Promessas Quebradas III

Capítulo 23 — A Sombra da Suspeita e o Labirinto da Desconfiança

por Valentina Oliveira

Capítulo 23 — A Sombra da Suspeita e o Labirinto da Desconfiança

O silêncio que se seguiu à entrada de Ricardo foi mais ensurdecedor do que qualquer palavra. Isabella soltou a mão de Daniel instantaneamente, como se tivesse levado um choque elétrico. A culpa a atingiu com força total, misturada a um pânico crescente. Daniel, por sua vez, virou-se lentamente para encarar o homem que se tornara o centro da vida de Isabella. A expressão em seu rosto era uma mistura de surpresa, desafio e uma pontada de algo que parecia ser um velho instinto de proteção.

Ricardo não disse nada por um momento. Seus olhos percorreram o rosto de Isabella, a palidez, as lágrimas ainda úmidas, e depois fixaram-se em Daniel. Um sorriso fino e perigoso curvou seus lábios.

"Ora, ora", ele disse, a voz calma, quase jocosa, mas com um veneno que fez o ar da sala ficar rarefeito. "Não esperava encontrá-lo aqui, Daniel. Que surpresa agradável... ou talvez não tão agradável assim."

Isabella sentiu o sangue gelar nas veias. Ela podia sentir a fúria latente em Ricardo, a forma como ele a observava, como se a estivesse dissecando em busca de fraquezas.

"Ricardo", Isabella conseguiu murmurar, a voz fraca. "Eu estava apenas... conversando com Daniel."

"Conversando?", Ricardo repetiu, dando um passo para dentro da sala, o olhar fixo em Daniel. "Parecia mais que estavam se despedindo de uma forma bastante íntima." Ele deu um riso seco. "Você sempre foi muito... emotiva, não é, Daniel? E você, Isabella, sempre gostou de um drama."

Daniel deu um passo à frente, colocando-se ligeiramente entre Isabella e Ricardo, um gesto sutil, mas carregado de significado. "Nós estávamos acertando as contas, Ricardo. Nada que te diga respeito."

Ricardo deu um passo à frente também, aproximando-se perigosamente. "Ah, mas tudo diz respeito a mim. A minha esposa. A minha casa. E, francamente, a reputação que eu prezo tanto." Ele parou a centímetros de Daniel, o olhar penetrante. "Você sabe, Daniel, eu nunca esqueci nossas antigas rivalidades. E vê-lo agora, na minha casa, com a minha mulher... é quase tentador. Mas não se preocupe, não vou sujar minhas mãos. Ainda."

O tom de ameaça era claro. Isabella sentiu a necessidade de intervir, de apaziguar os ânimos, mas estava paralisada pelo medo.

"Ricardo, por favor", ela implorou, dando um passo em direção a ele. "Não há necessidade disso."

Ricardo a ignorou, o foco ainda em Daniel. "Você veio pedir perdão? Dinheiro? Ou talvez... uma segunda chance? Porque eu devo dizer, Daniel, suas chances são tão boas quanto as de um cego ver o pôr do sol."

Daniel manteve a calma, mas seus punhos estavam cerrados. "Eu não vim pedir nada a você, Ricardo. Eu vim falar com Isabella. E ela me contou a verdade."

A menção à "verdade" fez Ricardo erguer uma sobrancelha, um brilho de interesse perigoso em seus olhos. "A verdade? Que verdade? Que você é um fracassado que nunca conseguiu nada na vida, enquanto eu construí um império? Ou que Isabella, apesar de todas as suas ilusões, escolheu a estabilidade e o poder?"

Isabella não aguentou mais. "Chega, Ricardo! Daniel me contou sobre o que aconteceu no passado, sobre como você me manipulou para me afastar dele. E eu contei a ele a verdade sobre mim, sobre o que realmente aconteceu."

Ricardo soltou uma gargalhada fria. "Manipulei? Querida, você se iludiu com suas próprias mentiras. E agora está tentando jogar a culpa em mim? Que conveniente. E essa 'verdade' sobre você... a de que você perdeu o filho que esperava de Daniel, não é? Que pena. Uma pena que você não tenha tido a coragem de me dizer antes. Talvez eu pudesse ter te ajudado a lidar com essa 'dor' de uma forma mais produtiva."

A frieza com que ele falou sobre a perda do filho fez com que Daniel desse um passo à frente, a raiva finalmente transbordando. "Você é um monstro, Ricardo. Não tem ideia do que está falando."

"E você é um sentimental que se afogou em suas próprias desgraças", Ricardo retrucou, sem vacilar. "Agora, se me dão licença, eu tenho assuntos importantes para tratar. E vocês dois... bem, eu sugiro que resolvam suas pendências fora daqui. A menos que queiram que eu chame a polícia. Ou a imprensa. Imaginem o escândalo: o grande Daniel, o artista fracassado, invadindo o apartamento de sua ex-amada, a senhora de um dos homens mais poderosos do país."

