovada. A tempestade externa parecia um reflexo fiel da tempestade que se abatera sobre o mundo de Sofia. Ela se sentou na beira do sofá, as pernas fracas, o corpo tremendo. As memórias de infância, os conselhos paternos, os abraços apertados… tudo parecia agora tingido por uma sombra sinistra.

“Você tem que estar enganado, Rafael. Quem te disse isso? Quem te deu essas ‘provas’?” A voz dela era um murmúrio carregado de angústia. Ela o encarou, os olhos buscando um sinal de hesitação, uma brecha na armadura de sua convicção.

Rafael suspirou, o som rouco e cansado. Ele se sentou em uma poltrona oposta, mas a distância entre eles parecia um abismo intransponível. “Eu não posso te dizer quem. Mas são fontes confiáveis, Sofia. Fontes que me trouxeram informações precisas sobre cada movimento do seu pai nos últimos meses. Eu vinha investigando Alberto Dias há um tempo. Sabia que ele escondia algo, mas nunca imaginei que a verdade fosse tão escabrosa.”

Ele fez uma pausa, o olhar fixo na paisagem urbana enevoada. “E o pior, Sofia, é que essa transação que ele está prestes a fechar… pode ter consequências devastadoras. Não apenas para ele, mas para muitas pessoas. Para você também.”

Sofia engoliu em seco, a garganta seca. “O quê? O que você quer dizer com isso?”

“Quero dizer que o dinheiro que ele está lavando não é apenas um número em uma conta bancária. Ele está envolvido com pessoas perigosas, Sofia. Pessoas que não brincam em serviço. Se algo der errado, ele não será o único a pagar o preço.”

O peso daquelas palavras a sufocava. Ela fechou os olhos, tentando clarear a mente. Seus sentimentos por Rafael eram uma confusão de paixão, desconfiança e, agora, um medo avassalador. Ele havia a ferido tantas vezes, a enganado, a manipulado. Mas agora, diante da possibilidade de seu pai ser um criminoso, uma dúvida cruel e dilacerante começou a roer as fundações de sua fé. E se ele estivesse falando a verdade?

“Por que agora, Rafael? Por que você está me contando isso tudo agora?” A voz dela voltou a falhar. Ela sabia a resposta, mesmo sem querer admitir. Era o último ato de um jogo perigoso, uma tentativa desesperada de… de quê?

Rafael a encarou diretamente, a intensidade em seus olhos quase palpável. “Porque você merece saber a verdade, Sofia. Porque, por mais que eu tenha te magoado, por mais que você tenha me odiado, eu nunca quis que você fosse enganada sobre o homem que você chama de pai. E porque, talvez, apenas talvez, essa verdade possa nos dar uma chance de… de corrigir as coisas.”

A chuva continuava a cair, mas o estrondo das ondas parecia mais distante agora. O silêncio entre eles era preenchido apenas pelo som da própria respiração, pelo pulsar acelerado dos corações. Sofia sentiu um nó na garganta, a incapacidade de falar, de chorar, de sequer pensar. A verdade, sussurrada na tempestade, era mais assustadora do que qualquer mentira que ela pudesse ter imaginado. E naquele momento, sob o céu cinzento do Rio de Janeiro, o amor e o ódio que a ligavam a Rafael se misturavam em uma vertigem assustadora, enquanto ela começava a questionar tudo o que acreditava.

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