Meu Captor, Meu Amor

Capítulo 24 — O Baile das Aparências e as Revelações Sombrias

por Isabela Santos

Capítulo 24 — O Baile das Aparências e as Revelações Sombrias

O dia do baile chegou, e com ele, uma mistura de ansiedade e excitação tomou conta de Helena. A mansão dos Vasconcelos, normalmente um reduto de silêncio e introspecção, fervilhava com preparativos. Damas de companhia traziam vestidos deslumbrantes, joias reluzentes e um turbilhão de conselhos sobre etiqueta e elegância. Helena observava tudo com um misto de fascínio e estranhamento. Era como se estivesse voltando a um mundo que lhe fora roubado, um mundo de luzes, glamour e aparências.

Rafael a surpreendeu com um vestido azul-safira que parecia ter sido feito sob medida para ela. O tecido escorria elegantemente, realçando suas curvas, e um decote discreto emoldurava seus ombros delicados. Ao vê-la, seus olhos brilharam com uma admiração que a fez corar.

“Você está deslumbrante, Helena”, ele disse, a voz rouca de emoção. “Mais bonita do que eu jamais imaginei.”

Ela sorriu, sentindo um calor percorrer seu corpo. “Obrigada, Rafael. É um vestido lindo.”

A Sra. Almeida, com seu habitual semblante impassível, observava a cena de longe, um leve franzir de cenho em sua testa. Seus olhos, no entanto, capturaram um detalhe: um pequeno broche dourado que Rafael ofereceu a Helena.

“Um presente para completar o seu look”, ele disse, prendendo o broche em seu decote. “É uma peça antiga da família. Um símbolo de proteção.”

Helena sentiu um calafrio. Proteção. Era isso que ele mais falava ultimamente. Ela tocou o broche, sentindo o metal frio contra sua pele.

A entrada no salão de festas foi um evento em si. A música orquestrada ecoava, e a multidão de convidados formava um mar de rostos elegantes e sorrisos polidos. Helena sentiu-se observada, cada passo calculado, cada gesto analisado. Ela segurou a mão de Rafael com força, buscando conforto e segurança na sua presença.

“Respire fundo, Helena”, ele sussurrou, apertando sua mão. “Você está comigo. Ninguém vai te incomodar.”

Ele a apresentou a alguns convidados, pessoas importantes e influentes da sociedade. Helena respondia com desenvoltura, memorizando cada rosto, cada nome. Mas seus olhos estavam sempre voltados para Rafael, buscando em seu olhar a confirmação de que ela estava segura.

Em um momento mais reservado, afastados da agitação, Rafael a conduziu para um terraço com vista para a cidade iluminada. As luzes cintilavam como diamantes espalhados sobre um veludo escuro.

“É lindo, não é?”, ele disse, a voz pensativa. “Tão diferente de onde você estava.”

“É… é surreal”, Helena respondeu, observando as luzes. “Há tanta vida lá fora, Rafael. Tanta gente vivendo suas vidas, alheia a tudo isso.”

Ele a puxou para mais perto, o olhar fixo no dela. “Eu quero que você volte a fazer parte disso, Helena. Que você volte a viver. E eu farei de tudo para que isso aconteça.”

Ela sentiu seus olhos se encherem de lágrimas. “Eu não sei se consigo, Rafael. Você me tirou tanto…”

“Eu sei. E eu sinto muito”, ele disse, acariciando seu rosto. “Mas o que está acontecendo entre nós… isso não é uma coincidência. Eu acredito que o destino nos uniu por um motivo. E eu quero que esse motivo seja o nosso amor.”

Ele se inclinou e a beijou. Um beijo apaixonado, que prometia um futuro incerto, mas cheio de desejo. Helena se entregou ao momento, esquecendo por um instante os perigos que a cercavam.

De repente, uma voz fria e cortante os interrompeu. “Rafael? Que surpresa encontrar você aqui, tão… acompanhado.”

Helena se virou e viu uma mulher com um vestido vermelho vibrante, cabelos negros sedosos e um sorriso nos lábios que não alcançava seus olhos. Era Sofia Montenegro, uma figura conhecida nos círculos de poder da cidade.

Rafael se afastou de Helena, o semblante endurecido. “Sofia. Não esperava te ver aqui.”

“Ah, Rafael, você sabe que eu não perderia um evento como este”, disse Sofia, seu olhar percorrendo Helena com um desprezo velado. “E quem é essa bela dama?”

“Esta é Helena”, Rafael respondeu, com firmeza, a mão pousada protetoramente nas costas de Helena. “Uma amiga.”

