Voltar a te Amar III

Capítulo 4 — O Jogo de Sombras na Agência de Modelos

por Camila Costa

Capítulo 4 — O Jogo de Sombras na Agência de Modelos

O Rio de Janeiro, após a chuva da noite anterior, parecia ter renascido. O sol brilhava com intensidade, e a brisa marítima trazia um frescor revigorante. Mas para Helena, a vida parecia ter retornado ao seu turbilhão de antes. A confissão de Rafael e o beijo apaixonado na noite anterior haviam deixado um rastro de confusão e esperança em seu coração. Ela estava de volta ao Rio para o casamento de Sofia, mas agora, a presença de Rafael adicionava uma camada de complexidade inesperada a tudo.

Apesar de toda a emoção da noite anterior, Helena decidiu que precisava de um tempo para processar seus sentimentos. Ela sabia que não podia se jogar de cabeça em um reencontro com Rafael sem antes ter certeza de suas próprias intenções. Ela havia construído uma vida bem-sucedida como modelo e empresária no mundo da moda, uma vida que a definia agora. Voltar para os braços de Rafael significaria reavaliar tudo isso.

Por isso, na manhã seguinte, ela pegou seu celular e ligou para sua agência em Paris. “Alô, Marc?”, sua voz soava firme, profissional. “Preciso que você me envie os relatórios do último trimestre. E quero discutir a nova campanha da ‘Luxe’. E… agende algumas reuniões para mim. Assim que eu voltar.”

Ela precisava se reconectar com seu mundo, com a mulher forte e independente que ela se tornou. Era uma forma de se proteger, de reafirmar sua identidade antes de se deixar levar pelas emoções do passado.

Decidiu, então, fazer uma visita à agência de modelos que a lançou no Brasil, um dos seus primeiros passos no mundo da moda. Era um lugar que guardava boas lembranças, mas também algumas sombras. A dona da agência, Madame Clarice, uma mulher elegante e implacável, havia sido sua mentora e, por vezes, algoz.

O caminho até a agência, localizada em um bairro nobre da Zona Sul, a fez reviver outros momentos. Lembranças de sonhos, de inseguranças, de sua juventude vibrante e cheia de esperança. A mansão de Laranjeiras era o refúgio de sua infância e adolescência, mas o Rio de Janeiro em si era o palco de seus primeiros passos no mundo adulto.

Ao chegar, foi recebida com a efusividade característica de Madame Clarice. A mulher, com seus cabelos curtos e prateados e um terninho Chanel impecável, a abraçou com um aperto firme.

“Helena! Minha estrela! Que surpresa maravilhosa te ver por aqui!”, Madame Clarice exclamou, seus olhos penetrantes avaliando-a de cima a baixo. “Você está ainda mais deslumbrante do que eu me lembrava. Paris te fez um monumento, minha querida.”

“Madame Clarice, é sempre um prazer”, Helena respondeu, retribuindo o abraço. Ela sentia uma mistura de respeito e cautela pela mulher. Clarice era uma figura importante em sua carreira, mas também uma mulher que, em sua busca por sucesso, podia ser cruel e manipuladora.

“Então, o que traz a grande Helena de volta às nossas humildes origens? Sofia vai casar, não é? Fiquei sabendo. Que maravilha!”, Madame Clarice disse, conduzindo Helena para seu luxuoso escritório.

“Sim, Sofia está muito feliz. E eu estou feliz por ela”, Helena respondeu, sentando-se na cadeira de frente para a mesa de Clarice.

“E você, minha querida? Como anda a vida?” Madame Clarice serviu dois cafés expressos. “Ouvi dizer que você está comandando sua própria agência agora, além de continuar desfilando. Uma mulher de negócios completa!”

Helena sorriu. “Tenho trabalhado muito. É um desafio constante, mas gratificante.” Ela decidiu ser um pouco mais reservada sobre seus negócios.

Madame Clarice a observou atentamente. “Sabe, Helena, eu sempre soube que você tinha algo especial. Uma força, uma determinação… mas também uma fragilidade que, se bem explorada, te tornava ainda mais fascinante para as câmeras.” Ela fez uma pausa. “Você se lembra de como era difícil para você se abrir, se mostrar vulnerável? Eu precisei te ensinar a usar isso a seu favor.”

Helena sentiu um arrepio. Madame Clarice tinha uma habilidade ímpar de sondar as fraquezas alheias e transformá-las em ferramentas de sucesso. E, de fato, ela havia sido crucial para que Helena se tornasse uma modelo de renome mundial. Mas, ao mesmo tempo, essa exploração de sua vulnerabilidade a havia deixado com cicatrizes.

“Eu me lembro”, Helena respondeu, sua voz calma. “Você me ensinou muito, Madame Clarice.”

“E você me ensinou que a beleza é uma arma poderosa, mas a inteligência e a ambição são o arsenal completo”, Clarice disse, um sorriso astuto brincando em seus lábios. “Por isso, me diga, Helena. O que você planeja fazer agora? Vai voltar para Paris depois do casamento? Ou tem planos de expandir seus negócios aqui no Brasil?”

Helena respirou fundo. Era a oportunidade perfeita para sondar o terreno. “Na verdade, estou pensando em abrir uma filial da minha agência aqui. O mercado brasileiro é promissor, e a energia do Rio… é algo que me inspira.”

Madame Clarice deu um leve aceno com a cabeça, como se estivesse ponderando a informação. “Interessante. O mercado de moda aqui tem muita força, mas também é muito competitivo. E há muitos jogadores antigos que não gostam de novas presenças.”

