O Amor Verdadeiro II

Capítulo 9 — O Ultimato do Passado e a Escolha Dolorosa

por Ana Clara Ferreira

Capítulo 9 — O Ultimato do Passado e a Escolha Dolorosa

O silêncio que se seguiu à partida de Victor Montenegro era ensurdecedor. A galeria, antes vibrante de conversas e aplausos, agora parecia sufocada pela presença sombria que ele deixara para trás. Marina sentia o olhar de todos sobre ela, mas estava distante, presa em um pesadelo que a fazia tremer. As palavras de Victor ecoavam em sua mente: “Se Pedro não pagar a dívida, quem vai pagar é você.”

Ela se afastou da multidão, buscando refúgio em um canto mais isolado, perto de uma de suas pinturas. O quadro, que retratava um mar tempestuoso com um raio de sol rompendo as nuvens, parecia zombar dela. Tão belo, tão cheio de esperança, mas agora, parecia apenas um lembrete cruel da fragilidade de sua felicidade.

“Marina? O que aconteceu?”, a voz de sua amiga, Sofia, a trouxe de volta à realidade. Sofia, uma crítica de arte perspicaz e leal, percebeu a palidez de Marina e a expressão de puro pavor em seu rosto.

Marina tentou formular uma resposta, mas as palavras não saíam. Ela apenas balançou a cabeça negativamente, as lágrimas começando a brotar em seus olhos.

Sofia a abraçou, compreensiva. “O que ele disse? Aquele homem… ele te ameaçou, não foi?”

Marina assentiu, finalmente encontrando sua voz. “Ele disse que Pedro lhe deve dinheiro. Que ele veio cobrar. E que se Pedro não pagar, eu terei que pagar. Ele… ele disse que pode destruir a minha carreira.”

Sofia ficou chocada. “Isso é inacreditável! Esse Victor Montenegro… ele é conhecido por ser um dos piores tubarões do mercado. Ele não tem escrúpulos.” Ela olhou para Marina, a determinação crescendo em seus olhos. “Você precisa contar ao Pedro. Ele precisa saber disso imediatamente.”

Marina sabia que Sofia estava certa. Mas o pensamento de ter que trazer essa escuridão de volta para a vida de Pedro, depois de tudo o que eles haviam passado, a enchia de angústia. Ela estava prestes a ter um momento de paz, um recomeço, e agora, essa ameaça pairava sobre eles.

Com o coração pesado, Marina deixou a exposição mais cedo, com a desculpa de um mal-estar. Ela dirigiu direto para o apartamento de Pedro, o volante de seu carro apertado com tanta força que seus nós dos dedos ficaram brancos. A imagem de Victor Montenegro, com seu sorriso de escárnio, a perseguia.

Quando chegou, Pedro a recebeu com um misto de surpresa e preocupação. Ele percebeu a palidez dela, a fragilidade em seus olhos.

“Marina! O que aconteceu? Você não ficou até o final da exposição?”

Marina respirou fundo. “Precisamos conversar, Pedro. Algo terrível aconteceu.” Ela contou a ele sobre o encontro com Victor Montenegro, sobre as ameaças, sobre o medo que a consumia.

Ao ouvir a história, o semblante de Pedro mudou. A preocupação deu lugar a uma fúria contida. Seus olhos azuis, antes cheios de ternura, agora faiscavam com uma raiva que Marina nunca havia visto.

“Victor Montenegro… aquele desgraçado!”, ele rosnou, os punhos cerrados. “Eu sabia que ele não me deixaria em paz. Eu tentei resolver isso da forma mais discreta possível, mas parece que ele quer fazer um espetáculo.”

“O que ele quer, Pedro? Qual é essa dívida?”, perguntou Marina, a voz embargada pela ansiedade.

Pedro hesitou por um momento, o peso do passado claramente visível em seu rosto. “É uma dívida antiga, Marina. De quando eu era mais jovem, mais imprudente. Eu me envolvi em alguns negócios com ele. Coisas que eu não me orgulho. E quando eu decidi mudar de vida, eu tentei cortar todos os laços. Mas ele é um homem perigoso. Ele não perdoa. Ele exige o que acha que é seu.”

“E ele te ameaçou, Pedro? Ou a mim?”, Marina insistiu.

Pedro a segurou pelos braços, o olhar intenso. “Ele ameaçou os dois, Marina. Ele quer me ver destruído, e sabe que te usar é a melhor maneira de conseguir isso. Ele disse que se eu não pagar a quantia exorbitante que ele exige em 48 horas, ele vai expor tudo sobre o meu passado. Vai arruinar a sua carreira, a sua reputação. Ele disse que vai acabar com tudo o que você construiu.”

Marina sentiu o chão desabar novamente. 48 horas. Era um ultimato. A realidade de sua situação a atingiu com força brutal. O amor que ela sentia por Pedro, a esperança de um futuro juntos, tudo estava em jogo.

“Pedro, você não pode deixar isso acontecer!”, exclamou Marina, o pânico tomando conta dela. “Precisamos fazer alguma coisa!”

