Voltar a te Amar III

Capítulo 22 — A Tempestade no Coração de Laura

por Camila Costa

Capítulo 22 — A Tempestade no Coração de Laura

Enquanto o Rio de Janeiro acordava sob o sol radiante, no sofisticado apartamento de Clara, a verdade recém-revelada pairava no ar, pesada como uma nuvem de tempestade. Laura, por outro lado, estava em seu próprio purgatório. A noite anterior havia sido um turbilhão de emoções, culminando na confissão de Ricardo e na confrontação silenciosa com Clara. Agora, sentada em seu escritório, cercada por documentos e pela frieza do mármore, ela revivia cada palavra, cada olhar, cada mentira que teceu em sua vida.

Seu casamento com Ricardo, construído sobre uma base tão frágil, era um reflexo da sua própria fragilidade. Ela sempre soube, no fundo de seu ser, que o amor dele pertencia a outra. Mas a necessidade de posse, a vaidade ferida, a insegurança que a corroía, a levaram a cegar-se, a lutar por um amor que nunca seria inteiramente dela.

Sofia. A imagem da filha sorrindo surgiu em sua mente, um misto de orgulho e de uma dor lancinante. A menina, inocente, alheia às complexidades e às mentiras que a cercavam. Laura amava Sofia com a força de mil sóis, mas agora, a cada lembrança do sorriso da filha, vinha a consciência de ter enganado a todos, inclusive a ela.

Ricardo a encontrou no escritório, o olhar carregado de preocupação. Ele havia passado a noite no apartamento de Clara, uma decisão que, embora compreensível dada a situação, apertou o peito de Laura em uma angústia silenciosa.

"Laura?", ele chamou, a voz suave, hesitante.

Laura ergueu os olhos, encontrando os dele. Havia um cansaço profundo em seu olhar, mas também uma resolução que ela não via há muito tempo.

"Ricardo. Você dormiu lá?", ela perguntou, a voz controlada, mas a pontada de ciúme, mesmo diante da tempestade, era inevitável.

"Eu… eu precisava conversar com a Clara. A verdade veio à tona, Laura. E ela precisava saber."

Laura sentiu um arrepio percorrer sua espinha. A verdade. A palavra que ela tanto temeu e, paradoxalmente, tanto desejou que fosse dita. "E ela soube?", o tom de Laura era baixo, quase inaudível.

"Ela soube. E foi… difícil. Para nós dois." Ricardo se aproximou, hesitando antes de continuar. "Laura, eu não posso mais viver essa mentira. Não com você. Não com a Clara. O que eu fiz… foi errado. Cruel. E eu preciso tentar consertar. Pelo menos, tentar."

As palavras dele atingiram Laura como golpes, um após o outro. Consertar. A ideia de Ricardo tentando "consertar" a vida que ela mesma ajudou a desmoronar era, ao mesmo tempo, patética e dolorosa.

"Consertar o quê, Ricardo? O quê você acha que pode consertar?", Laura se levantou, a voz começando a tremer, a contenção dando lugar à fúria contida. "Você acha que pode simplesmente virar a página e dizer 'desculpe, Laura, agora vou atrás do meu verdadeiro amor'? Você acha que a minha vida, a vida da Sofia, são tão descartáveis assim?"

"Não diga isso, Laura. Você sabe que eu me importo. Que eu me importo com você, com a Sofia. Mas eu não posso mais fingir. Eu não posso mais viver uma vida que não é minha. O meu amor por Clara é algo que sempre esteve lá. Ele nunca desapareceu."

"E o que eu sou então, Ricardo? Um entretenimento? Uma distração até que a sua amada Clara decidisse te perdoar?", Laura riu, uma risada amarga e sem alegria. "Eu me dediquei a você. Eu construí uma vida para nós. Eu te dei uma filha. E você me diz que o seu amor sempre foi por ela? Que tipo de homem é você?"

"Eu sou um homem que cometeu erros. Erros graves. Erros que me custaram tudo. E eu assumo a responsabilidade por eles." Ricardo deu um passo em direção a ela, mas Laura recuou, o olhar faiscando de dor e raiva.

