Voltar a te Amar II

Capítulo 13 — A Declaração Sob o Céu de São Paulo

por Isabela Santos

Capítulo 13 — A Declaração Sob o Céu de São Paulo

O olhar de Leonardo era um pedido mudo, uma súplica que Clara não conseguia ignorar. Apesar do ambiente carregado de olhares curiosos e da presença iminente de Mariana, ela sentiu a necessidade visceral de confrontar o homem que ainda habitava seus sonhos e suas dores. O silêncio entre eles era ensurdecedor, pontuado apenas pelo murmúrio das conversas e pela melodia distante do quarteto de cordas.

"Eu… eu preciso de um momento", disse Clara, a voz mal saindo. Ela olhou na direção de Mariana, que a observava com uma mistura de fúria e incredulidade. "Mariana, espero que entenda."

Mariana, sem dizer uma palavra, apenas a encarou com um olhar que prometia vingança. Clara sentiu um calafrio, mas manteve a compostura. Ela sabia que estava pisando em terreno perigoso, mas a verdade, por mais dolorosa que fosse, era o único caminho.

Leonardo estendeu a mão para ela, um gesto hesitante, quase como se estivesse com medo de tocar em algo frágil. "Vamos lá fora. Precisamos de ar."

Clara assentiu. Juntos, eles se afastaram do salão principal, atravessando um corredor suntuoso que levava a uma varanda com vista para o cintilante horizonte de São Paulo. O ar noturno era fresco e carregava o cheiro da cidade. O barulho do trânsito parecia distante, abafado pela altura.

Permaneceram em silêncio por alguns instantes, absorvendo a paisagem urbana. Era uma beleza fria e imponente, tão diferente da exuberância tropical do Rio de Janeiro.

"Você… você não deveria estar aqui, Clara", disse Leonardo, a voz baixa, quase um sussurro. "É perigoso para você."

"Perigoso? Mais perigoso do que viver na incerteza, Leonardo?", Clara o encarou, a dor e a frustração transbordando. "Você vai se casar. Com Mariana. E eu… eu estou aqui, descobrindo tudo por acaso, em um clube de gente que me conhece do passado. Você acha que isso não é perigoso para a minha alma?"

Leonardo suspirou, passando a mão pelos cabelos. "Eu sei que a situação é… complicada. Mas as coisas não são o que parecem."

"E o que são, então, Leonardo?", a voz de Clara estava embargada. "Porque, do meu ponto de vista, é um casamento arranjado. Você, o homem de ouro, a noiva ambiciosa. Apenas mais um contrato social disfarçado de amor."

A acusação atingiu Leonardo como um golpe. Ele a encarou, seus olhos verdes faiscando com uma mistura de raiva e desespero.

"Você realmente acha isso de mim, Clara?", perguntou ele, a voz carregada de mágoa. "Que eu seria capaz de… de fazer isso? De jogar fora o que tivemos por nada?"

"E o que mais eu deveria pensar, Leonardo? Você sumiu. Se afastou sem uma explicação. E agora, você está prestes a se casar com outra mulher. Que explicação você me daria, além dessa?", Clara sentiu as lágrimas se acumularem em seus olhos, mas se recusou a chorar.

"Eu não sumi, Clara. Eu me afastei porque não conseguia mais suportar a dor", disse Leonardo, a voz embargada. "A dor de te ter perdido. A dor de saber que eu te machuquei tanto. Eu precisava de tempo. Tempo para tentar entender o que tinha acontecido, o que eu tinha feito."

Ele se aproximou um passo, seus olhos fixos nos dela. "E eu nunca deixei de te amar, Clara. Nunca."

Aquelas palavras, tão esperadas, tão temidas, ecoaram na noite. O ar pareceu rarefeito. Clara o encarou, incapaz de acreditar completamente.

"Não minta para mim, Leonardo", sussurrou ela. "Por favor. Não me iluda mais."

"Eu não estou mentindo", disse ele, a voz firme agora. "Eu fui um idiota. Um covarde. Eu não soube lidar com a pressão, com as expectativas. Eu te amava mais do que tudo, e o medo de não ser bom o suficiente, de te decepcionar, me fez recuar. E naquele momento de fraqueza, Mariana… ela estava lá. Ela ofereceu uma saída. Uma armadilha, eu sei agora."

Ele segurou as mãos de Clara com firmeza. "Eu me deixei levar. Achando que poderia esquecer você, que poderia seguir em frente. Mas cada dia, cada momento, eu me lembrava de você. Do seu sorriso, da sua música, do seu abraço. E quando eu a vi hoje… Clara, foi como se o mundo parasse. Eu percebi o quanto eu te amo, o quanto eu a quero de volta."

Clara sentiu as lágrimas rolarem livremente agora. A confissão de Leonardo, a intensidade em seus olhos, a verdade em sua voz… tudo isso era avassalador.

"Mas… e Mariana?", perguntou ela, a voz falhando. "Ela te ama. Ela está esperando um filho seu, não está?"

Leonardo hesitou por um instante, a dor evidente em seu rosto. "Não, Clara. Ela não está esperando um filho meu. Isso foi uma mentira. Uma mentira para me prender, para garantir que eu não voltasse para você."

A revelação atingiu Clara com a força de um raio. Uma mentira. Tudo aquilo, a pressão, o noivado, a aparente felicidade de Mariana… era tudo uma farsa.

"Como… como isso é possível?", gaguejou Clara.

"Mariana sempre foi ambiciosa. Ela sabia do nosso amor, e ela queria me ter. Quando soube que eu estava voltando para o Rio, ela inventou essa história. Eu… eu acreditei nela. Estava tão desesperado para encontrar uma solução para o meu dilema que não pensei com clareza", explicou Leonardo. "Mas agora eu vejo. Eu vejo o quão manipuladora ela é. E o quanto eu me enganei."

Ele apertou as mãos de Clara. "Clara, eu sei que te magoei. Que te fiz sofrer. Mas por favor, me dê uma chance. Uma chance de provar que eu ainda te amo. Uma chance de consertar tudo."

Clara olhou para ele, seu coração batendo forte em seu peito. Aquele era o momento que ela tanto temia e desejava. A oportunidade de reescrever a história. Mas o passado, com suas cicatrizes profundas, ainda a assombrava.

"Eu não sei, Leonardo", sussurrou ela. "Você me machucou tanto. Como posso confiar em você novamente?"

"Eu sei que é difícil", disse ele, seus olhos verdes implorando. "Mas eu nunca deixei de te amar. E eu nunca amarei outra mulher como amei você. Me dê um sinal. Um motivo para acreditar que ainda há esperança para nós."

O céu de São Paulo, antes apenas um pano de fundo, agora parecia refletir a tempestade em seus corações. As luzes da cidade cintilavam, testemunhas silenciosas de uma declaração de amor que poderia mudar o curso de suas vidas. Clara sentiu a urgência do momento, a possibilidade de um novo começo, mas também o medo de se ferir novamente.

Ela olhou nos olhos de Leonardo, buscando a verdade. E ele, com toda a sua alma exposta, aguardava a sua resposta. O amor, com sua força avassaladora, havia retornado para cobrar seu preço, e Clara sabia que, qualquer que fosse a sua decisão, o seu futuro estava irrevocavelmente entrelaçado ao dele.

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