O Amor Verdadeiro II

Capítulo 2 — A Sombra Misteriosa de um Passado Inesquecível

por Ana Clara Ferreira

Capítulo 2 — A Sombra Misteriosa de um Passado Inesquecível

A noite desceu sobre o Rio de Janeiro com a mesma intensidade com que a esperança tentava se firmar no coração de Helena. As luzes da cidade, que antes pareciam um convite à celebração, agora refletiam em seu apartamento com um brilho frio e distante. Ela havia passado o dia todo no ateliê, mas as telas continuavam teimosamente em branco. A frustração a consumia, mas a promessa que fizera a si mesma e a Ricardo pairava em sua mente.

Enquanto preparava um chá calmante, Helena revisava mentalmente os últimos cinco anos. A partida abrupta de Miguel a deixou em um estado de choque prolongado. Ela se lembrava dos dias subsequentes, das ligações incessantes para o celular dele, que sempre caía na caixa postal. Das visitas à construtora dele, onde era recebida com olhares de piedade e respostas evasivas. Da polícia, que parecia mais interessada em arquivar o caso do que em descobrir a verdade.

Havia uma teoria, sussurrada nos corredores elegantes da alta sociedade carioca, de que Miguel havia fugido. Dívidas, um caso extraconjugal, envolvimento com gente perigosa. Helena se recusava a acreditar em qualquer uma delas. Miguel era um homem íntegro, apaixonado por ela e por sua vida. Ou era isso que ela acreditava.

Uma batida na porta a assustou. Quem poderia ser a essa hora? Ela se dirigiu à porta, espiando pelo olho mágico. Era a síndica do prédio, Dona Aurora, uma senhora de cabelos grisalhos e um ar sempre preocupado.

"Boa noite, Dona Aurora", disse Helena, abrindo a porta.

"Boa noite, minha querida. Desculpe incomodar a essa hora, mas... você viu alguma coisa diferente hoje? Algum carro estranho estacionado na rua? Alguma pessoa rondando o prédio?" A síndica parecia genuinamente aflita.

Helena franziu a testa. "Não, Dona Aurora. Por quê? Aconteceu alguma coisa?"

"Ah, não é nada demais, provavelmente. É que... eu vi um homem. Um homem alto, moreno, com um chapéu. Ele estava parado ali na esquina, olhando para o prédio. Fiquei um pouco apreensiva. Não me parecia um morador."

Um homem com um chapéu. A descrição era vaga, mas algo na fala de Dona Aurora fez um arrepio percorrer a espinha de Helena. Ela tentou se lembrar se havia visto alguém incomum durante o dia, mas sua mente estava focada em suas próprias angústias.

"Eu não o vi, Dona Aurora. Mas obrigada por me avisar. Vou ficar mais atenta."

Após Dona Aurora se despedir, Helena fechou a porta, a mente voltando a um turbilhão de pensamentos. Um homem estranho observando o prédio. Seria coincidência? Ou estaria relacionado ao desaparecimento de Miguel? A ideia, por mais improvável que parecesse, plantou uma semente de apreensão em seu coração.

Ela se dirigiu à sala, onde uma enorme janela oferecia uma vista panorâmica da cidade. As luzes piscavam, a vida pulsava lá fora, mas dentro do apartamento, um silêncio inquietante pairava. Helena se aproximou da janela e observou a rua escura. A esquina mencionada por Dona Aurora estava deserta, iluminada apenas pela luz amarelada de um poste.

De repente, uma figura surgiu na penumbra. Um homem alto, como Dona Aurora descreveu, usava um chapéu que cobria parte do seu rosto. Ele parou por um instante, como se estivesse olhando para o prédio, e depois seguiu seu caminho, desaparecendo na escuridão.

Helena sentiu o coração disparar. Era ele. Aquele homem. Por que ele estava ali? O que ele queria? A paranoia começou a se instalar, alimentada pela fragilidade emocional em que vivia. Seria alguém enviado para perturbá-la? Ou seria uma pista, uma conexão inesperada com o sumiço de Miguel?

Ela pegou seu celular e discou o número de Ricardo.

"Ricardo? Desculpe ligar tão tarde, mas preciso da sua ajuda."

"Helena? O que houve? Você está bem?" A voz de Ricardo, sempre atenta, soava preocupada.

"Não sei. Acabei de ver um homem estranho rondando o prédio. Ele usava um chapéu e parecia estar observando o prédio. A síndica também o viu." Helena contou os detalhes, a voz embargada pela ansiedade.

Ricardo ficou em silêncio por um momento. "Um homem com chapéu... Helena, você se lembra de alguém que Miguel mencionava, alguém que ele parecia recear?"

Helena pensou intensamente. Miguel era geralmente aberto com ela, mas ultimamente, antes de desaparecer, ele parecia mais evasivo, preocupado com algo. Ela se lembrava vagamente de uma conversa em que ele mencionou um "investidor impaciente" e um "negócio que poderia dar errado". Mas ele nunca deu nomes.

"Ele mencionou um investidor, eu acho. Mas não lembro de detalhes. E ele estava mais reservado nos últimos tempos..."

"Entendo. Olhe, Helena, não se desespere. Pode ser apenas uma coincidência. Mas, por precaução, eu vou mandar alguém de confiança ficar de olho na sua rua. Alguém discreto, que não vai chamar atenção. E se você vir o homem novamente, por favor, não o confronte. Ligue para mim imediatamente."

"Obrigada, Ricardo. Você é um anjo."

Após desligar, Helena se sentiu um pouco mais aliviada, mas a inquietação persistia. A imagem do homem com o chapéu se gravou em sua mente. Era a primeira vez em cinco anos que algo tangível, por mais misterioso que fosse, parecia se conectar ao desaparecimento de Miguel.

Ela decidiu que não podia mais se dar ao luxo de ficar parada. A arte, que antes era um refúgio, agora precisava se tornar uma ferramenta. Ela precisava usar sua criatividade, sua capacidade de observação, para desvendar esse mistério. O perfume da saudade ainda pairava, mas agora, misturado a ele, surgia um novo aroma: o do perigo e da busca por respostas.

Helena se dirigiu ao cavalete onde repousava o retrato inacabado de Miguel. O sorriso dele parecia um desafio. Ela pegou seus pincéis e tintas, determinada a não deixar que a escuridão vencesse. O homem do chapéu era um enigma, e ela estava decidida a decifrá-lo.

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