Cap. 24 / 21

Amor na Escuridão

Capítulo 24 — A Revelação Sombria e a Promessa Quebrada

por Camila Costa

Capítulo 24 — A Revelação Sombria e a Promessa Quebrada

O pôr do sol pintava o céu de cores vibrantes, mas a beleza do espetáculo era ofuscada pela apreensão que pairava no ar. Helena e Ricardo estavam sentados em silêncio na varanda da cabana, o livro aberto sobre o colo de Helena, as palavras de seus pais ecoando em suas mentes. O juramento, a proteção, o perigo iminente – tudo se misturava, criando uma atmosfera densa e carregada.

Ricardo olhava para o horizonte, o semblante sério, como se estivesse revivendo memórias dolorosas. Helena sentiu a necessidade de preencher o silêncio, de tentar entender um pouco mais sobre o homem que amava e sobre os segredos que o assombravam.

“Ricardo”, ela começou, a voz baixa. “Você disse que o seu pai te entregou essas cartas. Ele… ele sabia sobre meus pais?”

Ricardo assentiu, os olhos fixos em um ponto distante. “Ele sabia. Ele conhecia seu pai, Antônio. E ele se sentiu responsável por não ter podido impedir o que aconteceu. Ele me contou que eles eram amigos, que Antônio confiou nele para cuidar de você, caso algo acontecesse. Mas ele nunca imaginou que as ameaças viriam de onde vieram.”

“De onde vieram, Ricardo?” Helena insistiu, sentindo um frio na espinha.

Ricardo suspirou. “Da família de seu pai, Helena. Da parte mais rígida e controladora. Eles nunca aceitaram o amor dele por sua mãe, Dona Aurora. E quando souberam que ela estava grávida… eles agiram com crueldade para separá-los.”

Helena fechou os olhos, imaginando a dor de seus pais. Ser separada de quem se ama, ser forçada a abandonar um filho… era um pesadelo. “E o juramento… foi feito por causa disso?”

“Não exatamente. O juramento foi feito anos depois”, respondeu Ricardo, a voz tensa. “Quando eu já era um pouco mais velho. E envolvia algo mais. Algo que meu pai temia que pudesse cair em mãos erradas.” Ele apertou os punhos. “Ele me disse que o seu nascimento marcou o início de um problema maior. Que havia pessoas interessadas na sua linhagem, no poder que ela poderia representar. Pessoas sem escrúpulos.”

Helena sentiu o estômago revirar. Linhagem? Poder? Ela era apenas uma garota que buscava suas origens. Como poderia estar envolvida em algo tão perigoso?

“Você me disse que seu pai te fez prometer me proteger. E que ele te fez prometer não me contar tudo. Quem foi que te fez fazer essa promessa, Ricardo?”

Ricardo hesitou. Olhou para ela, e seus olhos escuros revelavam uma dor profunda. “Foi meu pai, Helena. Ele estava doente, muito doente. Ele sabia que não me restava muito tempo. E ele me fez jurar, em nome dele, em nome da nossa família, que eu te manteria segura. Que eu te guiaria, mas que também te afastaria de um perigo que ele não podia mais combater.”

Ele pegou uma das cartas de seu pai, um envelope selado com o mesmo lacre antigo. “Ele me entregou isso. Me disse que era a chave para entender o meu juramento. Que quando eu estivesse pronto, e quando você estivesse pronta, eu deveria te mostrar.”

Helena pegou o envelope, sentindo o peso do passado em suas mãos. As palavras de Ricardo a deixavam ainda mais confusa e apreensiva. Ela estava em perigo. Sua família biológica, em vez de ser um refúgio, era a fonte de uma ameaça. E Ricardo, com todo o seu amor, estava preso entre um juramento e o desejo de protegê-la.

“E o que está escrito aí, Ricardo?”

Ele balançou a cabeça. “Eu li, Helena. Há muito tempo. E a cada vez que releio, o medo aumenta. É uma confissão. Uma confissão de que ele sabia que as pessoas que te perseguiam… eram poderosas. E que eles não parariam por nada para te encontrar.”

O sol já havia se posto, e a escuridão começava a engolir a paisagem. Uma chuva fina e fria começou a cair, batendo nas telhas rústicas da cabana. O clima lá fora parecia refletir o clima dentro de Helena.

“E se eu não quiser ser protegida, Ricardo? E se eu quiser enfrentar esse perigo?”

