Voltar a te Amar II

Voltar a Te Amar II

por Isabela Santos

Voltar a Te Amar II Romance Romântico Autor: Isabela Santos

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Capítulo 1 — A Sombra do Passado em Ipanema

O sol da tarde beijava as areias de Ipanema com a mesma melancolia de sempre. Um sol que, para Sofia, era um lembrete constante de um tempo que se fora, um tempo em que a vida parecia um mar de possibilidades azuis e transparentes, tal qual as águas que agora lhes lambiam os pés. Sentada em um dos bancos da mureta, Sofia observava o movimento. Casais de mãos dadas, famílias rindo, jovens jogando vôlei com a energia que a vida, em sua crueldade, parecia ter roubado dela. Dez anos. Dez anos desde que o mundo de Sofia desmoronou, em um turbilhão de mentiras e dor, empurrado pelas costas por ele. Rodrigo. O nome ecoava em sua mente como um sino fúnebre, cada til, cada vogal, um golpe a mais em seu coração já ferido.

Ela apertou os braços em torno de si, o tecido leve do seu vestido de verão parecendo insuficiente para protegê-la do vento que trazia o cheiro salgado do mar e, infelizmente, o fantasma de lembranças que ela tanto tentava afogar. Sofia se tornara uma mulher forte, resiliente. A dor a moldara, a transformara em uma escultora de si mesma, lapidando cada aresta até que a superfície fosse lisa e polida, incapaz de revelar as fissuras internas. Era a arquiteta de uma vida admirável em São Paulo, uma mulher de negócios bem-sucedida, com um apartamento elegante e uma reputação impecável. Mas aqui, em sua cidade natal, a armadura parecia menos eficaz.

Um sorriso melancólico brincou em seus lábios. Ela se lembrava de como costumavam sentar ali, nos fins de tarde, dividindo um açaí, ele com o cabelo revolto pelo vento, os olhos verdes faiscando de promessas. Promessas que, agora, ela sabia, eram tão efêmeras quanto a espuma das ondas. A traição o corroera, transformara o homem que ela amava em um estranho, um algoz. Ela se levantara de repente, como se a areia sob seus pés estivesse se tornando quente demais. Precisava de ar, de um refúgio da memória que Ipanema, com sua beleza avassaladora, parecia conspirar para reavivar.

Enquanto caminhava pela orla, o burburinho da cidade a envolvia, um contraponto à sua solidão interna. Ela passou pela livraria que costumava frequentar, pela sorveteria onde dividiram o primeiro beijo. Cada esquina, cada loja, era um gatilho. Sofia acelerou o passo, buscando o anonimato da multidão que se dirigia ao Arpoador para ver o pôr do sol. A vista era espetacular, um espetáculo de cores que pintava o céu de tons de laranja, rosa e roxo. Pessoas aplaudiam, um ritual coletivo que parecia celebrar a beleza efêmera do dia. Sofia, no entanto, sentia um vazio, uma incapacidade de se conectar com a alegria alheia.

Ela se afastou da multidão, encontrando um ponto mais isolado em meio às pedras. O mar batia com força, as ondas se quebrando em espuma branca contra o rochedo. Era um som poderoso, primal, que a lembrava de sua própria força interior. Ela fechou os olhos por um instante, inspirando profundamente. Quando os abriu novamente, seu olhar pousou em uma figura que se aproximava, uma figura que congelou o sangue em suas veias. O cabelo escuro, a postura altiva, o sorriso que ela jurava que nunca mais veria. Rodrigo.

Ele estava ali, a poucos metros de distância, conversando animadamente com um grupo de amigos. A mesma camisa branca desabotoada que ela tanto amava, a mesma pele bronzeada pelo sol. Por um instante, Sofia pensou que estava alucinando, que o sol e a saudade haviam pregado uma peça cruel em sua mente. Mas ele virou o rosto na direção dela, e seus olhos, aqueles mesmos olhos verdes que outrora haviam sido o espelho de seu amor, agora a fitavam com uma mistura de surpresa e algo que parecia... reconhecimento. Um reconhecimento que ela não desejava, um reconhecimento que a fez sentir um arrepio na espinha.

Seu coração disparou, um tambor desgovernado em seu peito. A calma que ela tanto lutara para construir se esfacelava em mil pedões. Ela queria fugir, desaparecer, se misturar à paisagem rochosa e sumir. Mas suas pernas pareciam pregadas ao chão. Ele começou a se aproximar, o grupo de amigos se dispersando com um aceno. Cada passo dele era um golpe no silêncio que se instalara em sua mente.

