Cap. 23 / 21

Amor na Escuridão

Capítulo 23 — A Tempestade Interior e a Fenda no Juramento

por Camila Costa

Capítulo 23 — A Tempestade Interior e a Fenda no Juramento

O abraço de Ricardo era um porto seguro, um refúgio contra a tempestade que se formava em seu interior. Helena sentia o peito dele subir e descer em um ritmo constante, a força de seus braços transmitindo uma segurança que ela não sentia há muito tempo. A neblina da manhã havia se dissipado completamente, dando lugar a um céu azul intenso, mas a tranquilidade aparente contrastava com a turbulência que a assolava. A verdade sobre seus pais, a compreensão sobre o amor de Ricardo, a revelação parcial de um juramento misterioso – tudo isso se misturava em sua mente, criando um turbilhão de emoções.

Ricardo a apertou um pouco mais, como se pudesse sentir a sua apreensão. “Está tudo bem, meu amor”, sussurrou ele, a voz embargada pela emoção. “Estamos juntos agora.”

Helena ergueu a cabeça, os olhos fixos nos dele. “Eu te amo, Ricardo”, disse ela, as palavras saindo em um sussurro carregado de significado. “Eu te amo mais do que as palavras podem dizer.”

Um sorriso genuíno iluminou o rosto dele, dissipando um pouco das sombras que o cercavam. “E eu te amo, Helena. Mais do que a própria vida. Por isso, não poderia mais te manter presa a um passado que não era seu, a um futuro que eu não podia te garantir completamente.” Ele afastou-se ligeiramente, apenas o suficiente para olhá-la nos olhos. “O juramento… ele é uma barreira, eu sei. Uma barreira que me foi imposta em um momento de desespero, para proteger algo… ou alguém.”

“Alguém?”, Helena perguntou, a curiosidade aguçada. Ela sentiu um arrepio. Havia mais alguém envolvido naquela história?

Ricardo suspirou, a testa franzida em uma expressão de profunda preocupação. “Eu não posso te dizer quem, Helena. Não ainda. Mas saiba que este juramento me impede de te revelar certas coisas, de te envolver em certas áreas da minha vida. É algo que transcende apenas a nós dois.” Ele segurou o rosto dela entre as mãos. “Mas eu não quero que isso nos separe. Eu te entreguei as respostas sobre seus pais, a chave para o seu passado. Quero que você seja livre para desvendá-lo, sem amarras.”

Helena sentiu o peso de suas palavras. Ele estava se colocando em uma posição vulnerável, abrindo mão de sua própria proteção e privacidade por ela. Mas, ao mesmo tempo, a ideia de um juramento que o impedisse de ser totalmente dela, de compartilhar tudo com ela, era um nó que ela ainda não conseguia desatar. Era como ter uma parte do quebra-cabeça faltando, uma peça crucial que, sem ela, o quadro completo permanecia incompleto.

“E se isso significar que você terá que se afastar?”, perguntou ela, a voz tremendo levemente. “E se o preço da minha liberdade for a sua própria desgraça?”

“Eu jamais permitiria que você fosse a causa da minha desgraça, Helena”, ele respondeu com firmeza. “E eu jamais me afastaria de você. Haverá dificuldades, haverá sacrifícios, mas encontraremos um caminho. Sempre encontramos, não é?”

Ele a puxou para mais perto, e eles ficaram ali, abraçados, o som da cachoeira como testemunha silenciosa. A força da natureza parecia ecoar a força do amor que os unia, um amor que desafiava segredos, juramentos e o próprio destino.

Naquela tarde, sentados na varanda da cabana, Helena começou a ler as cartas de seus pais com mais atenção. Cada palavra, cada linha, era um pedaço de sua própria história que se revelava. Ela aprendeu sobre a simplicidade do amor deles, sobre a dor do afastamento forçado, sobre a esperança que eles depositavam em uma filha que nunca puderam criar. Havia uma carta de sua mãe para seu pai, escrita pouco antes de Helena nascer.

“Meu Antônio, sinto saudades tuas a cada instante. O corpo me dói, mas a dor maior é saber que não teremos a alegria de te ver ao lado de nossa filha. A família me apertou, me ameaçou. Disseram que se eu não fosse embora, se não me casasse com o Sr. Valdemar, ambos seríamos desgraçados. Eu não podia arriscar. Não podia te colocar em perigo. E não podia deixar nossa pequena desamparada. Por isso, meu amor, eu obedeço. Mas que Deus te abençoe, e que um dia, quem sabe, ela possa conhecer o pai que a amou desde o primeiro instante.”

