Meu Captor, Meu Amor

Meu Captor, Meu Amor

por Isabela Santos

Meu Captor, Meu Amor

Capítulo 22 — O Segredo Sussurrado na Madrugada

O ar da noite na mansão dos Vasconcelos era pesado, denso com a melodia silenciosa de segredos não contados. Helena, aninhada na cama que antes lhe parecia uma prisão, mas que agora se tornara um refúgio agridoce, não conseguia dormir. Os olhos fixos no teto escuro, a mente um turbilhão de imagens e sensações. A lembrança do beijo de Rafael, inesperado e avassalador, ainda queimava em seus lábios. Era errado, ela sabia. Absolutamente errado. Ele era seu captor, o homem que a mantivera afastada do mundo, o responsável por tantas noites de angústia e medo. E, ainda assim…

Uma pontada de culpa a corroeu. Ela estava se permitindo sentir algo por ele? Por aquele homem de olhar penetrante, voz grave que a desarmava, e mãos que, apesar da força, a tocavam com uma delicadeza que a confundia? A luta interna a consumia. Uma parte dela gritava por liberdade, por vingança, por voltar para a vida que lhe fora roubada. Outra, insidiosa e perigosa, ansiava pela presença dele, pelo calor de seus braços, pela segurança ilusória que ele parecia oferecer.

Um barulho suave a tirou de seus devaneios. A porta do quarto se abriu em um rangido quase inaudível, e a silhueta de Rafael surgiu na penumbra. Ele estava descalço, vestindo uma calça de moletom escura, o peito nu exposto ao frio da noite. Seus olhos, mesmo na escuridão, encontraram os dela com uma intensidade que a fez prender a respiração.

“Não consegue dormir?”, sua voz era um sussurro rouco, quebrando o silêncio opressor.

Helena assentiu, incapaz de formular uma resposta. Sentiu o coração acelerar, um ritmo frenético contra as costelas.

Ele se aproximou da cama, sentando-se na beira, a poucos centímetros dela. O cheiro amadeirado que emanava de sua pele a envolveu, familiar e perturbador. Ele não a tocava, mas a proximidade era palpável, elétrica.

“O que te aflige, Helena?”, ele perguntou, os olhos fixos em seu rosto. Havia uma sinceridade rara em seu tom, uma vulnerabilidade que desarmava um pouco a sua resistência.

Ela hesitou. A verdade era uma arma de dois gumes. Revelar o que sentia poderia ser a sua salvação, ou a sua perdição definitiva. Mas a necessidade de desabafar, de dividir o peso que a sufocava, era maior.

“Eu… eu não sei mais o que pensar, Rafael”, ela começou, a voz embargada. “Cada vez que acho que te entendo, você me surpreende. E o que mais me assusta é que… eu não consigo mais odiar você completamente.”

A confissão saiu como um suspiro, um segredo exposto à luz fraca do luar que filtrava pelas cortinas. Rafael permaneceu em silêncio por um longo momento, absorvendo suas palavras. O olhar dele se intensificou, uma mistura de surpresa, dor e algo que Helena não soube identificar.

“Eu sei que te causei dor, Helena. Mais do que você imagina”, ele disse, a voz baixa e carregada de um pesar genuíno. “E eu não peço seu perdão, não agora. Mas eu preciso que você saiba que… você não é mais minha prisioneira no sentido que você pensa.”

Helena franziu a testa, confusa. “O que você quer dizer com isso?”

Ele levou uma mão à nuca, um gesto de desconforto. “A situação em que nos encontramos… ela é complexa. E a verdade sobre o porquê de você estar aqui… ela é muito mais sombria do que você imagina. E envolve pessoas que você nem sequer conhece.”

Um arrepio percorreu a espinha de Helena. A ideia de perigos ainda maiores, de conspirações que ela não compreendia, a aterrorizou. “Do que você está falando, Rafael? Quem são essas pessoas?”

