Voltar a te Amar II

Capítulo 14 — A Fúria de Mariana no Le Jardin Privé

por Isabela Santos

Capítulo 14 — A Fúria de Mariana no Le Jardin Privé

O impacto das palavras de Leonardo pairava no ar como uma nuvem de tempestade iminente. Clara, embrenhada naquele turbilhão de emoções, sentia o peso da decisão que tinha pela frente. A confissão de Leonardo, a revelação da mentira de Mariana, tudo isso desmantelava a realidade que ela vinha tentando aceitar. Mas a confiança, como um vaso quebrado, dificilmente se recompõe.

"Eu preciso de tempo, Leonardo", disse Clara, a voz embargada. "Tempo para pensar. Para processar tudo isso."

Leonardo assentiu, compreensivo. "Eu entendo. Mas por favor, não me rejeite de vez. Eu te amo, Clara. E eu quero você de volta. Mais do que tudo."

Ele a soltou, mas seus olhos verdes permaneceram fixos nos dela, um elo silencioso que transcendia a distância física. Clara sentiu um misto de alívio e apreensão. A porta para uma nova chance havia sido aberta, mas o caminho à frente era incerto.

Enquanto eles se afastavam da varanda, de volta ao salão principal do Le Jardin Privé, a atmosfera parecia ter mudado. Os olhares curiosos agora eram mais intensos, as conversas cochichadas mais audíveis. Clara sentiu o peso dos olhares de Mariana sobre ela.

Ao retornarem para a mesa onde Dona Cecília e outros convidados conversavam, a tensão era palpável. Mariana estava sentada ao lado de Leonardo, mas a distância entre eles era um abismo. Seus olhos ardiam de fúria contida, e seu sorriso forçado não conseguia disfarçar a raiva.

"Ora, ora, o que temos aqui?", disse Mariana, com uma voz que soava doce, mas carregada de veneno. "Parece que o Leonardo se perdeu em pensamentos. Ou será que ele encontrou algo mais interessante para pensar do que a sua noiva?"

Leonardo ignorou a provocação, seu olhar fixo em Clara. Dona Cecília, percebendo o clima pesado, tentou intervir.

"Querida Mariana, que bom que voltaram. Estávamos justamente falando sobre o nosso próximo evento de caridade. Acredito que Clara, com seu talento artístico, poderia nos dar uma grande ajuda."

A sugestão de Dona Cecília, embora bem intencionada, apenas adicionou lenha à fogueira. Mariana riu, um som agudo e desagradável.

"Clara? Ajudar em um evento de caridade? Duvido muito. Ela sempre foi muito egoísta. Só pensa em si mesma." As palavras de Mariana foram proferidas com uma frieza calculada, direcionadas a Clara, mas visíveis a todos.

Clara sentiu o sangue ferver. "Mariana, você não tem o direito de falar assim de mim. Especialmente depois de tudo que descobri sobre você."

Mariana levantou-se abruptamente, o rosto corado de raiva. "Descobriu o quê, sua… sua interesseira? Que Leonardo me ama e que você nunca será nada para ele?"

A plateia se calou. Todos os olhares convergiram para a cena. Leonardo tentou intervir, mas Mariana o empurrou para o lado.

"Você não se atreva a me interromper, Leonardo!", gritou ela, a voz carregada de histeria. "Você é meu! E essa daí… essa aí é apenas uma intrusa que quer roubar o que é meu!"

Ela se virou para Clara, os olhos faiscando. "Você acha que pode vir aqui e roubar o meu noivo? Acha que pode me humilhar? Eu vou te destruir, Clara! Você não tem ideia com quem está lidando."

Clara, embora abalada, manteve a calma. Ela sabia que a reação de Mariana era a prova definitiva de sua falsidade. "Mariana, a única coisa que eu quero é a minha paz. E a sua mentira, a sua manipulação, está impedindo isso."

"Mentira? Manipulação?", Mariana riu histericamente. "Quem está mentindo aqui é você! Você sempre foi invejosa, sempre quis o que eu tinha! E agora, você tenta destruir a minha felicidade!"

