Voltar a te Amar II
Com certeza! Preparei os próximos capítulos de "Voltar a Te Amar II" com todo o drama, paixão e a alma do Brasil que você pediu.
por Isabela Santos
Com certeza! Preparei os próximos capítulos de "Voltar a Te Amar II" com todo o drama, paixão e a alma do Brasil que você pediu.
---
Voltar a te Amar II Romance Romântico Autor: Isabela Santos
Capítulo 11 — O Sussurro da Traição no Jardins
O ar rarefeito e perfumado dos Jardins, em São Paulo, parecia carregar os segredos mais bem guardados da alta sociedade. Era ali, entre os muros elegantes de mansões e os aromas exalados das floriculturas importadas, que Clara se sentia, ironicamente, mais exposta. A cidade grande, com seu burburinho incessante, podia ser um véu poderoso para muitas verdades, mas para ela, que buscava a cura para as feridas recentes, parecia amplificar cada dor, cada incerteza.
Sentada à mesa de um café charmoso na Rua Oscar Freire, o vapor do seu cappuccino dançando preguiçosamente no ar, Clara tentava recompor os pedaços de sua alma. A notícia de que Leonardo estava de volta, e pior, que ele se casaria com Mariana, a sua antiga amiga, havia sido como um golpe de misericórdia. A dor da separação era uma ferida aberta, mas a possibilidade de Leonardo encontrar um novo amor, especialmente com alguém tão próxima, era um tipo de traição que ela não sabia se conseguiria suportar.
Seus olhos percorriam distraidamente a vitrine de uma joalheria luxuosa, os diamantes cintilando em um convite silencioso à felicidade que lhe parecia tão distante. Ela lembrou-se de um pequeno pingente de ouro que Leonardo lhe dera em seu primeiro aniversário juntos. Um símbolo singelo, mas que carregava o peso de promessas sussurradas sob o céu estrelado do Rio. Onde estaria aquele pingente agora? Provavelmente esquecido em alguma gaveta, um fantasma de um amor que já não existia.
De repente, uma voz familiar a tirou de seus devaneios.
"Clara? É você mesmo?"
Era Sofia, sua antiga colega da faculdade de artes, agora uma renomada galerista de arte. Os cabelos ruivos e o sorriso aberto denunciavam a mesma energia vibrante de sempre.
"Sofia! Que surpresa maravilhosa!", exclamou Clara, tentando disfarçar o abalo da interrupção. "Não sabia que você ainda vinha para cá."
"Ah, os Jardins têm seu encanto, não é? E eu adoro esse lugar para fugir um pouco da loucura do centro", respondeu Sofia, sentando-se à mesa sem ser convidada, mas com uma naturalidade que Clara não pôde reprovar. "Mas diga-me, o que traz uma das minhas alunas preferidas para a capital paulista? E, pelo seu semblante, não parece ser apenas turismo."
Clara hesitou por um instante. A presença de Sofia, com sua perspicácia aguçada, era ao mesmo tempo reconfortante e intimidante.
"Eu... eu vim resolver algumas coisas", respondeu Clara, escolhendo as palavras com cuidado. "Assuntos pessoais."
Sofia a olhou com uma intensidade que parecia penetrar a sua alma. "Assuntos pessoais que envolvem um certo homem de olhos verdes que costumava te fazer suspirar?"
O coração de Clara deu um salto doloroso. Como Sofia sabia? A notícia de Leonardo e Mariana havia se espalhado tão rápido?
"Eu... não sei do que você está falando", mentiu Clara, sentindo o rosto corar.
Sofia deu um sorriso compreensivo. "Clara, nós nos conhecemos há anos. Eu vi a forma como você olhava para ele. E eu vi a dor nos seus olhos quando ele partiu. A cidade grande é um caldeirão de fofocas, e o nome de Leonardo e Mariana tem sido bastante comentado nas rodas certas."
A confissão de Sofia foi como um sopro frio no rosto de Clara. A realidade, por mais dura que fosse, estava se impondo.
"Eles vão se casar?", perguntou Clara, a voz embargada.
