Voltar a te Amar III

Claro, aqui estão os capítulos 16 a 20 de "Voltar a Te Amar III", escritos com a paixão e o drama que o gênero pede, e com a linguagem autêntica de um romancista brasileiro:

por Camila Costa

Claro, aqui estão os capítulos 16 a 20 de "Voltar a Te Amar III", escritos com a paixão e o drama que o gênero pede, e com a linguagem autêntica de um romancista brasileiro:

Voltar a Te Amar III Romance Romântico Autor: Camila Costa

Capítulo 16 — O Abrigo da Tempestade

O céu parecia refletir o turbilhão que tomava conta do peito de Helena. As nuvens pesadas e escuras avançavam sobre a cidade, prenunciando a tempestade que se avizinhava, tão implacável quanto a dor que a consumia. O bilhete de Miguel, tão curto e direto, era uma faca fria cravada em sua alma. "Preciso de um tempo. Para pensar. Para entender." Palavras que em sua simplicidade carregavam o peso de um abismo.

Ela ainda estava ali, na varanda da casa de campo que fora o refúgio do seu amor, com a xícara de café frio nas mãos trêmulas. O aroma amargo que antes a confortava agora parecia zombar de sua fragilidade. O silêncio que a rodeava, antes sinônimo de paz, agora era preenchido pelo eco ensurdecedor da ausência de Miguel. Onde ele estava? O que ele precisava pensar? A questão martelava em sua mente, cada batida aumentando a angústia.

No dia anterior, o jantar com os pais de Miguel, com a presença inesperada de Sofia, havia sido um turbilhão de emoções. A alegria contida ao reencontrar Dona Cecília e Seu Roberto, a tensão sutil ao cruzar olhares com Sofia, o alívio ao sentir que, apesar de tudo, a antiga chama do amor entre ela e Miguel ainda ardia, parecia ter sido tudo um sonho efêmero. A revelação sobre o passado de Sofia e a tentativa de aproximação de Miguel com a antiga namorada haviam jogado um balde de água fria em suas esperanças. E agora, esse bilhete.

A primeira gota de chuva bateu na madeira da varanda, seguida por outra, e mais outra, até que o aguaceiro se intensificou, desenhando cortinas de água diante de seus olhos. Helena fechou os olhos, buscando refúgio em uma memória. A imagem de Miguel, com o sorriso que iluminava seu rosto, a mão dele a puxando para perto em uma dança improvisada sob a chuva, o beijo molhado e apaixonado que selava a promessa de um futuro a dois. Era um refúgio cruel, pois a realidade era um deserto árido.

Ela se levantou, sentindo um frio que não vinha apenas da chuva. A casa, antes tão cheia de vida e de promessas, agora parecia assombrada por fantasmas. Cada canto, cada objeto, contava uma história deles. O violão que Miguel gostava de tocar, o livro que ele lia com frequência, o lugar no sofá onde costumavam se aconchegar. Tudo gritava sua ausência.

“Não pode ser assim”, murmurou Helena, a voz embargada. “Não depois de tudo que passamos.”

Ela pensou em ligar, em gritar, em implorar por uma explicação. Mas o que diria? Que não aguentava mais essa incerteza? Que o medo a consumia? Miguel precisava de espaço, ele dissera isso. E ela, por mais que doísse, precisava respeitar. Mas o respeito se tornava um fardo pesado demais quando o coração implorava por proximidade.

Um raio rasgou o céu escuro, iluminando por um instante a paisagem desolada. Helena sentiu um arrepio. Era como se o próprio universo estivesse em luto. Ela voltou para dentro, para o silêncio opressor da casa. O cheiro do café frio, a umidade que invadia o ambiente, a solidão que a envolvia como um manto pesado.

Pegou o celular, os dedos pairando sobre o nome de Miguel. Queria escrever algo, qualquer coisa. “Te amo.” “Volte logo.” “Estou com saudade.” Mas todas as palavras pareciam insuficientes, triviais diante da magnitude da sua dor. Ela soltou o aparelho na mesa, a tela escura refletindo seu próprio rosto pálido e preocupado.

Foi então que a campainha tocou, um som estridente que a fez pular. Quem seria, em meio a essa tempestade? Com o coração acelerado, caminhou até a porta, espiando pelo olho mágico. Era Sofia.

O choque inicial deu lugar a uma estranha calma. Talvez fosse o destino, colocando a outra peça do seu quebra-cabeça bem ali, na sua porta. Helena respirou fundo e abriu a porta.

Sofia estava encharcada, os cabelos colados ao rosto, os olhos cheios de uma apreensão que Helena reconheceu. Havia algo de familiar na vulnerabilidade da outra mulher.

“Helena”, disse Sofia, a voz falhando um pouco. “Posso… posso entrar? Está caindo o mundo lá fora.”

Helena hesitou por um breve instante. A raiva, a mágoa, o ciúme, tudo borbulhava em seu interior. Mas olhando para Sofia, que parecia tão perdida quanto ela, Helena sentiu um lampejo de compaixão. Elas estavam ligadas por Miguel, de maneiras que ainda não compreendiam completamente. Talvez fosse a hora de enfrentar essa ligação.

“Claro”, disse Helena, dando um passo para o lado para permitir a entrada de Sofia. “Entre.”

O som da porta se fechando atrás de Sofia selou o início de um capítulo inesperado. A tempestade lá fora continuava a rugir, mas dentro da casa, um silêncio carregado de expectativa se instalou. Duas mulheres, conectadas por um homem, sob o mesmo teto, enquanto o mundo parecia desabar. O abrigo da tempestade, para ambas, se tornava um campo de batalha ou, quem sabe, um lugar de entendimento. Helena não sabia qual dos dois caminhos seria, mas sentia que nada mais seria como antes.

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%