De repente, Leonardo se colocou entre as duas mulheres. "Mariana, chega! Você está passando dos limites."

"Passando dos limites?", Mariana cuspiu as palavras. "Você está me traindo na minha cara! Com ela! Depois de tudo que eu fiz por você!"

"Você não fez nada por mim, Mariana! Você me enganou!", gritou Leonardo, a paciência esgotada. "Você mentiu sobre a gravidez! Você me forçou a isso!"

A confissão de Leonardo ecoou pelo salão, deixando todos em estado de choque. Mariana empalideceu, a raiva substituída por um pânico repentino.

"Você… você não pode fazer isso comigo!", gaguejou ela, o olhar fixo em Leonardo. "Você está louco!"

Leonardo a encarou, a determinação brilhando em seus olhos. "Eu estou sóbrio, Mariana. E estou finalmente vendo a verdade. Eu não vou me casar com você. E eu quero que você saia da minha vida, para sempre."

Ele se virou para Clara, a raiva se dissipando, substituída por um amor reconfortante. "Clara, me desculpe por tudo isso. Eu não queria que você visse essa cena. Mas agora você sabe. A verdade está exposta."

Mariana, derrotada e humilhada, soltou um grito de raiva e saiu correndo do salão, os soluços ecoando pelo corredor. Dona Cecília, visivelmente abalada, tentou acalmar os ânimos.

"Queridos, talvez seja melhor…", começou ela.

Mas Leonardo a interrompeu. "Não, Dona Cecília. Clara e eu precisamos conversar. Sozinhos."

Ele pegou a mão de Clara e a guiou para fora do Le Jardin Privé, deixando para trás o escândalo e os olhares curiosos. A noite, que começou com incertezas e medos, terminava com uma verdade exposta e uma porta aberta para um futuro incerto.

Caminharam em silêncio pelas ruas iluminadas de São Paulo. A adrenalina da confrontação começava a diminuir, dando lugar a uma reflexão profunda. Clara sentiu o peso da mão de Leonardo na sua, um contato que antes a assustava, mas que agora trazia um conforto inesperado.

"Eu… eu não esperava por isso", disse Clara, quebrando o silêncio.

"Eu sei", respondeu Leonardo, apertando a mão dela. "Eu também não esperava. Mas a verdade é que eu não podia mais fingir. Não podia mais viver uma mentira ao seu lado."

"Você me ama, Leonardo?", perguntou Clara, a voz embargada. Era a pergunta que pairava em sua mente desde que o vira.

"Mais do que a minha própria vida, Clara", respondeu ele, parando e a encarando. "Eu cometi erros terríveis. Te machuquei profundamente. Mas eu nunca deixei de te amar. E hoje, mais do que nunca, eu sei que é você que eu quero. É com você que eu quero construir o meu futuro."

Ele a puxou para um abraço apertado, um abraço que parecia carregar todas as dores, todas as saudades, todas as esperanças. Clara se permitiu sentir a força dele, o calor dele, o amor dele.

"Eu não sei se consigo te perdoar completamente, Leonardo", sussurrou ela contra o peito dele. "As cicatrizes são profundas."

"Eu sei", disse ele, acariciando seus cabelos. "Mas eu vou fazer de tudo para curá-las. Vou te mostrar que você pode confiar em mim novamente. Que o nosso amor é mais forte do que qualquer obstáculo."

O céu de São Paulo, antes tão impenetrável, agora parecia mais acolhedor. As luzes da cidade, que antes pareciam frias e distantes, agora brilhavam com uma promessa de esperança. A fúria de Mariana no Le Jardin Privé havia, ironicamente, liberado o caminho para que Clara e Leonardo pudessem, finalmente, ter uma chance de se redescobrir. A noite era longa, e as conversas que viriam seriam difíceis, mas pela primeira vez em muito tempo, Clara sentiu que a esperança não era apenas um sonho distante, mas uma possibilidade real.

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