Ele olhou para ela, os olhos transmitindo uma urgência que a fez querer acreditar nele. “Se eu te contasse tudo agora, você não acreditaria. Ou pior, colocaria você em um perigo ainda maior. Eu estou tentando te proteger, Helena. Mesmo que minhas ações pareçam o contrário.”

“Me proteger? Me trancando em uma mansão? Longe de todos que amo?”, a revolta borbulhou em sua voz.

“Eu não tive escolha! Se eles soubessem que você estava segura comigo, eles te usariam contra mim. Eles a levariam de volta e fariam algo terrível com você. Algo que você não seria capaz de suportar.” A voz de Rafael estava carregada de uma emoção crua, um misto de raiva e desespero.

“E você acha que eu sou estúpida?”, ela retrucou, a voz falhando. “Acha que eu não percebo o jogo que você está jogando?”

Rafael aproximou-se mais, seus olhos buscando os dela com uma intensidade que a desarmava. “Eu nunca pensei que você fosse estúpida, Helena. Pelo contrário. Você é a mulher mais forte e inteligente que eu já conheci. Por isso mesmo, eu preciso que confie em mim. Pelo menos um pouco. Eu estou fazendo isso por nós.”

“Por nós?”, ela repetiu, a voz um sussurro trêmulo.

Ele assentiu, o olhar fixo no dela. “Eu sei que é difícil de acreditar. Eu sei que eu destruí sua confiança. Mas eu estou tentando consertar as coisas. Eu estou lutando contra eles, contra esse mundo que te aprisionou. E eu não posso fazer isso sozinho.”

Helena sentiu uma lágrima solitária escorrer por seu rosto. A vulnerabilidade dele, a sinceridade que ele demonstrava, abriam fendas em sua armadura. Ela estava confusa, assustada, mas uma pequena semente de esperança começava a germinar em seu peito.

“Eu não sei se consigo, Rafael”, ela confessou, a voz embargada. “Você me tirou tudo.”

“Eu sei. E eu me arrependo todos os dias”, ele disse, e a maneira como ele a olhou, com uma dor tão profunda em seus olhos, a fez sentir um aperto no peito. “Mas me dê uma chance. Uma chance de te mostrar que há mais por trás disso. Uma chance de te provar que eu posso ser o seu porto seguro, e não o seu algoz.”

Ele estendeu a mão, hesitantemente, e a tocou no rosto. Seus dedos, frios e quentes ao mesmo tempo, afastaram a lágrima. O contato era elétrico, e Helena sentiu um arrepio percorrer seu corpo. Ela fechou os olhos por um instante, absorvendo a sensação.

“Eu… eu não sei se posso confiar em você”, ela sussurrou, mas não havia mais a mesma convicção em sua voz.

“Eu não espero que você confie em mim agora”, Rafael disse, sua voz rouca e cheia de emoção. “Eu espero que você apenas me dê a chance de te reconquistar. De te mostrar que o homem que você pensa que eu sou, não é o homem que eu quero ser para você.”

Ele se aproximou ainda mais, e Helena sentiu a respiração dele em seu rosto. O mundo lá fora, com seus perigos e incertezas, parecia distante. Naquele momento, existiam apenas os dois, envoltos na penumbra da madrugada, com segredos sussurrados e corações em guerra.

“Eu preciso que você me diga que vai tentar, Helena”, ele murmurou, seus lábios roçando os dela.

Helena abriu os olhos e encontrou o olhar dele. Havia uma súplica silenciosa ali, uma promessa tácita de um futuro que ela mal conseguia vislumbrar. Ela respirou fundo, o ar pesado com a tensão e a expectativa.

“Eu… eu vou tentar, Rafael”, ela disse, a voz um fio de esperança.

Um pequeno sorriso surgiu nos lábios dele, um raio de sol tímido rompendo as nuvens. Ele se inclinou e, desta vez, o beijo foi diferente. Não era um beijo de posse, nem de raiva. Era um beijo de promessa, de incerteza, de um amor que ousava florescer nas cinzas da desconfiança. E, por um breve e deslumbrante momento, Helena se permitiu ser cativada por ele.

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