Voltar a te Amar III

Capítulo 5 — O Refúgio de Rafael e a Verdade Pelos Olhos Dele

por Camila Costa

Capítulo 5 — O Refúgio de Rafael e a Verdade Pelos Olhos Dele

O escritório de Rafael, localizado em um arranha-céu imponente com vista para a Baía de Guanabara, era um contraste gritante com a mansão histórica de Laranjeiras. Era moderno, funcional, com linhas retas e uma atmosfera de poder contido. Ao ser recebida pela secretária de Rafael, uma mulher eficiente e discreta, Helena sentiu uma pontada de desconforto. Aquele era o mundo de negócios de Rafael, um mundo que ela conhecia superficialmente, mas que agora a envolvia de uma forma inesperada.

Ela foi conduzida a uma sala de reuniões com uma vista deslumbrante. O sol da tarde pintava o céu de tons alaranjados, e as gaivotas voavam preguiçosamente sobre as águas. Rafael entrou minutos depois, seu semblante sério, mas com um brilho de preocupação nos olhos. Ele vestia um terno escuro, impecável, mas havia uma leveza em sua postura que o diferenciava do homem de negócios implacável que Madame Clarice descrevera.

“Helena. Obrigado por vir”, ele disse, sua voz calma. Ele gesticulou para que ela se sentasse.

Helena se sentou na cadeira acolchoada, sentindo a tensão em seus ombros diminuir ligeiramente com a presença dele. “Eu precisava entender, Rafael. Aquilo que Madame Clarice disse… me preocupou.”

Rafael sentou-se em frente a ela, suas mãos entrelaçadas sobre a mesa. Ele respirou fundo antes de começar. “Eu imaginei que você pudesse ouvir algo assim. Clarice é uma figura poderosa no mundo da moda, e não é conhecida por sua discrição ou por gostar de ver outros prosperarem. E, sim, ela tem razão em um ponto: Ricardo está expandindo seus negócios agressivamente.”

Helena observou-o atentamente. Havia uma honestidade em seu olhar que a tranquilizava, mas a preocupação por Sofia ainda a consumia. “Mas as acusações são sérias, Rafael. Ela disse que ele está prejudicando agências menores. Isso… isso é chocante.”

Rafael suspirou. “Eu não posso mentir, Helena. Ricardo tem um estilo de negócios… particular. Ele é um homem ambicioso, focado em resultados. E, sim, ele tem feito algumas aquisições agressivas no mercado. Mas a ideia de que ele está deliberadamente prejudicando agências menores… isso não é totalmente preciso. Ele está comprando empresas que considera subvalorizadas ou que podem se beneficiar de sua gestão.”

“Mas a forma como ele faz isso?”, Helena insistiu. “A ‘agressividade’ que você mencionou… pode ser interpretada de várias maneiras. E para alguém como Clarice, que é uma competidora direta, é fácil pintar um quadro negativo.”

“Eu entendo sua preocupação. E ela é válida”, Rafael admitiu. “Ricardo tem seus métodos. Ele acredita que está fortalecendo o mercado, concentrando o poder em mãos mais eficientes. Ele não vê isso como prejudicar, mas como otimizar.”

“Mas e quanto aos negócios ‘questionáveis’ que ela mencionou? Isso é verdade?”, Helena perguntou diretamente.

Rafael evitou seu olhar por um instante, olhando para a vista deslumbrante da baía. “Helena, a família Alencar tem um império que abrange diversos setores. E, como em qualquer grande conglomerado, nem tudo que é feito está sempre à luz do sol. Há negócios que exigem… tato. Que lidam com certas figuras que nem sempre são do mais alto escalão ético.”

Helena sentiu um aperto no peito. Era isso. A verdade que ela temia. “Então, o que Clarice disse é verdade? Ricardo está envolvido com gente que não é confiável?”

Rafael finalmente a olhou nos olhos, seu semblante grave. “Ele está envolvido com pessoas que são… pragmáticas, Helena. Pessoas que entendem as regras do jogo, mesmo quando elas são cinzas. Ele acredita que, para crescer, é preciso jogar com todas as cartas. E, às vezes, isso significa negociar com quem tem poder, mesmo que esse poder seja questionável.”

“E você, Rafael? O que você tem a ver com isso?”, Helena perguntou, sua voz carregada de apreensão.