Isabella sentiu um nó na garganta. A crueldade de Ricardo era avassaladora. Ela olhou para Daniel, buscando um sinal de como proceder. Ele, por sua vez, encarou Ricardo com um olhar que prometia vingança, mas sabia que, naquele momento, a melhor tática era recuar.

"Muito bem, Ricardo", disse Daniel, a voz controlada, mas firme. "Isso não acabou. De jeito nenhum."

Ele se virou para Isabella. "Eu vou sair. Mas isso não significa que acabou. Precisamos conversar novamente. Quando você puder falar sem plateia." Ele lançou um último olhar para Ricardo, um olhar que falava de um futuro confronto, e depois se virou e saiu pela porta, o silêncio que ele deixou para trás ainda mais pesado do que sua presença.

Assim que a porta se fechou, Ricardo virou-se para Isabella, o olhar sombrio. "Você pensou que podia me enganar, não é? Pensou que podia brincar comigo e com esse seu ex-amorzinho de forma tão descarada?"

"Ricardo, eu..." Isabella tentou, mas ele a interrompeu.

"Não me diga 'Ricardo, por favor'. Não me diga nada. Você me traiu. Não fisicamente, não ainda. Mas traiu a nossa confiança. E me fez parecer um idiota na frente de um homem que eu desprezo. E por causa disso, você vai pagar caro."

Ele se aproximou dela, o olhar frio e calculista. "Você me disse que perdeu o filho. Que pena. Talvez fosse o único fio que te prendia a mim. Agora que esse fio se rompeu, o que te resta? A solidão? A culpa? Ou a chance de correr de volta para os braços do seu amado artista?"

"Eu não vou voltar para ele", Isabella disse, com uma firmeza recém-encontrada. A ameaça de Ricardo, em vez de amedrontá-la, acendeu uma faísca de rebelião. "Eu contei a verdade a Daniel porque eu precisava. E eu contei a você porque você merece saber. Mas isso não muda quem eu sou, Ricardo. E não me torna sua propriedade."

Ricardo riu novamente, um som sem humor. "Oh, você é minha propriedade, Isabella. E eu não gosto quando as minhas propriedades tentam fugir. Ou quando me desafiam. Você vai se arrepender amargamente de ter chamado Daniel aqui. Vai se arrepender de ter me contado sobre o seu passado. Porque agora eu sei exatamente onde te machucar."

Ele a deixou falando sozinha. Isabella ficou ali, tremendo, a adrenalina do confronto se dissipando e dando lugar a um medo profundo. A verdade que ela tanto lutou para revelar a expôs a um perigo ainda maior. Ricardo era implacável, e ela sabia que ele não hesitaria em usar suas dores e fraquezas contra ela.

Os dias seguintes foram um purgatório de ansiedade. Isabella se sentia vigiada constantemente. Cada ligação, cada e-mail, cada interação com Ricardo era carregada de uma tensão palpável. Ele não a confrontava diretamente, mas seus olhares, seus comentários sutis, a forma como ele controlava cada aspecto de sua vida, tudo deixava claro que ele estava esperando o momento certo para agir.

Daniel tentou entrar em contato algumas vezes, mas Isabella, com medo de que Ricardo pudesse interceptar suas mensagens ou chamadas, respondia com monossílabos, evitando qualquer conversa mais profunda. A proximidade que eles haviam reencontrado na sala foi brutalmente interrompida, e Isabella se sentia cada vez mais isolada.

Em uma noite fria, enquanto tentava dormir, Isabella ouviu o som de passos no corredor. Ela se levantou, o coração acelerado. A porta do quarto se abriu lentamente, revelando a figura sombria de Ricardo.

"Não consegue dormir, querida?", ele perguntou, a voz baixa e sedutora. Ele entrou no quarto, fechando a porta suavemente atrás de si. O olhar dele era intenso, estudando-a com uma frieza calculista. "Eu tenho pensado muito em tudo isso. Em você. Em Daniel. E em como podemos superar essa crise."

Ele se aproximou da cama, sentando-se na beirada, a proximidade dele invadindo o espaço pessoal de Isabella. Ela recuou, o corpo tensionado.

"Ricardo, eu não quero falar sobre isso agora."

"Oh, mas nós vamos falar. Vamos falar sobre como você me fez parecer um tolo. Vamos falar sobre como você ainda se importa com ele. E vamos falar sobre como você vai me provar que está completamente comprometida comigo." Ele estendeu a mão, acariciando o rosto dela com uma lentidão torturante. "Você vai ter que fazer coisas, Isabella. Coisas que vão te mostrar o quanto você me deve. E o quanto você não pode fugir de mim."

O toque dele, antes um sinal de intimidade, agora parecia uma possessão fria. Isabella sentiu uma onda de desespero. Ela havia exposto suas fraquezas, e agora estava presa em uma teia de desconfiança e manipulação, com Ricardo como o mestre do jogo. O labirinto da desconfiança parecia não ter saída, e as promessas quebradas, em vez de serem consertadas, apenas se multiplicavam em novas e dolorosas formas.

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%