O Amor Verdadeiro II

O Amor Verdadeiro II

por Ana Clara Ferreira

O Amor Verdadeiro II

Autor: Ana Clara Ferreira

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Capítulo 6 — O Sussurro das Estrelas e a Tentação Proibida

A noite caía sobre o Rio de Janeiro com a opulência de um veludo escuro, salpicado de luzes que pareciam diamantes incrustados na cidade que nunca dormia. Na sacada do apartamento de luxo, com vista para a imensidão cintilante do Pão de Açúcar, Marina sentia o peito apertado. O perfume das flores da varanda, um buquê exótico que Pedro lhe enviara, pairava no ar, misturando-se à brisa marinha que trazia consigo o sal e o cheiro inconfundível da esperança e da saudade. A tela em branco sobre o cavalete, antes um convite à criação, agora a encarava como um desafio mudo, um reflexo da confusão em sua alma.

Ela fechou os olhos, buscando em si a força que parecia esvaecer a cada dia. As últimas semanas haviam sido um turbilhão. O reencontro com Pedro, após tantos anos de silêncio e dor, a havia desestabilizado de uma forma que ela jamais imaginara. Ele, o homem que um dia roubara seu coração com um sorriso e a traíra com uma mentira, estava de volta. E, para seu desespero, o desejo ainda ardia, cruel e implacável, como uma brasa sob as cinzas de um amor antigo.

A lembrança do beijo em seu estúdio, carregado de uma paixão reprimida por mais de uma década, ainda a incendiava. O toque dos lábios dele, o cheiro de sua pele, a voz rouca que sussurrava seu nome… tudo voltava com uma intensidade avassaladora. Mas a culpa a corroía. A verdade sobre o passado, a verdade sobre o sofrimento de sua mãe, a verdade sobre as lágrimas que ela própria chorara, pesava em sua consciência como uma âncora.

“Você devia estar feliz, Marina”, murmurou para si mesma, com um suspiro longo e trêmulo. “Ele voltou. O homem que você sempre amou. A chance de consertar tudo.” Mas as palavras soavam ocas, desprovidas de qualquer conforto. Como consertar o que fora quebrado em tantos pedaços? Como apagar a imagem de sua mãe, definhando em tristeza, por causa do amor que ele, com sua irresponsabilidade, havia destruído?

Um ruído suave na porta de vidro a fez sobressaltar. Era Pedro, vestindo uma camisa de linho branca levemente desabotoada, os cabelos castanhos despenteados pelo vento, os olhos azuis como o mar em um dia de tempestade, mas agora com um brilho suave, quase suplicante. Ele trazia consigo uma garrafa de vinho tinto e duas taças.

“Não consegui dormir, nem você, eu imagino”, disse ele, a voz grave e melodiosa, que parecia acariciar cada fibra de seu ser. Ele se aproximou, o olhar fixo no dela, como se buscasse ali as respostas que há anos ele não encontrava.

Marina desviou o olhar, sentindo o calor subir em seu rosto. “Eu… eu estava pensando”, gaguejou, incapaz de sustentar a intensidade de sua presença.

Pedro colocou a garrafa e as taças sobre uma mesinha na sacada. “Pensando em quê, Marina? Em nós? Em tudo que aconteceu?” Ele deu um passo mais perto, e ela podia sentir o calor que emanava dele, o aroma sutil de seu perfume misturando-se ao perfume das flores.

“Eu não sei se consigo lidar com isso, Pedro”, confessou ela, a voz embargada. “O passado… ele é muito pesado.”

Ele a segurou gentilmente pelos braços, forçando-a a olhá-lo. “O passado pode nos machucar, Marina, mas também pode nos ensinar. E se o passado nos trouxe de volta um ao outro, talvez ele tenha um propósito. Um propósito que vale a pena ser explorado.” Ele acariciou seu rosto com os dedos, um toque leve, mas que fez seu corpo inteiro tremer. “Eu sei que errei. Sei que te magoei profundamente. Mas eu nunca deixei de te amar.”

