Entre o Amor e o Ódio II

Capítulo 3 — A Noite de Gala e as Verdades Ocultas

por Camila Costa

Capítulo 3 — A Noite de Gala e as Verdades Ocultas

A noite de gala em homenagem ao aniversário de Dona Clara Montenegro pairava sobre Ilhéus como um evento de magnitude real. O salão principal do Engenho Velho, outrora um palco de festas suntuosas, fora redecorado com uma opulência que tentava mascarar a realidade financeira da família. Velas cintilavam em lustres de cristal, iluminando tecidos nobres, flores exóticas e uma multidão de convidados que representavam o que restava da elite baiana. O aroma de jasmim e de champanhe pairava no ar, misturado a um burburinho de conversas e risadas.

Isabella, vestida com um elegante vestido azul-marinho que realçava a cor de seus olhos, sentia-se deslocada naquele ambiente. Cada rosto que ela via era um eco do passado, um lembrete de sua antiga vida em Ilhéus, antes de partir. Ela observava sua tia Cecília, sentada em uma cadeira de veludo, um pouco pálida, mas com um sorriso forçado, sendo cercada por conhecidos que lhe dirigiam palavras de afeto e preocupação.

Rafael, impecável em seu terno escuro, movia-se pelo salão com a confiança de um anfitrião, mas seus olhos, de vez em quando, buscavam Isabella. Ele a observava de longe, a admiração misturada a uma desconfiança latente. Aquele vestido, a forma como ele realçava sua figura, a elegância com que ela se movia… Era difícil acreditar que a mesma mulher que um dia amou de forma tão intensa havia partido, deixando um rastro de dor e desilusão.

"Você está linda, Isabella", disse a voz grave de Rafael, surgindo ao seu lado de forma inesperada.

Isabella se assustou, virando-se para ele com o coração acelerado. A proximidade dele era perturbadora. O perfume amadeirado que ele usava, o brilho em seus olhos… tudo a envolvia de uma forma que a deixava vulnerável. "Obrigada, Rafael. Você também parece… adaptado à sua nova posição." A ironia em sua voz era palpável.

Rafael sorriu, um sorriso que não alcançava seus olhos. "A vida me ensinou a me adaptar, Isabella. Algo que você, talvez, nunca tenha precisado fazer em São Paulo."

"Talvez eu tenha aprendido a me virar sozinha, Rafael. Algo que você não fez muito bem com o legado de sua família." A alfinetada foi direta, e ele a sentiu.

"Nossos legados estão interligados agora, não é mesmo?", ele rebateu, o tom mais sério. "E eu estou lutando para manter o que é meu. E, talvez, para impedir que pessoas como você tirem proveito da fraqueza dos outros."

"Eu não estou aqui para tirar proveito de ninguém, Rafael. Estou aqui por minha tia. E por justiça."

Um silêncio tenso se instalou entre eles. A música animada que tocava parecia distante. Eles se encararam, as mágoas do passado visíveis em seus olhares. De repente, Dona Clara se aproximou deles, um sorriso forçado em seus lábios.

"Isabella, que bom que veio!", disse Dona Clara, com um tom de voz que tentava ser caloroso, mas soava forçado. Ela olhou para Rafael com um leve reproche. "Rafael, você deveria dar mais atenção às nossas convidadas. Isabella, querida, venha, sente-se conosco. Quero que conheça o Dr. Almeida, um bom amigo da família."

Eles se dirigiram a uma mesa mais reservada, onde um homem de cabelos grisalhos e um sorriso afável os aguardava. O Dr. Almeida era um advogado renomado, conhecido por sua discrição e sua habilidade em lidar com casos complexos. Isabella sentiu um pressentimento.

Enquanto conversavam sobre assuntos triviais, Isabella percebeu o olhar de Rafael sobre ela. Ele a estudava, como se tentasse decifrar seus pensamentos. E ela, por sua vez, não conseguia desviar o olhar dele. Havia uma química inegável entre eles, uma eletricidade que transcendia o ódio e a mágoa.

Mais tarde, durante a dança, Rafael se aproximou de Isabella. "Gostaria de dançar, senhorita Vasconcelos?"

Isabella hesitou. Dançar com ele era perigoso. Era ceder à tentação, era flertar com as brasas que ela jurou ter apagado. Mas o olhar dele a persuadiu. Ela estendeu a mão.