Rafael fez uma pausa, e o silêncio que se seguiu foi carregado de significado. “Eu sou o braço direito de Ricardo, Helena. E o melhor amigo dele desde sempre. Eu assumi parte da responsabilidade pelos negócios da família para tentar… amenizar certas coisas. Para tentar trazer um pouco mais de ordem, de ética onde for possível.” Ele olhou para ela com uma sinceridade que a desarmou. “Sei que isso pode soar contraditório, dada a minha própria história com você. Mas eu aprendi, Helena. Aprendi com meus erros. E eu não quero que Sofia se envolva em nada que possa machucá-la.”

Helena sentiu um nó na garganta. Era a primeira vez que ele falava tão abertamente sobre seus erros, sobre o que ele havia aprendido. E, de alguma forma, isso a tocou profundamente.

“Então, você está dizendo que há verdades nas preocupações de Clarice, mas que a forma como ela as apresenta é exagerada e interesseira?”, Helena perguntou, buscando clareza.

“Exatamente. Ricardo é implacável, mas não é um criminoso. Ele opera em uma área cinzenta, onde o sucesso é medido pela capacidade de navegar pelas complexidades. E eu estou lá para tentar garantir que essa navegação não cause danos colaterais desnecessários, especialmente para as pessoas que amamos.” Ele se inclinou para frente. “Eu não queria que você se deparasse com isso, Helena. Especialmente não através de alguém como Clarice, que é mestre em manipular informações para benefício próprio.”

Helena processou tudo aquilo. A raiva inicial que sentiu em relação a Ricardo diminuiu um pouco, substituída por uma preocupação mais profunda. Ela não amava Ricardo, mas amava Sofia, e a ideia de sua irmã envolvida em um mundo tão turbulento a apavorava.

“E o que você pretende fazer?”, Helena perguntou. “Se Ricardo está agindo de forma tão agressiva, isso pode afetar outras pessoas. E pode afetar Sofia.”

“Eu estou tentando dialogar com ele, Helena. Tentar convencê-lo a ser menos… implacável. E estou supervisionando as aquisições de perto, para garantir que não haja danos maiores. E, se algo ameaçar Sofia, eu farei o que for preciso para protegê-la.” A firmeza em sua voz a impressionou.

Helena o observou. O homem que um dia foi um jovem impulsivo e covarde, agora parecia um homem maduro, responsável, tentando carregar o peso de um império e a responsabilidade de proteger aqueles que ama.

“Eu confio em você, Rafael”, ela disse, e as palavras saíram naturalmente de seus lábios. Foi um ato de fé, um passo em direção à cura das feridas do passado.

Um sorriso genuíno iluminou o rosto de Rafael. “Obrigado, Helena. Isso significa muito para mim. Saber que você confia em mim… é um passo importante.” Ele fez uma pausa. “E sobre nós… sobre o que aconteceu na noite passada…”

Helena sentiu o calor subir em seu rosto. O beijo, a confissão, a promessa de uma chance… tudo aquilo parecia um sonho distante agora. “Rafael, eu ainda estou confusa. Dez anos é muito tempo. Eu construí uma vida… uma vida onde eu precisava ser forte, onde eu precisava ser independente.”

“Eu sei. E admiro isso em você, Helena. Você se tornou uma mulher incrível. Mas… você não precisa ser forte o tempo todo. E você não precisa estar sozinha.” Ele estendeu a mão sobre a mesa, e desta vez Helena não hesitou em pegá-la. Sua mão era quente e firme. “Eu não estou te pedindo para abandonar sua vida, Helena. Estou te pedindo apenas para considerar que talvez haja espaço para nós dois nela. Para que possamos tentar, juntos, curar as feridas do passado e construir algo novo.”

Helena olhou para suas mãos entrelaçadas. A conexão física era inegável, a familiaridade do toque, a eletricidade que sempre existiu entre eles. Ela sentiu o coração bater mais forte, uma mistura de esperança e medo a invadindo.

“Eu… eu preciso de tempo, Rafael. Para pensar. Para entender o que eu quero.”

“Eu entendo”, ele respondeu, apertando suavemente sua mão. “E eu vou te dar esse tempo. Mas saiba que eu estou aqui. E que eu não vou desistir de você novamente.”

A promessa em seus olhos era sincera. Helena sentiu que, pela primeira vez em muito tempo, um raio de sol conseguia atravessar as nuvens carregadas de seu coração. A volta ao Rio de Janeiro para o casamento de Sofia havia se tornado muito mais complexa do que ela imaginara. Havia o risco de negócios obscuros, a preocupação com sua irmã e, acima de tudo, o reencontro com o amor de sua vida. Mas, pela primeira vez em dez anos, Helena sentiu que talvez, apenas talvez, voltar a te amar fosse uma possibilidade real. E essa esperança, por mais frágil que fosse, era um presente valioso.

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%