Voltar a te Amar III

Voltar a Te Amar III

por Camila Costa

Voltar a Te Amar III

Autor: Camila Costa

Capítulo 11 — A Tempestade nos Olhos de Isabella

A noite caía sobre o Rio de Janeiro como um véu de veludo escuro, tingido pelas luzes vibrantes da cidade que se espalhavam pela imensidão da Baía de Guanabara. No terraço do luxuoso apartamento de Rafael, a brisa marinha trazia consigo o perfume salgado e a promessa de uma noite quente. Isabella, porém, sentia apenas o arrepio frio da incerteza percorrer sua espinha. Seus olhos, outrora espelhos de um amor sereno, agora eram vulcões prestes a entrar em erupção.

Rafael observava-a, a taça de vinho tinto em sua mão parecendo fria e distante em contraste com o calor que emanava do corpo dela. Ele a trouxera ali com a intenção de reacender a chama, de sussurrar promessas antigas, mas algo na postura de Isabella o desarmava. Havia uma distância entre eles que nem mesmo a proximidade física conseguia dissipar.

“Bella,” ele começou, a voz rouca pela emoção contida, “está tudo bem?”

Isabella virou-se para ele, um sorriso amargo brincando em seus lábios. “Tudo bem, Rafael? Você me pergunta se está tudo bem?” Ela riu, um som sem alegria. “Depois de tudo o que aconteceu, depois de você desaparecer por tantos anos, você espera que eu diga que está tudo bem?”

O olhar dele escureceu, a dor refletida na profundidade dos seus olhos azuis. “Eu sei que causei dor, Isabella. Eu sei que minhas ações foram… imperdoáveis. Mas eu voltei. Eu voltei para você.”

“Voltou?”, ela ecoou, a voz subindo em tom. “Voltou quando? Quando eu já tinha construído uma vida, quando eu já tinha aprendido a viver sem você, a sobreviver à sua ausência?” As lágrimas começaram a se formar nos cantos dos seus olhos, traindo a força com que tentava contê-las. “Você não tem ideia do inferno que eu passei, Rafael. Você não tem a menor noção do quanto eu chorei, do quanto eu sofri.”

Rafael deu um passo à frente, estendendo a mão, mas parou antes de tocá-la. Era como se um muro invisível os separasse. “Eu sei que não tenho. Mas eu estava pagando por um erro, um erro terrível que me consumiu. E a única coisa que me manteve vivo, a única coisa que me deu forças para continuar, foi a esperança de um dia poder te ver de novo.”

“Esperança?”, ela repetiu, a voz embargada. “A esperança de quê, Rafael? De que eu seria a mesma Isabella de anos atrás? A mesma que acreditava em contos de fadas e em finais felizes? Você me quebrou, Rafael. Você me despedaçou em mil pedaços e agora quer que eu junte tudo e finja que nada aconteceu?”

Um suspiro pesado escapou dos lábios de Rafael. Ele sabia que tinha que ter paciência, que a cura de Isabella seria um processo longo e doloroso. Mas a visão dela, tão magoada e distante, dilacerava seu coração. “Eu não quero que finja nada, Bella. Eu quero que você me escute. Eu quero que me dê uma chance de explicar. De me justificar.”

“Justificar?”, os olhos dela brilharam com uma fúria contida. “Como você pode justificar me abandonar sem uma palavra? Como você pode justificar me deixar sozinha para enfrentar o mundo, para lidar com a vergonha, com o escândalo?” A menção ao passado trouxe à tona as feridas mais profundas. “Eu era jovem, Rafael. Eu era ingênua. E você… você se tornou o meu tudo. E de repente, do nada, você desapareceu. Como se eu fosse apenas um… um passatempo.”

“Nunca foi um passatempo, Isabella! Você foi, é e sempre será o meu amor!”, ele disse, a voz carregada de desespero. “Eu tive que ir. Havia coisas que eu não podia te contar, perigos que eu não podia te expor.”

“Perigos?”, ela arqueou uma sobrancelha, incrédula. “Que perigos, Rafael? Que segredos você escondia de mim? Você não confiava em mim o suficiente para compartilhar?”

“Não era uma questão de confiança, Bella. Era uma questão de proteção. Eu estava envolvido em algo… escuro. Algo que poderia ter te machucado, te destruído. Eu tomei a decisão mais difícil da minha vida, a decisão de te afastar para te manter segura.”

As lágrimas agora rolavam livremente pelo rosto de Isabella, traçando caminhos luminosos em sua pele. “Segura? Você acha que me deixou segura, Rafael? Você me deixou aterrorizada. Eu não sabia o que pensar, o que sentir. Eu me sentia abandonada, traída. A sua ‘proteção’ me deixou com cicatrizes que nunca vão curar.”

Ela se virou novamente para a paisagem noturna, as mãos apertando o corrimão frio. “Eu passei noites em claro, imaginando os piores cenários. Eu me culpei. Eu achei que não era boa o suficiente, que você se cansou de mim. E a cada dia, a cada ano que passava, a dor se transformava em algo mais forte. Em ressentimento. Em raiva.”

Rafael finalmente deu um passo à frente e a envolveu em seus braços. Isabella não reagiu de imediato, seu corpo tenso, mas o calor do abraço dele, a força que emanava dele, começou a amolecê-la. Ela soltou um soluço, o corpo tremendo.

“Eu sinto muito, Bella. Mais do que palavras podem expressar. Eu fui um covarde. Um egoísta. Mas eu aprendi. Eu sofri. E a única coisa que eu quero agora é reconquistar a sua confiança, reconquistar o seu amor.” Ele sussurrou em seus cabelos, o perfume suave que ele tanto amava. “Por favor, Isabella. Me dê uma chance. Uma chance de te amar de novo.”

Ela se afastou um pouco, o rosto ainda molhado de lágrimas, mas com um brilho diferente nos olhos. Não era mais a fúria cega, mas uma profunda tristeza misturada com uma faísca de algo… esperança?

“Uma chance, Rafael?”, ela disse, a voz ainda trêmula. “O que você espera que eu faça? Que eu esqueça tudo o que aconteceu? Que eu ignore os anos de sofrimento?”

“Não, Bella. Eu não espero isso. Eu espero que você me deixe mostrar que eu mudei. Que eu aprendi com os meus erros. Que o meu amor por você é mais forte do que qualquer obstáculo. Que eu estou disposto a lutar por você, a te provar que eu sou digno do seu amor.”

O silêncio se instalou entre eles, preenchido apenas pelo som das ondas quebrando ao longe. Isabella olhou nos olhos de Rafael, buscando a verdade nas profundezas azuis. Ela viu a sinceridade, a dor, o arrependimento. E, por baixo de tudo aquilo, viu o amor. O mesmo amor que um dia a consumiu e a fez feliz.

Ela respirou fundo, sentindo o cheiro do mar misturado ao perfume dele. A tempestade em seus olhos não havia cessado completamente, mas algo havia mudado. Uma pequena fresta de luz começava a se abrir em meio à escuridão.

“Eu não sei se consigo, Rafael”, ela sussurrou, a voz mal audível. “Eu não sei se o meu coração ainda é capaz de te amar de novo.”

Rafael apertou sua mão, o contato transmitindo uma corrente elétrica que percorreu o corpo de Isabella. “Eu vou te ajudar a descobrir, Isabella. Juntos. Nós vamos descobrir.”

O Rio de Janeiro, com suas luzes cintilantes e seu mar revolto, parecia testemunhar o início de um novo capítulo. A tempestade ainda estava presente, mas agora, no meio dela, uma pequena esperança começava a desabrochar.

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