Amor em Silêncio II

Capítulo 23 — A Tapeçaria de Mentiras e a Busca pela Origem

por Ana Clara Ferreira

Capítulo 23 — A Tapeçaria de Mentiras e a Busca pela Origem

O sol da manhã penetrava pelas janelas da biblioteca, iluminando as estantes repletas de livros que guardavam histórias de séculos. O ar, antes pesado com a tensão da noite anterior, agora parecia carregado de um novo propósito. Ana Clara, Ricardo e Helena estavam reunidos em torno de uma mesa de mogno polido, sobre a qual repousava o tal isqueiro antigo.

“Este brasão”, Helena começou, traçando o relevo com o dedo. “Pertencia à família Vasconcelos. Eles eram sócios menores dos Montenegro no início, mas um escândalo financeiro os arruinou há muitos anos. Diziam que foram traídos.”

Ana Clara sentiu um arrepio. “O mesmo escândalo que eu… que me envolveu indiretamente.”

Ricardo observava Ana Clara, o olhar intenso, avaliador. “Indiretamente, você diz. Mas o homem disse que você é a chave. O que exatamente você sabe sobre os Vasconcelos?”

Ana Clara hesitou. A fragilidade da sua posição era gritante. Revelar tudo agora, para ele, parecia um risco calculado. Mas o ataque à mansão, as palavras do invasor, a conexão com seu passado… tudo a impulsionava a falar.

“Quando eu era jovem, minha família teve um envolvimento… trágico com o patriarca Montenegro e os Vasconcelos. Houve um… acidente. Um que foi abafado. E que resultou na ruína da minha família também.” Sua voz tremeu. “Eu fui forçada a… a viver em segredo, a apagar partes da minha vida para me proteger.”

Helena colocou uma mão reconfortante sobre a de Ana Clara. “O patriarca era um homem astuto, Ana Clara. Ele sabia como manobrar as peças em seu favor. E aqueles que o desafiavam… pagavam um preço alto.”

Ricardo pegou o isqueiro, girando-o entre os dedos. “Então, você não é apenas uma vítima involuntária. Você é uma peça de um quebra-cabeça que está se montando agora. E os Vasconcelos parecem querer vingança. Ou talvez, recuperar algo que acreditam ter sido roubado.”

“Algo que roubaram?”, Ana Clara perguntou, a curiosidade atiçada.

“O nome Vasconcelos é sinônimo de honra, de tradição. Se foram traídos, podem estar buscando justiça. Ou retaliação.” Ricardo olhou para o isqueiro. “Este objeto não é apenas um símbolo. É um convite. Ou uma ameaça.”

“Mas por que me envolver nisso?”, Ana Clara insistiu. “Por que me chantagear se eles me veem como uma ‘chave’?”

Ricardo sorriu, um sorriso sem humor. “Porque eu não sou o único que sabe do seu segredo, Ana Clara. E eu posso usar essa informação para obter sua lealdade, ou para me defender. Mas se os Vasconcelos também sabem, e a veem como um elo… então você se torna um alvo. Para ambos os lados.”

“E você quer se defender”, Ana Clara completou, a compreensão surgindo em seus olhos. “Você quer que eu me alie a você, para que você possa controlar a situação. Para que você possa garantir que essa ‘chave’ permaneça em suas mãos.”

“Exatamente”, Ricardo confirmou, o olhar fixo no dela. “Eu ofereci uma parceria de negócios. Agora, parece que a parceria precisa ser mais… profunda. Preciso saber tudo o que você sabe sobre os Vasconcelos e sobre o envolvimento da sua família. E preciso que você confie em mim. Pelo menos o suficiente para sobrevivermos a isso.”

A palavra “confiar” pairou no ar, carregada de ironia. Ana Clara olhava para Ricardo, para seus olhos que pareciam esconder um labirinto de intenções. A confiança era algo que ela havia perdido há muito tempo, e entregar a ele, o homem que a chantageava, parecia um ato de loucura. No entanto, a alternativa era ser dilacerada entre dois poderes ocultos.

Helena, com sua sabedoria tranquila, interveio. “Ana Clara, eu servi a esta família por muitos anos. Vi o patriarca cometer atos questionáveis, mas também vi a ambição de Ricardo crescer. Ele é perigoso, sim. Mas às vezes, o perigo é o único caminho para a verdade.”

“A verdade pode custar caro, Helena”, Ana Clara sussurrou.

“E viver na mentira custa mais ainda”, Helena respondeu, com um olhar gentil.

Ricardo se levantou, o corpo tenso. “Eu vou investigar a origem deste isqueiro. Quero saber quem são esses invasores e quem os enviou. Preciso de informações sobre os últimos movimentos dos Vasconcelos, se é que ainda existem. Você, Ana Clara, vai me contar tudo o que se lembra sobre o seu passado. E você, Helena, vai me ajudar a encontrar qualquer registro que possa ter sido ocultado.”

Ele olhou para Ana Clara. “O tempo está se esgotando. E a correnteza da desconfiança pode nos arrastar para o abismo. Ou podemos usá-la para nadar em direção à costa. A escolha é sua.”

Ana Clara sentiu o peso da decisão. A oferta de Ricardo era tentadora, não pela oportunidade de negócios, mas pela promessa de desvendar o mistério que a assombrava há anos. Era uma chance de confrontar seus fantasmas, de encontrar a origem de sua dor. E, talvez, de encontrar uma forma de redenção.

Ela respirou fundo. “Eu… eu vou falar, Ricardo. Vou contar tudo o que eu me lembro.” Ela olhou para ele, a determinação em seus olhos. “Mas não para você me controlar. Mas para que possamos encontrar a verdade juntos. E para que eu possa finalmente me libertar desse passado.”

Ricardo a encarou por um longo momento, um vislumbre de algo que poderia ser respeito cruzando seus olhos. “Seja bem-vinda à batalha, Ana Clara. Espero que você esteja preparada.”

Enquanto isso, em um lugar sombrio e decadente, longe do luxo da mansão Montenegro, Sofia recebia uma ligação. Era Leo.

“Consegui algo, Sofia”, a voz dele soou animada. “Ricardo Montenegro é mais sujo do que eu imaginava. Movimentações financeiras suspeitas, contas offshore… e um nome que aparece repetidamente em negócios obscuros: Vasconcelos. Um nome que foi dado como extinto há anos.”

Sofia sentiu o sangue gelar. Vasconcelos. O mesmo nome que Ricardo mencionara. A teia se apertava, os fios se entrelaçando de forma sinistra.

“Vasconcelos…”, Sofia repetiu, a voz embargada. “O que mais você encontrou sobre eles?”

“Pouco. Como se tivessem sido apagados. Mas algo chamou minha atenção. Um registro de uma propriedade antiga, transferida recentemente para um nome de fachada. Uma propriedade que, segundo meus achados, pertencia aos Vasconcelos antes do… ‘acidente’ de anos atrás.”

O coração de Sofia disparou. “Propriedade? Que propriedade, Leo?”

“Uma casa de veraneio. Grande, isolada. No litoral. Mas o mais estranho é que a transferência foi feita pouco antes de você me ligar, Sofia. Como se alguém estivesse se preparando para algo.”

Sofia sentiu um calafrio percorrer sua espinha. A origem da tragédia, o mistério que a consumia, parecia estar começando a se revelar. E ela estava mais perto do que nunca de desvendar o legado sombrio que envolvia os Montenegro e os Vasconcelos. A busca pela origem de sua dor a levava a um caminho perigoso, mas ela não recuaria.

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%