Voltar a te Amar III

Capítulo 18 — A Busca por Respostas

por Camila Costa

Capítulo 18 — A Busca por Respostas

O som da chuva lá fora havia se transformado em um murmúrio constante, um pano de fundo para a quietude tensa que se instalou entre Helena e Sofia. O café que Helena havia preparado horas antes, agora frio, permanecia intocado na mesa da cozinha. A conversa, que havia começado com a força de uma tempestade, agora se movia em águas mais calmas, mas não menos profundas. A revelação de Sofia, sobre a sua intenção genuína de ajudar Miguel a seguir em frente, havia desarma Helena de uma maneira inesperada. A imagem da vilã perigosa se desfazia, dando lugar a uma mulher tão complexa e ferida quanto ela.

“Eu não sei o que fazer agora”, Helena confessou, a voz baixa, quase um sussurro. A vulnerabilidade que ela tentara esconder parecia emergir em cada palavra. “Só… esperar?”

Sofia assentiu lentamente, os olhos fixos em um ponto distante. “Eu acho que sim. Miguel precisa do espaço dele. E nós, Helena… nós precisamos encontrar a nossa própria força enquanto esperamos.”

A ideia de “nossa própria força” soou estranha aos ouvidos de Helena. Sua força sempre estivera intrinsecamente ligada a Miguel, à esperança de um futuro com ele. Agora, essa esperança parecia turva, distante.

“É difícil”, Helena admitiu. “Ver tudo desmoronar quando você achava que estava tudo se encaixando.”

“Eu sei”, Sofia disse, e havia uma sinceridade pungente em sua voz. “A vida é assim. Cheia de reviravoltas inesperadas. E às vezes, os caminhos que achávamos que seriam nossos, nos levam para lugares que não esperávamos.”

Elas ficaram em silêncio por um tempo, absorvendo as palavras uma da outra. A chuva lá fora diminuíra ainda mais, e os primeiros raios de sol começavam a furar as nuvens, anunciando o fim da tempestade. Mas para Helena, a tempestade interna ainda rugia.

“Você disse que ele estava se arrumando para vir para cá quando você o encontrou”, Helena disse, tentando reunir os pedaços do quebra-cabeça. “Ele saiu daqui… depois do que aconteceu na igreja. Ele estava chateado?”

Sofia hesitou por um momento. “Ele parecia… pensativo. Preocupado. Eu não sabia o que estava acontecendo entre vocês. Eu só vi que ele estava inquieto. E quando ele me convidou para dar uma carona, eu pensei que ele precisava conversar, desabafar. Eu não imaginei que ele viria para cá.”

A imagem de Miguel, inquieto e preocupado, martelava na mente de Helena. Ela se lembrou da forma como ele a olhou na igreja, antes de se afastar. Havia algo em seus olhos, algo que ela não soubera decifrar na hora. Talvez fosse a dor de uma decisão difícil, ou a confusão de sentimentos que o assaltavam.

“Eu acho que preciso conversar com ele”, Helena disse, a decisão tomando forma em sua voz. “Não posso ficar aqui, esperando sem saber nada.”

Sofia a olhou, um misto de apreensão e compreensão em seu rosto. “Você acha que é o momento? Ele disse que precisava de tempo…”

“Tempo para pensar não significa tempo para desaparecer, Sofia”, Helena rebateu, a determinação crescendo em seu peito. “Eu preciso de respostas. Eu não posso viver nessa incerteza. Se ele me ama, ele vai me ouvir. Se não… bem, eu preciso saber.”

Helena se levantou, sentindo uma energia renovada, um propósito que a impulsionava. Ela foi até o quarto e pegou sua bolsa, seus dedos deslizando sobre o celular. Desta vez, ela não hesitou. Digitou uma mensagem curta, mas direta.

“Miguel, preciso falar com você. Por favor, me diga onde posso te encontrar.”

Enviou a mensagem e sentiu o coração bater mais forte. Agora, era esperar. Esperar por uma resposta, por um sinal, por qualquer coisa que a tirasse desse limbo.

Sofia a observava, um sorriso discreto nos lábios. “Você é forte, Helena. Mais forte do que imagina.”

“Eu tenho que ser”, Helena respondeu, um leve sorriso brincando em seus lábios. “Por mim. E, quem sabe, por nós.”

Enquanto o sol começava a brilhar mais intensamente lá fora, Helena sentia que um novo dia, incerto e desafiador, começava para ela. A busca por respostas a impulsionava, e a esperança, por mais frágil que fosse, a mantinha de pé. A conversa com Sofia, longe de ser um confronto, havia se transformado em um momento de inesperada conexão. Talvez, em meio a essa confusão, elas pudessem encontrar umas nas outras um pouco de apoio.

O celular vibrou em sua mão. Era uma notificação. Uma mensagem de Miguel.

“Estou no antigo café da praça. Pode vir.”

Um arrepio percorreu Helena. O antigo café. O lugar onde tudo começou, onde o primeiro beijo foi trocado, onde as promessas foram feitas. Era um lugar carregado de significado.

“Eu vou”, Helena disse para Sofia, um misto de ansiedade e coragem tomando conta dela. “Preciso ir agora.”

Sofia assentiu, compreensiva. “Boa sorte, Helena. Que você encontre as respostas que procura.”

Helena pegou as chaves do carro e caminhou até a porta. O ar estava fresco, o cheiro de terra molhada era revigorante. A tempestade havia passado, mas a calmaria antes da próxima batalha era palpável. Ela entrou no carro, o coração batendo forte no peito. O antigo café. O reencontro com Miguel. O momento da verdade. Ela estava pronta. Ou pelo menos, tentaria estar.

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