Voltar a te Amar II

Capítulo 9 — A Sombra do Passado na Mansão da Urca

por Isabela Santos

Capítulo 9 — A Sombra do Passado na Mansão da Urca

A Mansão da Urca, imponente e cercada por um jardim exuberante com vista privilegiada para o Pão de Açúcar, era o símbolo do poder e da riqueza de Marcos. Joana e Daniel a observavam de longe, estacionados em um carro discreto em uma rua adjacente. A atmosfera daquele lugar emanava uma aura de opulência, mas também de mistério e, para Joana, de um profundo temor.

"É aqui que ele vive como um rei, enquanto atormentou a vida da minha irmã", Joana disse, a voz embargada pela raiva.

Daniel segurou sua mão com firmeza. "Nós vamos derrubar esse rei, Joana. E vamos expor a verdade para todos. Você tem as provas que encontramos? O que ele usava Clara para lavar dinheiro?"

Joana assentiu, sentindo o peso dos documentos em sua bolsa. "Sim. As cópias das transações, os e-mails de Marcos pressionando Clara… e as gravações que eu consegui com a ajuda de um amigo. São áudios dele, confessando o que fazia com ela."

"Excelente. Precisamos entregar isso à polícia. E garantir que eles levem a sério. Marcos tem contatos influentes." Daniel olhou para a mansão, um lampejo de preocupação em seus olhos.

"Eu sei. Mas a verdade é mais poderosa que qualquer influência. E eu não vou descansar até que ele pague." Joana sentiu uma determinação férrea crescer em seu peito. A memória de Clara, de seu sofrimento, era o combustível que a impulsionava.

Decidiram que a melhor estratégia seria ir diretamente à delegacia com todas as provas. No caminho, o silêncio no carro era carregado de expectativa e de um certo receio. O que aconteceria quando Marcos descobrisse que eles estavam prestes a expô-lo?

Chegaram à delegacia e foram recebidos por um delegado experiente, o Dr. Silva, que parecia ouvir atentamente o caso. Ao apresentarem as provas, o semblante do delegado mudou, tornando-se mais sério e determinado.

"Senhorita Joana, senhor Daniel, o que vocês trouxeram é de extrema gravidade. Vamos iniciar uma investigação imediata. Temos indícios suficientes para uma busca e apreensão na residência de Marcos Viana."

Enquanto o delegado organizava a operação, Joana sentiu um aperto no peito. Ela sabia que Marcos não seria preso facilmente. Ele era esperto, e tinha recursos.

"Daniel, eu tenho um mau pressentimento", Joana disse, olhando para ele. "Marcos não vai nos deixar fazer isso impunemente."

"Eu sei que ele é perigoso, Joana. Mas nós temos a lei ao nosso lado agora. E você não está sozinha. Eu estou com você." Ele a abraçou, o calor de seu corpo trazendo um conforto momentâneo.

Horas depois, enquanto o sol começava a se pôr, tingindo o céu de tons alaranjados e roxos, a notícia chegou. A polícia havia cumprido o mandado de busca e apreensão na mansão de Marcos. Ele havia sido detido, mas a ficha corrida dele, com acusações menores, não era suficiente para prendê-lo por muito tempo.

"Ele vai ser solto em breve", Joana disse, desanimada. "Ele precisa pagar pelo que fez com Clara."

Daniel a abraçou. "Vamos continuar pressionando. Vamos encontrar uma forma de ligá-lo diretamente ao sofrimento de Clara. Se não for pela lei, será de outra forma."

Naquela noite, eles decidiram ir até a mansão, não para confrontar Marcos diretamente, mas para procurar por algo que ele pudesse ter escondido, algo que pudesse ser a peça final do quebra-cabeça. Utilizando seus contatos, Daniel conseguiu informações sobre uma entrada secundária menos vigiada.

Sob o manto da escuridão, com o coração batendo acelerado, eles se infiltraram nos jardins da mansão. A lua cheia iluminava o caminho, criando sombras sinistras. A mansão parecia adormecida, mas a sensação de perigo era palpável.