Pedro suspirou, o cansaço evidente em sua voz. “Eu vou resolver isso, Marina. Eu prometo. Eu tenho alguns contatos, pessoas que podem me ajudar a conseguir o dinheiro. Ou eu posso… eu posso tentar negociar com ele.”

“Negociar? Com aquele homem? Você acha que ele é um negociador justo?”, Marina retrucou, a voz cheia de desespero. “Ele quer te ver arruinado, Pedro! Ele quer me ver arruinada!”

“Eu sei, Marina. Mas eu não posso deixar que ele te machuque. Você é tudo o que eu tenho. A sua arte, a sua felicidade… eu não posso permitir que ele as toque.” Ele a puxou para perto, abraçando-a com força. “Eu vou te proteger. De tudo e de todos.”

Nos dias que se seguiram, Marina viveu em um estado de constante apreensão. Pedro trabalhava incansavelmente, tentando encontrar uma solução. Ele se afastou um pouco, mergulhado em seus contatos, em suas negociações desesperadas. Marina o via trabalhando, a angústia em seu olhar, o peso do mundo em seus ombros. E ela se sentia impotente, incapaz de ajudar de forma concreta.

As noites eram as piores. Ela se revirava na cama, imaginando os piores cenários. O que aconteceria se Pedro não conseguisse o dinheiro? Seria ela exposta, ridicularizada? A sua carreira, que ela lutou tanto para construir, seria destruída? E o amor que florescia entre eles, seria capaz de sobreviver a uma provação tão brutal?

Na tarde do segundo dia, Pedro apareceu no ateliê de Marina, o semblante abatido. Ele segurava uma pasta nas mãos, e a expressão em seu rosto dizia tudo.

“Eu não consegui, Marina”, disse ele, a voz embargada. “Victor Montenegro é implacável. Ele não cedeu em nada. Ele quer a quantia total, e ele quer agora.”

Marina sentiu o coração apertar. Era o fim. O futuro que ela tanto almejara, que começava a se concretizar, estava prestes a desmoronar.

“E agora, Pedro? O que vamos fazer?”, perguntou ela, as lágrimas rolando livremente por seu rosto.

Pedro a olhou, a dor em seus olhos refletindo a dela. Ele se aproximou dela, as mãos trêmulas tocando seu rosto. “Marina, eu tenho uma opção. Uma opção que me custa muito. Mas que eu preciso considerar para te proteger.”

“Qual opção, Pedro?”, ela perguntou, o medo crescendo a cada segundo.

“Eu posso… eu posso entregar a ele uma parte do que ele quer. E em troca, ele vai me deixar em paz. Mas ele disse que a dívida nunca vai desaparecer completamente. E ele disse que, se algum dia eu me envolver com algo que ele considere… valioso… ele vai reivindicar. E ele disse que… que você, com a sua fama e o seu talento, pode ser algo valioso.”

Marina o olhou, chocada. “Você está dizendo que ele quer… que ele me quer em troca da dívida?”

“Não exatamente em troca, Marina. Mas ele deixou claro que… que você é importante para mim. E que ele pode usar isso contra mim no futuro. Ele me deu um ultimato: ou eu pago a ele o restante da dívida em um prazo maior, mas com juros altíssimos, o que me arruinaria financeiramente, ou… eu preciso me comprometer com ele de alguma forma. E ele disse que você poderia ser essa forma.”

A voz de Pedro falhava a cada palavra. Ele estava escolhendo entre a ruína financeira e a incerteza de ser usado como moeda de troca por Victor Montenegro.

Marina sentiu um nó na garganta. A imagem de sua mãe, a dor que ela sentira, o sofrimento que o amor de Pedro havia causado, tudo se misturou em um turbilhão de desespero. Ela não podia mais permitir que a vida de Pedro fosse arruinada por causa dela. Ela não podia mais permitir que a dor do passado os consumisse.

“Pedro… eu não posso deixar que isso aconteça”, disse Marina, a voz firme, apesar das lágrimas. “Eu não posso deixar que você se arruíne por minha causa. Nem que você se comprometa com aquele homem.” Ela respirou fundo. “Eu vou te ajudar. Eu tenho um dinheiro guardado, das minhas últimas exposições. Não é tudo, mas é um começo. E eu posso vender mais quadros. Eu posso pintar mais. Eu posso fazer o que for preciso.”

Pedro a olhou com desespero. “Marina, você não entende. Ele não quer apenas dinheiro. Ele quer controle. Ele quer poder.”

“Então nós vamos lutar juntos, Pedro”, disse Marina, com uma determinação renovada. “Nós vamos lutar contra ele. Nós não vamos deixar que ele nos destrua. Nós vamos encontrar uma maneira. Juntos.”

Ela o olhou nos olhos, o amor e a coragem brilhando em sua voz. A escolha era dolorosa, incerta, mas ela sabia que não podia fugir. Ela estava com Pedro, e eles enfrentariam o fantasma do passado juntos, custasse o que custasse.

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