Meu Captor, Meu Amor

Meu Captor, Meu Amor

por Isabela Santos

Meu Captor, Meu Amor

Capítulo 11 — O Sussurro da Verdade e o Gelo no Coração

O sol da manhã entrava pelas frestas da persiana, pintando listras douradas no tapete persa que cobria o chão do quarto. Para Clara, no entanto, a luz parecia um insulto, uma zombaria à escuridão que a envolvia desde a noite anterior. A voz de Miguel, quando proferiu aquelas palavras devastadoras, ecoava em sua mente como um trovão distante, mas com um estrondo que a deixava tonta e desorientada. "Eu nunca te amei, Clara. Era tudo parte do plano."

O plano. A palavra que se desdobrava em sua mente como um pesadelo, cada letra perfurando-a como uma lâmina fria. O plano de quê? De sua ruína? De sua humilhação? De sua própria destruição? Ela se encolheu sob as cobertas, sentindo o peso do corpo de Miguel ao seu lado, um peso que antes era consolo e segurança, e agora se tornara uma âncora de desespero. O calor de sua pele, o ritmo de sua respiração, tudo o que antes a acalmava, agora a repelia com uma violência avassaladora.

Ela o observou dormir. A linha suave de sua mandíbula, os cílios longos e escuros repousando sobre as maçãs do rosto, a serenidade que sua face adormecida exibia. Era o rosto do homem que ela acreditara amar, o homem que a seduziu, a protegeu, a fez sentir-se a mulher mais especial do mundo. E tudo era uma farsa. Uma peça teatral cuidadosamente orquestrada, onde ela era a única plateia ignorante, aplaudindo a própria desgraça.

Um soluço escapou de seus lábios, um som fraco e abafado. Miguel se mexeu, resmungou algo ininteligível em seu sono e, para o horror de Clara, virou-se para abraçá-la. Seu braço envolveu sua cintura, puxando-a para mais perto. A proximidade, que antes era um refúgio, agora era um suplício. O cheiro dele, antes embriagante, agora lhe trazia náuseas. Ela se debateu suavemente, tentando se livrar do abraço, mas ele a segurou com mais firmeza.

"Não… não vá", murmurou ele, a voz embargada pelo sono.

As palavras, por mais desprovidas de significado que fossem em sua forma original, atingiram Clara como um golpe inesperado. Não vá? Para onde ela iria? Para onde se poderia ir quando o chão sob seus pés desmoronara? Ela se concentrou em respirar, contando os segundos, esperando que ele acordasse completamente, que ela pudesse confrontá-lo com a pergunta que a consumia: Por quê?

Quando Miguel finalmente abriu os olhos, a expressão de sonolência deu lugar a uma confusão que rapidamente se transformou em algo mais sombrio. Ele a viu ali, enrolada em suas cobertas, o rosto pálido e os olhos marejados.

"Clara? O que foi? Você está bem?" A voz dele era rouca, mas a preocupação, genuína ou não, soava em cada sílaba.

Ela se afastou abruptamente, sentando-se na beira da cama, o corpo tremendo. A distância física era um reflexo da abissal distância que se abrira entre suas almas. "Bem? Você pergunta se estou bem, Miguel?" A voz dela estava embargada, mas a raiva começava a borbulhar sob a superfície do desespero.

Ele se sentou também, o lençol escorregando, revelando seu peito nu. A visão o fez parecer ainda mais vulnerável, mas Clara não sentia compaixão. "Clara, o que está acontecendo?"

"O que está acontecendo?", ela repetiu, uma risada amarga escapando de seus lábios. "Você… você me disse… você disse que tudo era um plano. Que você nunca me amou."

A cor pareceu fugir do rosto de Miguel. Seus olhos, antes escuros e penetrantes, agora pareciam arregalados, como se ela o tivesse atingido fisicamente. "Clara, eu… eu não quis dizer isso."

"Não quis dizer isso?", ela se levantou, a voz ganhando força. O roupão que ela usava parecia um disfarce patético para o furacão que a sacudia por dentro. "Você me disse que era parte do plano! Que eu era uma peça no seu jogo! O que mais você quer que eu entenda, Miguel? Que você estava apenas fingindo? Que todas as palavras de amor, todos os beijos, todos os momentos… tudo foi uma mentira para me manipular?"

Ele estendeu a mão para ela, mas ela se afastou como se ele estivesse em chamas. "Não toque em mim!"

O gesto de rejeição pareceu acertá-lo. Ele baixou a mão lentamente, o olhar fixo no chão. "Eu preciso explicar."

"Explicar o quê? A sua habilidade de mentir? A sua crueldade? Você me tirou de tudo, Miguel! Você me manteve presa, me fez acreditar que estava te salvando, me fez acreditar que eu era importante para você. E tudo porque… por quê? Qual era o seu maldito plano?"

Ele levantou a cabeça, os olhos encontrando os dela, um misto de dor e resignação estampados em seu rosto. "Não era sobre te machucar, Clara. Nunca foi."