"Responsabilidade? Você fala de responsabilidade agora? Depois de anos me deixando acreditar que éramos felizes? Depois de me usar como escudo para a sua covardia?", lágrimas começaram a rolar pelo rosto de Laura, traindo a sua fachada de força. "Você é um covarde, Ricardo. Um grande e egoísta covarde."

"Laura, por favor…", ele tentou se aproximar novamente.

"Não se aproxime!", ela gritou, o corpo tenso. "Você não tem o direito de vir aqui e me dizer que o seu amor sempre foi por ela. Que tipo de esperança você me dá? Que tipo de futuro você prevê para nós? Um divórcio? Uma briga por Sofia? Você pensou em alguma coisa além do seu próprio coração partido?"

Ricardo suspirou, o peso do mundo em seus ombros. "Eu pensei em tudo, Laura. Pensei na Sofia. Pensei em você. E eu sei que o caminho à frente será difícil. Mas eu não posso mais viver na escuridão. A verdade precisa vir à luz."

"A verdade?", Laura riu novamente, as lágrimas escorrendo sem controle. "A sua verdade, Ricardo, está destruindo a minha vida. Você acha que eu não percebi? Que eu não sentia a sua ausência, mesmo quando você estava ao meu lado? Que eu não via o seu olhar distante, o seu suspiro pesado? Eu sabia. Eu sabia que algo estava errado. Mas eu me recusei a ver. Eu me recusei a acreditar que o homem que eu amava era tão infeliz. E agora… agora eu sou a vilã da história, não é? A mulher que se agarrou a um homem que não a amava verdadeiramente."

"Você não é a vilã, Laura. Você é uma vítima. Assim como eu. Assim como a Clara. Nós fomos todos pegos em uma teia de circunstâncias e escolhas erradas."

"Escolhas erradas?", Laura deu um passo em direção à janela, o olhar fixo na cidade que parecia zombar de sua dor. "A única escolha errada, Ricardo, foi a minha. A de ter acreditado em você. A de ter construído a minha vida em torno de alguém que nunca me amou de verdade. Você me roubou os meus anos, Ricardo. Você roubou a minha chance de ser feliz com alguém que me amasse de verdade. E agora, você quer que eu te ajude a reconquistar a sua? Que patético!"

Ricardo a observava, o coração partido. Ele via a dor nos olhos dela, a raiva que mascarava uma profunda decepção. "Laura, eu sinto muito. Sinto muito por tudo. Por não ter sido o homem que você merecia. Por não ter tido a coragem de ser honesto antes. Mas agora… agora precisamos pensar na Sofia. Precisamos encontrar uma maneira de lidar com isso, para o bem dela."

Laura se virou, o rosto marcado pela exaustão e pela dor. Seus olhos, antes duros, agora transbordavam uma tristeza profunda. "A Sofia… Sim. A Sofia. Ela é a única coisa que importa agora. E é por ela que eu vou tentar ser forte. Por ela, eu vou tentar encontrar uma maneira de seguir em frente, mesmo que o meu coração esteja em pedaços."

Ela se aproximou de Ricardo, não com raiva, mas com uma resignação amarga. "Eu não te perdoo, Ricardo. Talvez eu nunca perdoe. Mas eu entendo que você precisa encontrar o seu caminho. E eu… eu preciso encontrar o meu. E o meu caminho, a partir de agora, é proteger a minha filha. E reconstruir a minha vida, sem você."

Ela o encarou, a voz firme, embora embargada pela emoção. "Você é livre, Ricardo. Livre para correr atrás do seu amor. Livre para tentar ser feliz. Mas lembre-se de uma coisa: o amor verdadeiro não se reconquista com desculpas tardias. Ele se constrói com honestidade, com respeito e com lealdade. Algo que você, ao que parece, nunca soube oferecer."

Laura se afastou, deixando Ricardo sozinho no escritório, o silêncio novamente tomando conta do ambiente. A tempestade em seu coração era implacável, mas, pela primeira vez, ela sentiu uma estranha sensação de libertação. A mentira havia sido desfeita. E agora, restava apenas a dura realidade, e a força para enfrentá-la, sozinha.

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