Helena sabia exatamente a quem Clarice se referia. Havia uma rivalidade antiga entre a agência de Clarice e outras agências estabelecidas, algumas das quais ela mesma havia trabalhado no início de sua carreira.

“Eu estou preparada para os desafios”, Helena respondeu, com um toque de confiança em sua voz.

Nesse momento, a porta do escritório se abriu e um jovem assistente entrou, carregando uma pasta. “Madame Clarice, o senhor Alencar ligou novamente. Ele quer saber se você já tomou uma decisão sobre a proposta de parceria.”

O nome “Alencar” fez Helena levantar uma sobrancelha. Ela conhecia o nome. Ricardo Alencar, o noivo de Sofia. Ele era um empresário do ramo de construção civil e investimentos, um homem de negócios respeitado.

Madame Clarice franziu a testa. “Diga a ele que ainda estou avaliando. E que o tempo dele está acabando.” Ela se virou para Helena. “Esse Alencar é um lobo em pele de cordeiro. Tem muito dinheiro, mas pouca ética. Está tentando engolir agências menores para expandir seu império.”

Helena sentiu um frio na espinha. Ricardo, o noivo de sua irmã, envolvido em negócios escusos? Ela se lembrou das palavras de Rafael sobre a pressão dos negócios da família. Seria Ricardo parte desse império?

“Ele é o noivo da minha irmã, Madame Clarice”, Helena disse, tentando manter a calma.

Madame Clarice a olhou com surpresa. “Sério? Que coincidência… ou talvez não tão coincidência assim. O mundo da moda e dos negócios é pequeno, minha querida. E, às vezes, os jogos de poder se cruzam de maneiras inesperadas.”

O coração de Helena disparou. Ela sentiu uma pontada de preocupação pela irmã. Sofia era tão pura, tão cheia de bons sentimentos. Seria possível que ela estivesse envolvida com alguém com esse tipo de reputação?

“Eu preciso ir”, Helena disse, levantando-se abruptamente. O café em seu estômago parecia ter se transformado em pedra.

“Tão cedo? Mas a conversa estava tão interessante!”, Madame Clarice lamentou, mas seus olhos brilhavam com uma malícia que Helena não ignorou.

“Tenho compromissos. E preciso pensar sobre tudo isso”, Helena respondeu, dirigindo-se à porta.

Ao sair da agência, Helena se sentiu confusa e apreensiva. A visita a Madame Clarice, que deveria ser um reencontro com seu passado profissional, havia aberto uma caixa de Pandora de novas preocupações.

Ela sabia que Rafael estava envolvido nos negócios da família Alencar, já que era amigo íntimo de Ricardo. Se Ricardo era realmente o tipo de homem que Clarice descreveu, o que isso significava para Rafael? E, mais importante, o que isso significava para Sofia?

Helena decidiu que precisava falar com Rafael. Não sobre o passado deles, mas sobre o presente. Sobre os negócios da família Alencar, sobre Ricardo. Ela precisava saber a verdade, antes que a sombra da desonestidade pudesse manchar a felicidade de sua irmã.

Ela pegou o celular novamente, hesitando por um momento antes de discar o número de Rafael. Ela não sabia o que dizer, como abordar o assunto sem parecer acusatória. Mas a preocupação por Sofia a impelia.

“Alô?”, a voz de Rafael soou do outro lado, um pouco ofegante, como se ele estivesse ocupado.

“Rafael, aqui é a Helena”, ela disse, sua voz um pouco mais suave do que ela pretendia.

Houve um breve silêncio. “Helena! Que surpresa. Aconteceu alguma coisa?” A preocupação em sua voz era genuína.

“Não, nada. Quer dizer, sim. Eu… eu gostaria de conversar com você. Sobre os negócios da família Alencar. E sobre Ricardo.”

Outro silêncio, mais longo desta vez. Helena sentiu um nó se formar em sua garganta.

“Por que você quer conversar sobre isso, Helena?”, Rafael perguntou, sua voz agora mais cautelosa.

“Eu… eu ouvi algumas coisas. Coisas que me preocupam. E eu preciso entender melhor.”

Rafael suspirou. “Eu imaginei que algo assim poderia acontecer. O mundo da moda é um ninho de fofocas e intrigas. Mas o que você ouviu, Helena?”

“Alguém mencionou o nome de Ricardo em relação a negócios… questionáveis. Sabe, Madame Clarice, a dona da agência onde eu comecei. Ela disse que ele está tentando… prejudicar agências menores.”

Um longo suspiro escapou dos lábios de Rafael. “Eu sinto muito que você tenha se deparado com isso, Helena. E sinto muito que isso esteja te preocupando. Mas, por favor, confie em mim. Eu vou explicar tudo. Quando você puder vir até aqui?”

O tom dele era sério, mas também transmitia uma segurança que Helena precisava. “Eu posso ir agora. Estou perto da sua empresa.”

“Ótimo. Venha para o meu escritório. Vou pedir para te receberem na portaria.”

Helena desligou o telefone, sentindo um misto de alívio e apreensão. Ela estava entrando em um jogo de sombras, onde o passado e o presente se misturavam de maneiras perigosas. E ela sabia que, para proteger sua irmã, precisaria encarar a verdade, por mais dolorosa que ela fosse. A reconciliação com Rafael parecia cada vez mais complicada, e o caminho para o amor, mais tortuoso do que ela jamais imaginara.

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