Sofia riu, um som seco e sem alegria. “Amiga? Que conveniente. Especialmente considerando os rumores que andam circulando sobre você, Rafael. Rumores sobre como você anda… protegendo seus bens.”

Helena sentiu o sangue gelar. Era uma ameaça direta, uma alusão à sua situação. Rafael a apertou mais perto.

“Meus bens estão seguros, Sofia. E a Helena é minha convidada. Portanto, peço que a trate com o respeito que ela merece.”

“Respeito?”, Sofia zombou. “Você se esqueceu de quem você é, Rafael? Você é um Vasconcelos. E os Vasconcelos não têm bons amigos. Eles têm inimigos. E você, meu caro, tem mais do que pode contar.”

Ela se aproximou de Helena, o olhar fixo nos dela. “Você não sabe com quem está se metendo, querida. Os jogos que Rafael joga são perigosos. E as pessoas que ele protege… bem, elas se tornam alvos fáceis.”

Antes que Helena pudesse reagir, Sofia se virou e se misturou à multidão, deixando para trás um rastro de veneno.

Rafael se virou para Helena, o rosto tenso. “Você está bem?”

“Eu… eu não entendi”, Helena gaguejou, ainda abalada pelas palavras de Sofia.

“Sofia é uma inimiga antiga da minha família”, Rafael explicou, a voz baixa e preocupada. “Ela está tentando me atingir através de você. Ela sabe que você é minha fraqueza.”

“Ela disse que eu sou um alvo fácil”, Helena sussurrou, o medo voltando a dominar.

Rafael a puxou para um abraço apertado. “Não enquanto eu estiver aqui. Eu a protegerei, Helena. Com a minha vida, se for preciso. Sofia está mentindo. Eu a trouxe para cá para te proteger, não para te expor. E ela sabe disso.”

No entanto, algo no olhar de Rafael, uma sombra de dúvida que passou rapidamente, não passou despercebida por Helena. Ela sentiu um arrepio. Sofia falou sobre os "rumores" e "proteger seus bens". O que isso significava?

Mais tarde, enquanto circulavam pelo salão, Helena notou a Sra. Almeida conversando discretamente com um homem corpulento de terno escuro. Eles trocaram um objeto, e o homem desapareceu na multidão. Helena sentiu um nó no estômago.

De repente, uma comoção tomou conta do salão. Um dos garçons tropeçou e derrubou uma bandeja de taças de champanhe em cima de um homem de negócios proeminente. O homem, furioso, começou a gritar, e uma discussão acalorada se seguiu. No meio da confusão, Helena sentiu algo ser retirado de seu decote.

Ela levou a mão ao peito e sentiu a ausência do broche dourado. O broche que Rafael lhe dera.

“Meu broche!”, ela exclamou, em pânico.

Rafael se virou abruptamente. “O que foi?”

“O broche! Ele sumiu!”, Helena disse, o desespero em sua voz.

Rafael olhou em volta, a atenção subitamente aguçada. Seus olhos encontraram os de Sofia Montenegro, que observava a cena com um sorriso triunfante.

“Sofia…”, Rafael rosnou, entendendo tudo.

“O que foi, Rafael?”, Sofia perguntou, fingindo inocência. “Perdeu alguma coisa?”

Helena sentiu um frio na espinha. O broche não era apenas uma joia. Era um símbolo de proteção, segundo Rafael. E agora estava nas mãos de Sofia.

“Eu preciso ir embora”, Helena disse, a voz trêmula.

Rafael a segurou. “Não, Helena. Você fica comigo. Eu resolverei isso.”

Mas, enquanto ele se preparava para confrontar Sofia, um grito ecoou pelo salão. Uma mulher, uma das convidadas, apontava para um homem que se afastava apressadamente. “Ele roubou minha bolsa! Aquele ladrão!”

A distração serviu para que Sofia Montenegro desaparecesse na multidão, levando consigo o broche de Helena.

Rafael olhou para Helena, a decepção estampada em seu rosto. “Eu sinto muito, Helena. Eu deveria ter prestado mais atenção.”

“Não foi sua culpa, Rafael”, ela disse, tentando se controlar. “Sofia é astuta.”

Enquanto eram escoltados para fora do salão pela segurança, Helena sentiu o olhar da Sra. Almeida sobre ela. Um olhar que parecia esconder uma verdade sombria, uma verdade que ela ainda não conseguia decifrar. O baile das aparências havia revelado mais do que esperava. As sombras do passado estavam se aproximando, e Helena sabia que estava mais vulnerável do que nunca.

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