Sofia suspirou. "Ouvi rumores fortes. Mariana anda contando para todo mundo que encontrou o amor da sua vida. E, para ser honesta, Leonardo parece estar feliz com ela. Ou pelo menos, ele se esforça para parecer."
Essa última frase de Sofia acendeu uma pequena faísca de esperança em Clara. "Ele se esforça para parecer feliz? O que isso quer dizer?"
"Não sei ao certo. Talvez seja apenas a pressão social, a necessidade de seguir em frente, de construir uma nova imagem", explicou Sofia. "Mas às vezes, nos olhos dele, eu vejo um lampejo de algo… um vazio, talvez. Algo que não se encaixa na imagem do homem apaixonado que ele quer que o mundo veja."
Clara se inclinou para frente, o interesse em seus olhos substituindo momentaneamente a dor. "Você o viu recentemente? Onde?"
"Sim, há algumas semanas. Em um evento de caridade aqui nos Jardins. Mariana estava ao lado dele, radiante. Mas ele… ele parecia distante. Trocamos algumas palavras. Ele perguntou sobre você."
Um arrepio percorreu a espinha de Clara. Leonardo perguntara sobre ela?
"E o que você disse?", perguntou Clara, ansiosa.
"Fui diplomática, é claro. Disse que você estava bem, seguindo sua vida. Mas ele parecia… interessado. Curioso. Como se algo ainda o prendesse a você." Sofia deu um gole no seu café. "Clara, eu não quero te dar falsas esperanças, mas às vezes, as aparências enganam. E o que eu vi naquele evento… não foi o retrato de um homem completamente resolvido com o seu futuro."
As palavras de Sofia ressoavam na mente de Clara. A ideia de que Leonardo pudesse ainda sentir algo por ela, mesmo noivo de Mariana, era um convite perigoso para a esperança. Mas era a esperança que ela mais precisava.
"Sofia, eu preciso entender. Preciso saber a verdade. Não posso viver mais na incerteza", confessou Clara, a determinação crescendo em seu peito. "Você sabe onde eles estão hospedados aqui em São Paulo? Ou onde Mariana costuma frequentar?"
Sofia a olhou com seriedade. "Clara, você tem certeza disso? Voltar a se envolver com a vida dele, especialmente agora, pode ser doloroso. Mariana é… uma pessoa difícil de lidar."
"Eu sei. Mas a dor de não saber é ainda maior. Eu preciso de um fechamento, Sofia. Ou de uma nova chance. Se Leonardo realmente…", ela parou, buscando as palavras. "Se ele ainda sente algo, eu preciso saber. E se ele está prestes a cometer um erro, talvez eu possa impedi-lo."
Sofia ponderou por um momento, seus olhos verdes fixos nos de Clara. "Mariana costuma ir a um clube exclusivo na região dos Jardins. O 'Le Jardin Privé'. É um lugar discreto, frequentado pela elite. E dizem que Leonardo a acompanha em algumas ocasiões. Se você quer respostas, talvez seja lá que você deva procurar."
Clara sentiu um misto de apreensão e excitação. O Le Jardin Privé. Um clube fechado, onde a elite se reunia para discutir negócios, fofocar e, talvez, trair. Era o cenário perfeito para um confronto, para uma revelação.
"Obrigada, Sofia", disse Clara, a voz firme. "Por tudo. Você sempre soube como ler a minha alma."
"E você, minha querida, sempre soube como se meter nas maiores confusões amorosas", respondeu Sofia com um sorriso. "Mas desta vez, desejo que você encontre a paz que procura. Seja qual for ela."
Enquanto Sofia se despedia, Clara permaneceu sentada, o café esquecido. A imagem do Le Jardin Privé se formou em sua mente, um palco para o reencontro que ela tanto temia quanto desejava. A traição sussurrada nos Jardins havia se tornado uma sombra palpável, e ela precisava enfrentá-la. A esperança, por mais frágil que fosse, a impulsionava. Leonardo perguntara por ela. Aquilo era suficiente para que ela arriscasse tudo novamente. A noite cairia sobre São Paulo, e com ela, viria a coragem para desvendar os segredos que pairavam no ar perfumado da cidade.