O Amor Verdadeiro II

Capítulo 8 — O Fantasma da Insegurança e a Sombra de Um Rival

por Ana Clara Ferreira

Capítulo 8 — O Fantasma da Insegurança e a Sombra de Um Rival

O abraço prolongou-se, um bálsamo para as almas feridas. Marina sentiu a força de Pedro envolvê-la, a segurança que ela tanto buscava. A confissão mútua pairava no ar, carregada de uma eletricidade que prometia um futuro incerto, mas intensamente desejado. No entanto, por mais que tentasse se entregar àquele momento de paz, uma sombra persistente pairava sobre sua felicidade: a insegurança.

Ela olhou para a pintura que acabara de concluir, uma obra que capturava a essência de sua luta e de seu amor recém-descoberto. Era uma representação honesta e crua de sua alma, mas também uma obra que, em sua essência, carregava a marca da dor do passado. Será que isso seria suficiente para Pedro? Será que ele a aceitaria com todas as suas cicatrizes, com todas as suas inseguranças?

“Eu ainda me assusto, Pedro”, confessou Marina, a voz baixa, rompendo o silêncio confortável. Ela se afastou um pouco, apenas o suficiente para olhá-lo nos olhos, buscando algo que dissipasse o medo que a assolava. “É como se eu estivesse sempre esperando a próxima decepção, o próximo adeus.”

Pedro apertou-a em seus braços, o olhar terno e seguro. “Eu sei, meu amor. E eu não espero que você simplesmente esqueça tudo. A dor que você sentiu… eu a entendo. Mas eu estou aqui agora. E eu não vou a lugar nenhum. Eu te amo, Marina. E o meu amor por você é mais forte do que qualquer fantasma do passado.” Ele acariciou seu rosto. “Você é uma mulher incrível, uma artista genial. E eu me sinto o homem mais sortudo do mundo por ter a chance de estar ao seu lado.”

As palavras dele eram um alento, um sopro de ar fresco em seus pulmões. Marina se permitiu acreditar. Permitiu-se vislumbrar um futuro onde a confiança florescesse, onde a dor fosse gradualmente substituída pela alegria. Eles passaram o resto da tarde juntos no ateliê, conversando, rindo, redescobrindo a cumplicidade que os unira tantos anos atrás. Pedro a acompanhou em um passeio pela praia ao pôr do sol, e o mar, com suas ondas serenas, parecia espelhar a calma que começava a tomar conta de seu coração.

No entanto, a tranquilidade durou pouco. No dia seguinte, enquanto Marina se preparava para um importante evento de lançamento de sua nova coleção de quadros em uma galeria renomada, o telefone tocou. Era Dona Elza, a voz embargada pela preocupação.

“Minha filha… um homem ligou aqui. Ele disse que era em nome de Pedro. Falou sobre um assunto urgente, que precisava ser resolvido antes da sua exposição.”

O sangue de Marina gelou. Um homem em nome de Pedro? Um assunto urgente? A mente dela disparou, imaginando os piores cenários. Seria algo relacionado ao passado dele? Algo que pudesse comprometer a sua reputação, a sua nova fase de esperança?

“Quem era ele, mãe? O que ele disse exatamente?”, perguntou Marina, a voz trêmula.

“Ele não disse muito, querida. Apenas que Pedro precisava resolver uma pendência antiga e que isso poderia afetar você. Ele pediu para eu te avisar para ter cuidado.”

A preocupação se transformou em um medo gelado. Pedro havia dito que estava em paz com o passado, que havia deixado as coisas para trás. O que poderia ser essa “pendência antiga”? E por que ela seria afetada?

Naquela noite, a galeria estava lotada. Críticos, colecionadores, amigos e admiradores de Marina se reuniram para celebrar seu talento. A exposição era um sucesso retumbante. Seus quadros, carregados de emoção e cores vibrantes, arrancavam suspiros de admiração. Marina recebia os cumprimentos com um sorriso, mas por dentro, a ansiedade a consumia. Pedro não havia aparecido. Ele que sempre a incentivara, que a ajudara a dar os primeiros passos naquele renascimento, estava ausente.

De repente, um burburinho se formou na entrada da galeria. Um homem alto, com um terno impecável e um sorriso calculista, adentrou o recinto. Seus olhos escrutinavam a multidão, e quando encontraram Marina, um sorriso de escárnio surgiu em seus lábios. Ele se aproximou dela, ignorando os olhares curiosos.

“Marina Bastos, não é?”, disse ele, a voz rouca e um tanto arrogante. “É um prazer conhecê-la. Sou Victor Montenegro.”

Marina o olhou com desconfiança. “Eu o conheço?”, perguntou, tentando manter a calma.

“Não pessoalmente. Mas conheço muito bem o seu… namorado.” A palavra foi dita com um tom de sarcasmo que fez Marina estremecer. “Pedro. Ele me deve muito. E pelo que me disseram, você é a nova queridinha dele. A nova paixão que o redimiu.”

O coração de Marina disparou. Victor Montenegro. O nome soava familiar, associado a negócios escusos, a um passado sombrio que ela tentava desesperadamente deixar para trás.

“Eu não sei do que você está falando”, disse Marina, a voz firme, apesar do medo que a dominava.

Victor riu, um som desagradável. “Ah, você sabe sim. Sabe que Pedro tem um passado. Um passado que envolve pessoas como eu. Pessoas que ele deixou para trás quando decidiu se tornar o homem puro e honesto que é hoje.” Ele deu um passo à frente, o olhar fixo no dela, como um predador encurralando sua presa. “Eu vim para cobrar o que é meu. E se Pedro não pagar a dívida, quem vai pagar é você.”

Marina sentiu o chão sumir sob seus pés. A insegurança que ela tentara afastar com tanto esforço voltou com força total. Victor Montenegro era a personificação de seus medos. Ele era a prova de que o passado de Pedro, sombrio e perigoso, ainda podia assombrá-los.

“O que você quer?”, perguntou Marina, a voz quase um sussurro.

“Quero o que Pedro me deve”, respondeu Victor, com um sorriso cruel. “E se ele não me der, você vai ter que me dar algo em troca. Talvez a sua fama. Talvez a sua arte. Ou talvez… o seu coração.” Ele piscou para ela, um gesto que a fez sentir um arrepio de nojo. “Pense nisso, Marina. Pedro vai ter que fazer uma escolha. E eu garanto que não será uma escolha fácil.”

Com um último olhar penetrante, Victor Montenegro se virou e saiu da galeria, deixando para trás um rastro de medo e incerteza. Marina ficou parada, o coração batendo descontroladamente. A alegria da exposição, o calor do amor recém-descoberto, tudo se desfez em instantes. A sombra de um rival, a ameaça de um passado que se recusava a morrer, pairava agora sobre seu futuro. Ela sabia que a luta pelo amor verdadeiro estava longe de terminar.

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