Ao som de uma melodia lenta e sensual, eles se moveram no centro do salão. A cada toque, a cada respiração, a antiga paixão parecia ressurgir. Rafael a puxou para mais perto, seus corpos se moldando um ao outro. Isabella sentiu o calor dele, a força de seus braços a envolvendo. Ela fechou os olhos, deixando-se levar pela memória, pela sensação. Era como se o tempo tivesse parado, e eles estivessem de volta àquela época em que o mundo pertencia apenas a eles.

"Você ainda se lembra, não é, Isabella?", ele sussurrou em seu ouvido, a voz rouca de desejo.

"Eu não quero lembrar", ela respondeu, a voz trêmula. "Eu não devo lembrar."

"Mas você lembra. Você sente. Assim como eu." Ele a afastou um pouco, seus olhos escuros fixos nos dela. "O que aconteceu entre nós, Isabella, foi algo que não se apaga. Foi intenso. Foi… real."

"Foi doloroso, Rafael. Foi uma ilusão que nos consumiu e nos destruiu."

"Talvez. Ou talvez não soubemos lidar com a intensidade do que sentíamos."

Enquanto dançavam, Isabella notou Dona Clara conversando animadamente com o Dr. Almeida, com um sorriso maroto no rosto. Ela percebeu que eles estavam falando sobre ela. Uma desconfiança cresceu em seu peito.

Mais tarde, enquanto Isabella se afastava para pegar uma bebida, ela ouviu parte da conversa entre Dona Clara e o Dr. Almeida. "...essas terras são a única saída para nós. Se Isabella não assinar os papéis, os planos de Rafael podem ser comprometidos. Precisamos que ela acredite que é a melhor opção para a tia."

O sangue de Isabella gelou. Planos de Rafael? Assinar os papéis? Ela correu de volta para o local onde estava sua tia, o coração batendo descontroladamente. Ela precisava saber a verdade.

Enquanto se aproximava, ouviu Dona Clara dizer para Cecília: "Querida, esse acordo com o Dr. Almeida é a única chance de salvar parte do seu patrimônio. Isabella já concordou em assinar os documentos amanhã. É para o seu bem, e para o bem da família."

Isabella ficou chocada. Ela não havia concordado com nada. Ela se aproximou, o olhar acusador. "Tia Cecília? O que está acontecendo? Do que você está falando?"

Cecília, surpresa com a aparição repentina de Isabella, tentou disfarçar. "Oh, Bella, querida. Estamos apenas conversando sobre os assuntos da família. O Dr. Almeida nos apresentou uma proposta para… "

"Uma proposta que você não me contou nada, tia?", Isabella interrompeu, a voz carregada de decepção. Ela olhou para Dona Clara, que a encarava com um misto de desafio e desespero. "E você, Dona Clara? Você sabia que eu não concordei com nada disso."

Dona Clara respirou fundo. "Isabella, as coisas são mais complicadas do que parecem. Rafael está passando por dificuldades financeiras. E este acordo… este acordo o ajudará a salvar o Engenho Velho. E, de alguma forma, salvará a nós também."

Rafael, que ouvira a discussão à distância, aproximou-se. "Do que vocês estão falando?", ele perguntou, o olhar fixo em Isabella.

Isabella o encarou, a raiva borbulhando em seu peito. "Você sabia disso, Rafael? Você está manipulando minha tia, usando sua doença para me pressionar? Você está armando um plano para me tirar as terras, não é?"

Rafael franziu a testa, confuso e ofendido. "Manipulando sua tia? Isabella, do que você está falando? Eu nunca faria isso."

"Ah, é mesmo?", Isabella riu, uma risada amarga. "Eu não me esqueci de quem você é, Rafael. Você sempre pensou em si mesmo primeiro."

As palavras de Isabella atingiram Rafael como um golpe. A mágoa em seus olhos era visível. "Você não faz ideia do que está dizendo, Isabella. Você sempre fugiu da verdade. E agora, você volta para me acusar sem saber de nada?"

A noite de gala, que deveria ser uma celebração, transformou-se em um palco de confrontos. As verdades ocultas começavam a vir à tona, e Isabella sentiu que estava no centro de uma teia de mentiras e manipulações. O amor, que parecia ter ressurgido momentaneamente, agora se via soterrado por uma nova camada de ódio e desconfiança. E ela sabia que, naquela noite, a distância entre eles havia se tornado ainda maior.

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%