O Amor Verdadeiro II

Capítulo 16

por Ana Clara Ferreira

Absolutamente! Preparado para mergulhar de volta no turbilhão de emoções de "O Amor Verdadeiro II". Aqui estão os capítulos 16 a 20, repletos de drama, paixão e a intensidade que só uma novela brasileira pode oferecer.

O Amor Verdadeiro II Romance Romântico Por Ana Clara Ferreira

Capítulo 16 — O Sussurro das Sombras e o Despertar da Dúvida

A luz do sol entrava timidamente pela fresta da cortina, pintando listras douradas sobre o edredom amarrotado. Alice se remexeu, um suspiro escapando dos lábios entreabertos. O peso do dia anterior ainda a envolvia como um manto úmido. A audiência, o confronto com Ricardo, a declaração de amor de Miguel… tudo parecia um sonho febril, uma tapeçaria intrincada de verdades dolorosas e esperanças frágeis. Ela olhou para o lado, onde Miguel dormia profundamente, o rosto sereno, quase angelical. Um sorriso triste tocou seus lábios. Havia algo em sua calma que a acalmava também, mas uma inquietação, um murmúrio persistente, começava a ganhar voz em sua mente.

Enquanto a casa ainda despertava, Alice se levantou com cuidado, vestiu um roupão de seda e seguiu para a cozinha. O aroma de café fresco pairava no ar, cortesia da governanta, Dona Clara, uma senhora de fala mansa e olhar perspicaz.

“Bom dia, minha flor”, disse Dona Clara, servindo uma xícara fumegante. “Parece que a noite foi agitada.”

Alice apenas assentiu, aceitando o café. “Agitada, Dona Clara. Mas talvez… um pouco mais clara.”

Ela se sentou à mesa, a xícara quente em suas mãos, e seus olhos vagaram pela janela, contemplando o jardim recém-iluminado. O discurso de Ricardo na audiência ainda ecoava em sua mente. Ele havia sido convincente, sua dor parecia palpável. E se… e se ele estivesse dizendo a verdade? E se a manipulação que ela sentiu fosse apenas uma projeção de sua própria insegurança? A ideia a assustou. Ela se agarrava à versão dos fatos que a libertava, que a permitia amar Miguel sem culpa. Mas o que aconteceria se essa versão desmoronasse?

Miguel apareceu na cozinha, os cabelos desalinhados, um sorriso sonolento brincando em seus lábios. Abraçou Alice por trás, depositando um beijo em seu ombro. “Bom dia, meu amor.”

“Bom dia”, respondeu ela, tentando soar animada.

Ele a virou para encará-lo, os olhos azuis faiscando de ternura. “Você está bem? Parecia um pouco distante.”

“Estou bem”, Alice assegurou, forçando um sorriso. “Só pensando em tudo que aconteceu.”

Miguel a puxou para perto, seu abraço forte e reconfortante. “O passado não pode nos definir, Alice. O que importa é o nosso presente, o nosso futuro.”

Mas as palavras dele, que antes soavam como um bálsamo, agora pareciam um pouco apressadas. Como se ele quisesse apagar as dúvidas antes mesmo que elas pudessem se formar. Ela sabia que Miguel a amava, e amava com uma intensidade avassaladora. Mas ela também sabia que Ricardo a havia amado, de uma maneira distorcida, possessiva, mas amor. E o que ele disse sobre a gravidez, sobre a manipulação… essas palavras eram como sementes de veneno plantadas em seu coração.

Mais tarde, enquanto Miguel se preparava para sair para resolver assuntos da empresa, Alice o segurou pelo braço.

“Miguel, podemos conversar um pouco mais?”

Ele a olhou com expectativa. “Claro, querida. O que foi?”

“Sobre o Ricardo”, ela começou, a voz um pouco trêmula. “Ele… ele disse que eu manipulei as coisas para que ele se afastasse de mim. Que ele não me abandonou, que fui eu quem o empurrou.”

Miguel franziu a testa, a paciência visivelmente testada. “Alice, ele estava desesperado. Tentando criar uma falsa narrativa para se defender. Você sabe que ele é um mestre em distorcer a realidade.”

“Eu sei, mas… ele parecia tão convicto. E a questão da minha gravidez… ele jurou que foi você quem me pressionou a omitir tudo.”

Um silêncio pesado se instalou entre eles. Miguel a encarou, seus olhos buscando os dela. A sinceridade que Alice sempre vira neles agora parecia… ofuscada por uma certa impaciência.

“Alice, você está ouvindo a mim ou a ele? Quem está com você há meses, quem te apoiou em tudo isso, fui eu. Ricardo só quer te reconquistar, e se para isso ele tiver que jogar sujo, ele o fará. Ele sempre foi assim.” A voz dele soava firme, mas havia um tom de urgência que Alice não gostava.

“Mas e se ele tiver razão? E se você também… teceu uma teia para me ter?” A pergunta saiu antes que ela pudesse contê-la, um sussurro cru da verdade que a assombrava.

Miguel a afastou levemente, a surpresa substituindo a ternura em seu rosto. “O quê? Alice, como você pode sequer pensar nisso? Depois de tudo que passamos? Eu te amo mais do que a minha própria vida!”

“Eu sei que você diz que me ama, Miguel. E eu também te amo. Mas o Ricardo… ele me fez acreditar que a minha gravidez era um fardo para você, que você não estava pronto. E você… você aceitou que eu ficasse longe dele, que eu acreditasse que ele não me queria.” As palavras saíam em um fluxo rápido, como um rio transbordando. “Eu só quero entender tudo, Miguel. Sem mentiras, sem meias verdades.”

Miguel respirou fundo, passando a mão pelos cabelos. O tom de sua voz mudou, tornando-se mais controlado, mas ainda com aquela pontada de frustração. “Alice, você está exausta. Vamos deixar isso para depois. Temos um novo começo pela frente, lembra? Um novo ciclo.”

Ele a beijou na testa, um gesto que antes era reconfortante, mas agora parecia uma tentativa de selar a conversa, de enterrar as dúvidas. Ele saiu do apartamento, deixando Alice sozinha com seus pensamentos tumultuados. O sussurro das sombras havia se transformado em um grito silencioso em sua alma. A dúvida, fria e penetrante, começava a corroer a base do amor que ela construíra com Miguel. Ela amava Miguel, mas a necessidade de verdade, de uma clareza absoluta, a impelia a questionar tudo, até mesmo aquele amor que parecia tão inabalável.

Ela se lembrou da noite anterior, da forma como Ricardo a olhou, a profunda mágoa em seus olhos. E Miguel, tão rápido em desqualificar tudo o que o ex-marido disse. Era proteção? Ou era controle? A linha tênue entre os dois começava a se esvanecer, e Alice se sentia perdida em um labirinto de incertezas, com o coração apertado pela possibilidade de que o amor verdadeiro pudesse ter sido construído sobre um alicerce de meias verdades. A porta se fechou com um clique suave, mas na mente de Alice, o som era estrondoso, o prenúncio de uma tempestade que se formava. Ela sabia que não poderia mais fugir. Precisava desvendar a teia de mentiras, mesmo que isso significasse confrontar a possibilidade de que o seu novo amanhecer pudesse ser apenas mais um crepúsculo doloroso. O amor verdadeiro, afinal, exigia a verdade nua e crua, e Alice estava prestes a mergulhar fundo para encontrá-la, não importa o custo. O perfume residual do café parecia agora um prenúncio amargo de desafios vindouros.

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