O coração de Helena se apertou. A dor de sua mãe era palpável, um eco do sofrimento que tantas mulheres enfrentavam em tempos passados, e em muitos casos, ainda enfrentam. E o pai? O pai que amou sua mãe e a deixou com uma dor lancinante, mas com a esperança de um futuro.

Ricardo a observava com uma expressão de profunda compaixão. Ele sabia que reviver aquele passado não seria fácil, mas também sabia que era necessário para a cura dela. Ele lhe entregou um envelope grosso, selado com um lacre antigo.

“Este é de meu pai para mim”, explicou Ricardo. “Ele me confiou este livro e estas cartas há muitos anos, com a instrução de que eu as entregasse a você no momento certo. No momento em que você estivesse pronta para entender. No momento em que eu… em que eu pudesse proteger você.”

Helena pegou o envelope, sentindo o peso das palavras não ditas que ele continha. “Por que o seu pai fez isso, Ricardo? Por que ele guardava essas coisas?”

Ricardo hesitou, seus olhos escuros percorrendo a paisagem exuberante. “Meu pai era um homem de segredos, Helena. Um homem que teve que fazer escolhas difíceis para proteger sua família. Ele me ensinou que o amor é a força mais poderosa do mundo, mas que, às vezes, ele exige sacrifícios impensáveis.” Ele fez uma pausa, como se reunisse coragem. “Ele me disse que a pessoa que me deu esse juramento… era alguém que me amava muito. Alguém que acreditava que eu poderia ser a única pessoa capaz de proteger você.”

O ar ficou pesado. Helena sentiu um nó se formar em sua garganta. “Protegê-la de quê, Ricardo?”

Ele fechou os olhos por um instante, como se lutasse contra algo interno. “Eu não sei todos os detalhes, Helena. Meu pai era reservado. Mas sei que há forças que não se importam com o amor, com a verdade. Forças que manipulam, que destroem. E que, por alguma razão, seu nascimento, sua existência, colocava você em perigo.”

As palavras dele a atingiram como um golpe. Perigo. Ela sempre sentiu que havia algo obscuro em sua vida, algo que a assombrava, mas nunca imaginou que fosse algo tão concreto, algo que exigisse um juramento e proteção.

“Então… o que você tem que me esconder?”, perguntou ela, a voz baixa, quase inaudível. “Por que você não pode me contar tudo?”

Ricardo a olhou intensamente. “Porque se eu te contasse tudo agora, você estaria em perigo imediato. E aquele que fez o juramento… ele me deixaria livre para te contar, mas com a condição de que eu fizesse tudo para te manter afastada de… de certas pessoas. Pessoas que, se soubessem que você conhece a verdade, te buscariam para se livrar de você.”

Uma onda de medo percorreu Helena. Ela olhou ao redor, como se esperasse ver sombras espreitando entre as árvores. A serenidade da serra, antes tão reconfortante, agora parecia uma fachada frágil para um perigo latente.

“Quem são essas pessoas, Ricardo?”

“Eu não posso te dizer, Helena. O juramento é claro. Mas saiba que eu estou te protegendo. Eu farei tudo ao meu alcance para que você esteja segura. E quando o momento certo chegar, quando a ameaça diminuir, eu te contarei tudo.” Ele segurou suas mãos com mais força. “Mas até lá, confie em mim. Confie no meu amor.”

Helena olhou para ele, para a sinceridade em seus olhos, para a determinação em sua voz. Ela sentiu o peso do juramento, o perigo que os cercava, mas também sentiu a força do amor de Ricardo, um amor que o levava a desafiar tudo e todos por ela. Ela sabia que a verdade completa ainda estava oculta, que uma fenda havia sido aberta no juramento, mas que a verdadeira libertação ainda estava por vir.

“Eu confio em você, Ricardo”, disse ela, a voz firme, apesar do medo que a percorria. “Eu te amo. E se você diz que é para me proteger, eu acredito. Mas não me deixe esquecer que um dia você me contará tudo.”

Um suspiro de alívio escapou dos lábios de Ricardo. Ele a puxou para um abraço forte, e naquele momento, sob o sol que começava a se pôr, tingindo o céu de tons alaranjados e rosados, eles selaram uma promessa. Uma promessa de amor, de confiança e de esperança, mesmo diante da incerteza e do perigo. A tempestade interior ainda não havia cessado, mas a fenda no juramento era um sinal de que a luz, um dia, dissiparia toda a escuridão.

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