Encontraram uma janela aberta no escritório de Marcos. Com cuidado, Joana e Daniel entraram. O escritório era luxuoso, repleto de móveis caros e obras de arte. O cheiro de charuto pairava no ar.

"Precisamos ser rápidos", Daniel sussurrou, os olhos vasculhando o cômodo.

Joana foi até a mesa de Marcos, um móvel imponente de mogno. Ela começou a procurar em gavetas e compartimentos, a esperança de encontrar algo que provasse a culpa dele em relação a Clara crescendo em seu peito.

De repente, ela sentiu algo sob um tapete persa. Puxou-o com força e revelou um compartimento secreto no chão. Dentro, havia uma caixa de metal. Com as mãos trêmulas, Joana a abriu.

Dentro da caixa, encontrou uma coleção de fotos. Eram fotos de Clara, mas não fotos felizes. Eram fotos tiradas às escondidas, fotos de Clara em momentos íntimos, fotos que Marcos claramente havia usado para chantageá-la. Havia também um diário, escrito com a letra delicada de Clara.

Joana pegou o diário, sentindo as lágrimas embaçarem sua visão. Ela folheou as páginas, lendo trechos que revelavam o desespero de sua irmã, as ameaças de Marcos, a pressão psicológica a que ela era submetida.

"Daniel, olha isso", ela disse, a voz embargada. "Aqui está tudo. Ele a atormentou até o fim. Ele a levou à beira do abismo."

Daniel leu alguns trechos do diário, a raiva crescendo em seus olhos. "Ele é um monstro. Precisamos ter certeza de que isso chegue às mãos certas."

De repente, ouviram um barulho na porta. Alguém estava entrando. Joana e Daniel se esconderam atrás da mesa de Marcos, o coração martelando no peito.

Era Marcos. Ele parecia irritado, e segurava uma garrafa de whisky. Ele foi direto para a mesa e começou a procurar algo.

"Onde está aquela maldita caixa?", ele resmungou, revirando as gavetas.

Joana e Daniel trocaram olhares de pânico. Ele sabia que eles haviam estado ali? Ou ele estava procurando por algo que havia perdido?

Marcos se aproximou do tapete, sua atenção atraída pelo compartimento aberto. Sua expressão mudou de irritação para fúria.

"Vocês!", ele gritou, os olhos fixos em Joana e Daniel. "O que vocês estão fazendo aqui?"

Ele avançou em direção a eles, a garrafa de whisky erguida como uma arma. Daniel se colocou na frente de Joana, protegendo-a.

"Marcos, acabou. Nós sabemos o que você fez", Daniel disse, com firmeza.

"Vocês não sabem de nada!", Marcos rosnou, avançando.

Uma luta começou. Daniel, com sua força e agilidade, tentava imobilizar Marcos, enquanto Joana, aproveitando a distração, pegou o diário e as fotos e correu em direção à janela aberta.

"Joana, cuidado!", Daniel gritou.

Marcos se livrou de Daniel por um momento e avançou em direção a Joana, que tentava pular pela janela. Ele a agarrou pelo braço, puxando-a para trás com força.

"Você não vai escapar!", ele gritou, o rosto contorcido de ódio.

Naquele momento, Daniel, com um último esforço, conseguiu derrubar Marcos. A garrafa de whisky caiu e se espatifou no chão.

Joana aproveitou a oportunidade e pulou pela janela, caindo no jardim. Daniel a seguiu logo depois. Eles correram em direção ao carro, o som das sirenes se aproximando ao longe.

Marcos, furioso, tentou persegui-los, mas o som das sirenes o fez hesitar. A polícia havia chegado.

Eles conseguiram fugir, levando consigo as provas irrefutáveis da crueldade de Marcos. A sombra do passado ainda pairava, mas agora, eles tinham a luz da verdade ao seu lado. A mansão da Urca, palco de tantas atrocidades, havia testemunhado o início do fim para Marcos Viana. E Joana e Daniel, juntos, estavam prontos para enfrentar o que viesse a seguir, com a força do amor e a determinação de honrar a memória de Clara.

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