"Mas você o fez!", ela gritou, as lágrimas finalmente transbordando e escorrendo pelo seu rosto. "Você me destruiu! Você me transformou em uma pessoa que eu não sou, em alguém que se contenta com migalhas de afeto, esperando por uma migalha de verdade! Eu me entreguei a você, Miguel! De corpo e alma! E você me jogou fora como se eu fosse descartável!"

"Não diga isso", a voz dele era um sussurro rouco. "Você nunca foi descartável. Você é tudo para mim."

"Tudo para você?", ela riu, uma risada histérica e sem alegria. "Essa é a sua desculpa? Que eu sou 'tudo para você', mas ainda assim você me usou em um plano cruel? Você não entende, Miguel? Você me roubou a minha escolha, a minha dignidade, a minha própria vida! Você me fez refém, não apenas fisicamente, mas emocionalmente!"

Ele tentou se aproximar novamente, mas ela recuou até bater nas costas da poltrona de veludo. O luxo do ambiente contrastava de forma gritante com a miséria que ela sentia. "Por favor, Clara, me deixe explicar. Foi tudo um mal-entendido. Aquele plano… ele não era o que você pensa."

"E o que eu penso, Miguel? Diga-me, o que eu deveria pensar depois de ouvir suas palavras?", a voz dela era carregada de sarcasmo. "Que você estava brincando comigo? Que toda a nossa história, tudo o que vivemos, foi apenas um jogo para você?"

"Não!", ele se levantou, a voz firme, mas cheia de desespero. Ele deu alguns passos em sua direção, parando a uma distância respeitosa. "Eu te amo, Clara. Eu te amo mais do que tudo neste mundo. O que eu disse ontem… eu estava desesperado. Com medo. Com medo de perder você. Medo de que você descobrisse a verdade sobre a minha família, sobre o que eles fizeram. O plano… era para te proteger."

"Proteger?", ela arqueou uma sobrancelha, a descrença clara em seus olhos. "Você me manteve em cativeiro, Miguel! Você me afastou do mundo! Como isso é proteger?"

"Era para mantê-la longe de perigo!", ele exclamou, a frustração explodindo em sua voz. "Eles estavam atrás de você! Eles queriam te usar contra mim, como sempre fizeram. Eu precisava garantir a sua segurança. E, sim, eu precisei ser… estratégico. Mas o amor que sinto por você… isso é a única coisa que é real."

Clara o observou, tentando decifrar a verdade em seus olhos. Havia verdade ali, ela sentia. Mas havia também uma sombra, uma complexidade que ela não conseguia desvendar. A história de sua família, o perigo que ela corria… tudo isso era parte do que ele estava falando?

"Quem são 'eles', Miguel? Que perigo eu corro?", ela perguntou, a voz mais baixa agora, a raiva substituída por uma curiosidade cautelosa.

Ele suspirou, passando as mãos pelos cabelos em um gesto de cansaço. "É uma longa história, Clara. Uma história suja, cheia de segredos e traições. Minha família… eles não são o que parecem. Eles têm inimigos. E você, por estar comigo, se tornou um alvo."

"E você achou que a melhor maneira de me proteger era me sequestrar?", ela disse, um resquício de sarcasmo ainda presente.

"Eu não sabia mais o que fazer!", ele implorou. "Eu estava em um beco sem saída. Eu precisava de tempo para resolver as coisas, para te livrar dessa ameaça de uma vez por todas. Eu… eu fui estúpido. Eu pensei que poderia controlar tudo, mas eu só causei mais dor."

Ele se aproximou novamente, dessa vez sem que ela recuasse. Ele segurou seu rosto entre as mãos, os polegares acariciando suas bochechas molhadas de lágrimas. "Clara, por favor, acredite em mim. Eu te amo. Cada palavra que eu disse, cada gesto, cada toque… tudo foi real. O que eu disse ontem… foi o desespero falando. Foi a minha maior fraqueza. Eu estava com medo de que você me odiasse se descobrisse a verdade sobre tudo isso."

Ela olhou em seus olhos, o coração partido em mil pedaços, mas sentindo um fio tênue de esperança, ou talvez apenas a necessidade desesperada de acreditar. A dor da traição era imensa, mas a ideia de que ele a amava, mesmo que essa declaração viesse em meio a uma confissão de manipulação, era um bálsamo que ela ansiava.

"Eu não entendo, Miguel", ela sussurrou, a voz embargada. "Eu não entendo nada."

"Eu te explicarei tudo", ele prometeu, a voz cheia de sinceridade. "Mas você precisa confiar em mim. Você precisa me dar uma chance para provar que o meu amor por você é a única coisa que importa."

Ele a puxou para um abraço, e desta vez, Clara não se afastou. Ela se agarrou a ele, buscando conforto no corpo que antes a aprisionara, mas que agora parecia ser o único lugar onde ela poderia encontrar algum tipo de refúgio. O gelo em seu coração ainda estava ali, mas o calor do abraço dele, a intensidade de sua voz, começavam a derreter algumas de suas barreiras. A verdade ainda estava envolta em sombras, mas o sussurro dela, finalmente, começava a ser ouvido.

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%