“Você não pode, Helena”, ele disse, a voz firme, mas carregada de desespero. “Não sozinha. O meu juramento me impede de te revelar tudo, mas não me impede de te proteger. Eu não vou deixar que nada te aconteça.”

De repente, um barulho estrondoso quebrou o silêncio da noite. Um estrondo forte, como um tiro. Helena e Ricardo se entreolharam, o pânico tomando conta de seus rostos.

“O que foi isso?” Helena sussurrou, o coração disparado.

Antes que Ricardo pudesse responder, um outro barulho, mais próximo, soou. Era o som de algo pesado caindo no chão, seguido por um grito abafado.

“Fique aqui, Helena!”, Ricardo ordenou, levantando-se rapidamente. Ele pegou um pesado tronco de lenha que estava próximo à lareira.

Helena não podia ficar parada. O medo a paralisava, mas a necessidade de saber, de proteger Ricardo, a impulsionava. Ela o seguiu, os passos cautelosos, enquanto ele avançava em direção à porta da cabana.

Ricardo abriu a porta com cuidado, espiando para fora. A chuva havia se intensificado, e a escuridão era quase total. A única luz vinha de uma pequena lanterna que ele segurava. E então, ela viu.

Caído no chão da varanda, a pouca distância da porta, estava um homem. Ele estava imóvel, e um fio de sangue escorria de sua cabeça. Ao lado dele, uma bolsa de couro aberta, espalhando papéis no chão molhado. E em meio aos papéis, Helena reconheceu algo. Um objeto que ela havia deixado cair na noite anterior, durante sua fuga. Um pequeno pingente de prata, idêntico ao dela, mas um pouco diferente. Com uma estrela cadente.

“O… o meu pingente…”, Helena murmurou, chocada.

Ricardo se aproximou do homem, examinando-o. “Ele está vivo. Mas machucado.” Ele pegou um dos papéis que haviam caído. “Parece ser um mensageiro. Tinha algo para você.”

Ele olhou para Helena, e uma expressão sombria tomou conta de seu rosto. “Alguém sabia que você estava aqui. Alguém sabia que você tinha os documentos. E eles vieram buscar.”

O coração de Helena afundou. Eles não estavam seguros. A fuga, a cabana isolada, nada disso havia sido suficiente para protegê-la. O perigo que Ricardo temia era real, e agora havia chegado até eles.

Ricardo pegou o pingente caído. Era idêntico ao dela, mas havia algo de diferente. Ele olhou para o homem caído, depois para Helena. A expressão em seu rosto era de choque e desespero.

“Helena… este pingente… ele não é seu. Ele é… é dele.”

Ele apontou para o homem caído. E então, com a voz embargada, como se estivesse quebrando um juramento sagrado, ele disse:

“O homem que fez o juramento… fui eu. E o motivo… o motivo pelo qual eu te amo tanto, Helena, é porque… você é minha irmã.”

A revelação atingiu Helena como um raio. Irmã? A palavra ecoou em sua mente, sem sentido. Ela não podia ser irmã de Ricardo. Ele era o homem que ela amava, o homem com quem ela sonhava um futuro. Ela olhou para o pingente nas mãos dele, depois para o homem caído, e então para Ricardo, o choque estampando em seu rosto.

“Não… não pode ser…”, ela sussurrou, as pernas fraquejando.

Ricardo segurou-a com força, o olhar repleto de uma dor antiga e profunda. “Nosso pai, Antônio, teve um filho antes de te conhecer. Um filho que ele foi forçado a deixar com a família de sua mãe, para te proteger. Aquele homem ali… ele é seu irmão mais velho, Helena. E eu… eu sou o filho mais velho dele. O irmão mais velho de vocês dois.”

A tempestade lá fora rugia com mais força, mas a tempestade dentro de Helena era ainda mais devastadora. A verdade, tão esperada, havia se revelado de uma forma brutal e avassaladora. O amor que ela sentia por Ricardo, agora transformado em uma revelação chocante de parentesco, a deixava sem chão. O juramento, a promessa quebrada, o perigo iminente – tudo se misturava em um turbilhão de emoções que ameaçava engoli-la por completo. Ela olhou para Ricardo, o homem que ela amava, seu irmão, e sentiu um vazio imenso se abrir em seu peito. O amor que os unia, agora, era uma promessa quebrada pelo destino, um laço de sangue que os prendia de uma forma que ela jamais imaginara.

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%