Promessas Quebradas III

Capítulo 24 — O Preço da Verdade e o Jogo Perigoso

por Valentina Oliveira

Capítulo 24 — O Preço da Verdade e o Jogo Perigoso

A noite que se seguiu à entrada de Ricardo no quarto de Isabella foi um prenúncio sombrio do que estava por vir. A atmosfera de intimidade forçada, o toque frio e possessivo em sua pele, deixaram-na perturbada e enojada. Ela não dormiu, passando as horas em claro, revivendo as palavras de Ricardo e o olhar gélido em seus olhos. A verdade, que ela esperava que fosse um caminho para a redenção, parecia tê-la aprisionado em um jogo ainda mais perigoso.

Na manhã seguinte, o sol parecia zombar de sua angústia. Ricardo agiu como se nada tivesse acontecido, o que era, de certa forma, ainda mais perturbador. Ele tomou café da manhã com a mesma compostura de sempre, comentando sobre notícias financeiras e planos de negócios, enquanto Isabella mal tocava na comida, a mente correndo em mil direções. Ela sabia que a "conversa" de Ricardo não seria apenas um diálogo, mas uma imposição de sua vontade.

Por volta do meio-dia, ele a chamou para o escritório. O ambiente, geralmente um símbolo de seu poder e sucesso, agora parecia um tribunal. Ricardo estava sentado à sua imponente mesa de mogno, um sorriso calculista no rosto.

"Isabella, querida", ele começou, a voz suave. "Eu estava pensando sobre a nossa situação. E sobre como podemos resolver isso da melhor maneira para ambos." Ele fez uma pausa, pegando uma pequena caixa de veludo da gaveta. "Daniel é um sentimental. Um artista. Ele vive de fantasias. Você, por outro lado, é uma mulher pragmática. Você escolheu a segurança, a estabilidade. E eu te dei isso."

Ele abriu a caixa, revelando um deslumbrante anel de diamantes. Isabella sentiu um arrepio.

"Este é um símbolo do meu compromisso com você", continuou Ricardo. "Um símbolo do nosso futuro. E eu quero que você o aceite. Em troca, você terá que fazer algumas coisas por mim."

Isabella o encarou, a compreensão da armadilha se formando em sua mente. "Que coisas, Ricardo?"

"Pequenas coisas. Negócios meus. Coisas que exigem discrição. Um homem de confiança, digamos. Alguém que eu possa mandar para fazer recados sem levantar suspeitas. E você, com sua nova disposição para acertar as contas com seu passado, seria perfeita para isso." Ele a olhou com intensidade. "Você vai me ajudar a resolver alguns... assuntos pendentes. E em troca, você me garante que Daniel nunca mais cruzará seu caminho. E que você será minha, completamente."

O tom de Ricardo era inconfundível. Ele não estava pedindo, estava exigindo. Ele a via como uma peça em seu jogo, um peão a ser usado para seus próprios fins. A ideia de se envolver nos negócios escusos de Ricardo a aterrorizava, mas o medo dele e a sua própria culpa a empurravam para uma encruzilhada cruel.

"Eu não posso fazer isso, Ricardo", ela disse, a voz firme, apesar do tremor interno. "Eu não quero me envolver nos seus negócios."

O sorriso de Ricardo desapareceu. "Você não tem escolha, Isabella. Você já me traiu ao chamar Daniel. Agora, você vai me mostrar lealdade. Você vai fazer o que eu mandar, ou eu vou garantir que Daniel se arrependa de ter cruzado o meu caminho. E eu vou arruinar você. Sua reputação. Sua vida. Ninguém vai acreditar em você contra mim."

Ele se levantou, aproximando-se dela, o olhar frio e ameaçador. "Você me deve isso. Por ter brincado com o meu nome. Por ter me humilhado. E agora você vai pagar o preço da sua verdade." Ele pegou a mão dela, forçando-a a segurar o anel. "Use isso. E espere minhas instruções. Se você tentar me desobedecer, você saberá o quão longe eu posso ir."

Isabella saiu do escritório de Ricardo sentindo-se como uma prisioneira. O anel pesava em seu dedo, um símbolo de sua submissão forçada. Ela se sentia enojada, traída, mas também sentia uma pequena centelha de desafio crescendo em seu peito. Ela não podia ceder completamente. Precisava encontrar uma maneira de se libertar.

