Voltar a te Amar II

Capítulo 4 — A Sedução da Familiaridade em Santa Teresa

por Isabela Santos

Capítulo 4 — A Sedução da Familiaridade em Santa Teresa

Os dias seguintes foram preenchidos por um jogo perigoso de aproximação e recuo. Sofia e Rodrigo se encontravam com uma frequência surpreendente, impulsionados por uma força magnética que nenhum dos dois conseguia explicar totalmente. Eram encontros casuais, planejados com a desculpa de "conversar mais", mas que rapidamente se transformavam em mergulhos profundos em um passado que, embora doloroso, ainda guardava a chama de um amor intenso.

Em uma tarde de sexta-feira, Rodrigo a convidou para um passeio por Santa Teresa, o charmoso bairro histórico de casas coloridas e ladeiras sinuosas. Ele a apresentou a um pequeno ateliê de arte local, onde ele costumava passar horas observando os artistas trabalharem. O lugar era vibrante, repleto de quadros e esculturas que contavam histórias, um reflexo da alma criativa da cidade.

"Eu sempre amei vir aqui", Rodrigo disse, seus olhos verdes percorrendo as obras com admiração. "Me faz lembrar de quando a gente costumava passar horas no seu ateliê, lembra? Você pintando, eu te observando."

Sofia sentiu um aperto no peito. A lembrança era vívida. Ela, com os dedos sujos de tinta, o cabelo preso em um coque desajeitado, a concentração absoluta em sua tela. Ele, sentado em um canto, a observando com um sorriso cúmplice, o olhar repleto de admiração. Era uma imagem de felicidade pura, anterior à tempestade que os atingira.

"Lembro", ela respondeu, a voz suave. "Você dizia que eu pintava com a alma."

Ele se virou para ela, um sorriso melancólico nos lábios. "E você pintava. Tinha uma força em você que me inspirava. E me assustava, talvez."

"Assustava?", Sofia franziu a testa. "Por quê?"

"Porque você era tão segura de si, tão determinada. E eu... eu me sentia tão à deriva. Tão incerto. E eu acho que, por isso, eu a afastei." Ele pegou uma pequena escultura de cerâmica, um pássaro com as asas abertas. "Olha essa beleza. Ela parece tão livre. E ao mesmo tempo, tão conectada à terra."

Sofia observou a escultura. Havia algo nela que a lembrava de si mesma. Livre em seus sonhos e aspirações, mas presa às raízes de suas mágoas.

"Eu não sei se sou mais livre, Rodrigo", ela confessou. "Talvez eu só tenha aprendido a voar com correntes mais pesadas."

Ele se aproximou dela, segurando a escultura. "Mas você ainda voa, Sofia. E isso é o que importa." Ele colocou a escultura na mão dela. "Essa é para você. Um lembrete de que a sua alma é livre, e que você tem a força para superar qualquer coisa."

Sofia aceitou o presente, o toque frio da cerâmica em sua pele. Era um gesto simples, mas carregado de significado. Ele estava se esforçando para mostrar que havia mudado, que se lembrava da mulher que ela era, da mulher que ele amou.

Saíram do ateliê e caminharam pelas ruas de paralelepípedos de Santa Teresa. O sol da tarde banhava as construções coloniais em tons dourados, criando uma atmosfera mágica. Eles pararam no famoso bondinho, o som metálico do trilho ecoando pelas ladeiras.

"Lembra da gente pegando o bondinho?", Rodrigo perguntou, o olhar perdido no passado. "Subíamos até o Largo dos Guimarães, comprávamos pão de queijo e víamos o pôr do sol."

"Lembro", Sofia sorriu, uma memória agridoce. "Você sempre dizia que aquele era o nosso lugar secreto."

"E era. Era o lugar onde eu me sentia mais eu mesmo. Com você." Ele a olhou, a intensidade em seus olhos a fazendo sentir um arrepio. "E eu sinto que posso ser eu mesmo de novo, com você."

A proximidade dele, a familiaridade de seus gestos, o eco de suas antigas promessas, tudo isso a envolvia como um abraço quente. Era perigoso, ela sabia. Ela estava se deixando levar pela sedução da familiaridade, pela promessa de um amor que parecia ter sobrevivido às cinzas.

Ao anoitecer, eles foram a um pequeno restaurante com vista para a cidade. A vista era deslumbrante, as luzes do Rio cintilando como um mar de estrelas. Eles pediram vinho e compartilharam um prato de petiscos, as conversas fluindo com uma facilidade surpreendente.

"Eu sinto falta disso", Sofia confessou, olhando para as luzes. "Dessa cumplicidade. Dessa leveza."

"E eu sinto falta de você", Rodrigo respondeu, sua voz baixa e sincera. "Da sua risada. Do seu jeito de ver o mundo. De tudo." Ele estendeu a mão sobre a mesa, cobrindo a dela. "Sofia, eu sei que não posso te pedir para esquecer o que aconteceu. Mas eu te peço para olhar para o futuro. Para nós. Para a possibilidade de um novo começo."

Sofia olhou para a mão dele, a mão que outrora lhe trouxera dor e agora lhe estendia uma oferta de esperança. Ela não sabia se podia confiar nele. A cicatriz da traição ainda era profunda. Mas ela também não podia negar a atração que sentia, a familiaridade que a confortava, a promessa de um amor que, por mais ferido que estivesse, ainda pulsava em seu peito.

"Eu não sei se estou pronta, Rodrigo", ela disse, a voz embargada.

"Não precisa estar pronta", ele sussurrou, apertando sua mão. "Apenas me deixe tentar. Apenas me deixe te mostrar que é possível."

Naquela noite, sob o manto estrelado do Rio de Janeiro, Sofia se permitiu um momento de vulnerabilidade. Ela não prometeu nada, mas também não se afastou. Ela estava se permitindo ser seduzida pela familiaridade, pela promessa de um amor renascido. Era um caminho perigoso, repleto de incertezas, mas pela primeira vez em muito tempo, ela sentia uma faísca de esperança. A esperança de que, talvez, pudesse aprender a amar novamente.

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