As palavras dele, sinceras e carregadas de emoção, atingiram Marina como um raio. Ela sabia que ele estava falando a verdade. Sentia isso em cada olhar, em cada gesto, em cada palavra que escapava de seus lábios. Mas a dor de sua mãe era um fantasma persistente, um lembrete constante do preço que ela havia pago.

“E minha mãe, Pedro? Como você acha que eu posso esquecer o que ela passou por sua causa? A tristeza que a consumiu… eu vi isso todos os dias.” A voz de Marina falhou, as lágrimas começando a brotar em seus olhos.

Pedro suspirou, o peso da culpa visível em seu semblante. “Eu sei, meu amor. Eu sei que causei dor. E essa dor, eu a carrego comigo todos os dias, como uma penitência. Mas eu voltei para tentar reparar. Para tentar, de alguma forma, trazer de volta o que foi perdido. Para você, para nós.” Ele se aproximou ainda mais, seus rostos quase se tocando. “Marina, eu te amo. Amo você mais do que a qualquer outra coisa neste mundo. E eu quero ter a chance de provar isso, de te reconquistar, de construir um futuro onde a dor do passado seja apenas uma lembrança distante, ofuscada pela força do nosso amor.”

O coração de Marina batia descompassado. A tentação era enorme. A proximidade de Pedro, a intensidade de seu olhar, a verdade em sua voz… tudo conspirava para fazê-la ceder. Ela fechou os olhos, sentindo a respiração dele em seu rosto, o cheiro inebriante que a envolvia.

“Eu não sei se consigo, Pedro”, sussurrou ela, a voz quase inaudível.

“Deixe-me tentar, Marina. Por favor”, implorou ele, os olhos azuis cheios de uma súplica que derretia o gelo em seu coração. Ele se inclinou lentamente, e ela não fez nenhum movimento para se afastar. Seus lábios se encontraram em um beijo que começou suave, terno, e rapidamente se aprofundou em uma paixão avassaladora. Era um beijo de reencontro, de saudade, de perdão e de promessa. Um beijo que falava de todos os anos de separação, de toda a dor, mas também de toda a esperança de um recomeço.

As mãos dele deslizaram para a cintura dela, puxando-a para mais perto. Marina sentiu um arrepio percorrer seu corpo. Era como se os anos tivessem desaparecido, como se eles fossem jovens novamente, descobrindo o amor pela primeira vez. O mundo lá fora, as luzes do Rio, o barulho da cidade, tudo se desvaneceu. Existiam apenas eles dois, naquele momento de êxtase proibido, sob o sussurro das estrelas.

Ele se afastou um pouco, a testa colada na dela, ambos ofegantes. “Eu te amo, Marina”, repetiu ele, a voz rouca de emoção.

Marina não conseguia falar. As palavras estavam presas em sua garganta, sufocadas por uma mistura de desejo, culpa e um amor que parecia forte demais para ser contido. Ela o olhou nos olhos, vendo neles um reflexo de seus próprios sentimentos. A hesitação ainda estava lá, mas havia também uma faísca de algo novo, algo que ela não ousava nomear.

Pedro pegou uma das taças e serviu o vinho. O líquido escuro brilhava à luz fraca da sacada. Ele estendeu a taça para ela. “Um brinde”, disse ele, com um sorriso que era ao mesmo tempo melancólico e esperançoso. “Um brinde ao passado, que nos ensinou. Um brinde ao presente, que nos deu uma nova chance. E um brinde ao futuro, que construiremos juntos.”

Marina pegou a taça, seus dedos roçando os dele. Ela bebeu um gole do vinho, sentindo o sabor forte e marcante em sua boca. Era um gosto de risco, de paixão, de um amor que se recusava a morrer. Ela olhou para Pedro, o homem que a havia ferido tão profundamente, mas que agora parecia ser o único capaz de curá-la. Naquele instante, sob o manto estrelado do Rio, Marina sentiu que estava à beira de uma nova jornada, uma jornada perigosa e irresistível, onde o amor verdadeiro poderia, quem sabe, vencer as sombras do passado.

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