Enquanto isso, Daniel estava em seu estúdio, tentando canalizar a raiva e a confusão em sua arte. A conversa com Isabella, interrompida pela chegada de Ricardo, o deixara com um turbilhão de emoções. A verdade sobre a gravidez e o aborto espontâneo havia abalado suas fundações. Ele se sentia culpado por não ter estado lá para ela, por ter odiado uma mulher que estava sofrendo tanto.

Ele tentou ligar para Isabella novamente, mas ela não atendeu. A preocupação o consumia. Ele sabia que Ricardo era perigoso, e a forma como ele havia encarado Daniel na sala de Isabella era um aviso claro.

Uma batida na porta do estúdio o tirou de seus pensamentos. Era Clara, sua amiga e galerista, com um sorriso preocupado no rosto.

"Daniel, você parece que viu um fantasma", ela disse, entrando. "Desde que você voltou de São Paulo, você anda mais introspectivo que o normal."

Daniel hesitou por um momento, mas a necessidade de desabafar era grande. Ele contou a Clara sobre Isabella, sobre a verdade que veio à tona, e sobre a ameaça de Ricardo. Clara ouviu atentamente, o rosto franzido em preocupação.

"Ricardo é um homem perigoso, Daniel. Eu já ouvi histórias. Ele não brinca em serviço. E Isabella... ela parece estar em um apuro terrível." Clara suspirou. "Você tem que ter cuidado. Se ele te ameaçou, ele pode tentar algo."

"Eu sei", Daniel disse, a voz tensa. "Mas eu não posso simplesmente deixá-la. Ela está em uma situação horrível. E eu sinto que, de alguma forma, eu sou responsável por isso."

Clara colocou a mão em seu ombro. "Você não é responsável pela escolha que ela fez, Daniel. Mas agora que você sabe a verdade, você tem uma escolha a fazer. E eu vou te apoiar, seja qual for."

Nos dias que se seguiram, Ricardo começou a dar as "instruções" a Isabella. Eram tarefas banais no início: entregar um envelope em um endereço específico, fazer uma ligação para um número desconhecido. Isabella cumpria as ordens com o coração apertado, com medo do que poderia acontecer se ela se recusasse. Cada tarefa a empurrava mais para o submundo de Ricardo.

Em uma tarde, Ricardo a chamou novamente. Desta vez, a tarefa era mais arriscada. Ele pediu que ela levasse um pacote para um homem em um hotel discreto na periferia da cidade. O pacote, segundo ele, continha documentos importantes para uma negociação. Isabella sentiu o peso do medo, mas a ameaça em seus olhos a impelia a seguir em frente.

Enquanto se dirigia ao hotel, Isabella se sentiu observada. Ela tentou afastar a paranoia, mas a sensação era persistente. Ao chegar ao hotel, ela se dirigiu ao quarto indicado. O homem que a recebeu era rude e impaciente. Ele pegou o pacote sem dizer uma palavra, e Isabella saiu o mais rápido que pôde, sentindo um alívio imenso ao deixar o local.

No entanto, ao sair do hotel, ela notou um carro escuro estacionado do outro lado da rua, com dois homens dentro. O coração dela disparou. Ela reconheceu um deles. Era um dos capangas de Ricardo. Eles estavam vigiando-a. Ela estava sendo manipulada de ambos os lados.

Desesperada, Isabella dirigiu sem rumo por um tempo, as lágrimas escorrendo pelo rosto. Ela sabia que não podia continuar assim. Precisava de ajuda. E a única pessoa em quem ela podia confiar era Daniel.

Ela ligou para ele, a voz embargada pelo choro. "Daniel, eu preciso de você. Pelo amor de Deus, me ajude."

Daniel atendeu imediatamente, a preocupação evidente em sua voz. "Isabella! O que aconteceu? Onde você está?"

Ela contou a ele sobre as ordens de Ricardo, sobre o pacote, sobre os homens que a estavam vigiando. Daniel ouviu com atenção, a raiva crescendo dentro dele.

"Isabella, fique onde está. Não vá para casa. Eu estou indo te buscar. E vamos dar um jeito nisso. Juntos."

Daniel desligou o telefone, a determinação em seu olhar. Ele sabia que o jogo de Ricardo estava ficando perigoso demais. Ele não podia mais ficar parado enquanto Isabella era usada e ameaçada. O amor que ele sentia por ela, o amor que ele pensava ter morrido, ressurgiu com força total, alimentado pela urgência e pelo perigo. Ele iria protegê-la, custasse o que custasse. E se Ricardo quisesse um jogo, Daniel estava pronto para jogar.

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