"Sofia?", a voz dele soou, um timbre que ela reconheceria em qualquer lugar, mesmo que estivesse obscurecido pelo tempo e pela dor. Era a mesma voz que a sussurrara promessas de amor eterno, a mesma voz que, depois, a ferira com verdades cruéis.

Ela engoliu em seco, tentando controlar a trepidação em sua voz. "Rodrigo." O nome saiu como um sussurro, carregado de tudo o que ela sentia: surpresa, raiva, e uma pontada de algo que ela se recusava a admitir, uma antiga afeição que teimava em sobreviver às cinzas.

Ele parou a poucos metros dela, um sorriso hesitante brincando em seus lábios. "É você mesmo. Não acredito. Sofia, você está... deslumbrante." A admiração em seus olhos era palpável, e isso a incomodava mais do que qualquer insulto. Ele não tinha o direito de vê-la bonita.

"O que você está fazendo aqui, Rodrigo?", ela perguntou, tentando manter a voz firme, um tom que não revelasse o turbilhão que a consumia por dentro.

Ele deu de ombros, um gesto que ela conhecia bem, um gesto que tantas vezes significara desinteresse, evasão. "Estou passando uns dias no Rio. Resolvi vir dar uma volta. Quem diria que a vida nos traria de volta ao mesmo lugar, no mesmo momento."

O sarcasmo em sua voz era sutil, mas Sofia o captou. A vida, sim. A vida era uma ironia cruel. Ela se virou de costas para ele, encarando o mar agitado. "A vida tem seus jeitos de nos pregar peças."

"Peças?", ele repetiu, aproximando-se mais um pouco. "Ou talvez seja um convite? Um convite para... resgatar algo que foi deixado para trás?"

Sofia riu, um riso amargo e sem alegria. "Resgatar? Rodrigo, você não resgata o que destruiu. Você apenas vive com as ruínas." Ela sentiu o olhar dele nas suas costas, um olhar que parecia penetrar sua alma.

Ele permaneceu em silêncio por alguns instantes, o som das ondas preenchendo o vazio. Quando falou, sua voz estava mais baixa, mais grave. "Talvez você esteja certa. Mas também acredito que, às vezes, as ruínas podem ser reconstruídas. Com materiais diferentes, com um novo projeto, mas ainda assim, uma estrutura sólida."

Sofia se virou para encará-lo, o coração acelerado. Aquele jogo de palavras, aquela sugestão sutil, a perturbavam. Ele ainda era o mesmo manipulador de palavras, o mesmo homem capaz de distorcer a realidade com um sorriso. "Não vejo sentido nessa conversa, Rodrigo. Eu tenho que ir."

Ela deu um passo para se afastar, mas ele estendeu a mão, sem tocá-la, apenas o gesto no ar. "Sofia, espere. Por favor. Podemos... podemos pelo menos conversar? Não como antes, mas como adultos. Sem rancor. Apenas... um café. Um reencontro casual."

Um reencontro casual. A ideia a fez engasgar. Casual? Nada em sua relação com Rodrigo fora jamais casual. Fora paixão avassaladora, devoção cega, e, no final, traição devastadora. "Não há nada para conversar, Rodrigo."

"Há sim", ele insistiu, o olhar fixo no dela. Havia algo em seus olhos que a desarmava, um brilho que ela se lembrava ter sido o reflexo de seu próprio amor. "E eu acho que você sabe disso." Ele deu um passo à frente, invadindo o espaço que ela tentava manter. "Um café. Amanhã. No mesmo lugar de sempre, perto do Leblon. Dez horas."

Sofia sentiu um arrepio. O mesmo lugar. A mesma hora. Era como se ele estivesse revivendo um fantasma, chamando-a de volta para um passado que ela jurara ter enterrado. Ela o encarou, a decisão pesando em sua mente. A prudência gritava para que ela fugisse, para que ignorasse aquele encontro e voltasse para a segurança de sua vida em São Paulo. Mas uma parte dela, uma parte teimosa e curiosa, a impelia a aceitar. A parte que queria entender. A parte que, apesar de tudo, ainda se perguntava o que teria acontecido se tudo fosse diferente.

"Eu não prometo nada, Rodrigo", ela disse, a voz controlada, mas com um tom de desafio.

Um sorriso lento se espalhou pelo rosto dele, um sorriso que, por um instante, pareceu genuíno. "Eu sei. Mas você vai. Eu a conheço." Ele deu um passo para trás, permitindo que ela se afastasse. "Até amanhã, Sofia."

Sofia não respondeu. Ela apenas se virou e começou a caminhar de volta para casa, o coração ainda martelando, a sombra do passado projetada de forma assustadora sobre a beleza imponente de Ipanema. O pôr do sol, outrora um espetáculo de cores, agora parecia apenas um prenúncio de uma tempestade que se aproximava.

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