Meu Captor, Meu Amor III

Capítulo 12 — A Aliança Improvável e a Fagulha da Rebelião

por Valentina Oliveira

Capítulo 12 — A Aliança Improvável e a Fagulha da Rebelião

O amanhecer raiou tímido, pintando o céu com tons de rosa e laranja, um espetáculo de beleza que contrastava com a tempestade interna que assolava Helena. A noite anterior havia sido um divisor de águas, a verdade cruel mas libertadora sobre a teia de manipulação orquestrada por seu falecido sogro desvendada. Ricardo, com a alma exposta, revelara a extensão da crueldade do pai, a instrumentalização de suas vidas em nome do poder e do controle. A descoberta de que Sofia era, de fato, fruto de um amor genuíno, mas interrompido, reacendeu nela uma chama de esperança que ela julgava extinta.

Sentada à mesa da cozinha imponente, o aroma do café fresco pairando no ar, Helena sentia o peso da responsabilidade sobre os ombros. Ricardo a observava com uma ternura que a desarmava. Ele havia passado a noite em claro, planejando, calculando, preparando-se para a batalha iminente.

“Você precisa comer alguma coisa,” ele disse, colocando uma xícara fumegante de café e um prato com frutas frescas à sua frente. “Você não pode enfrentar o que vem pela frente com o estômago vazio.”

Helena sorriu fracamente, grata pelo gesto simples. “Obrigada, Ricardo.” Ela pegou um morango, sentindo o sabor adocicado em sua boca. “Eu ainda estou tentando processar tudo. Saber que minha vida foi uma peça de teatro… é avassalador.”

“Eu sei. E me perdoe por ter feito parte disso. Meu pai era um homem sem escrúpulos. Ele via as pessoas como ferramentas, e eu fui uma de suas ferramentas mais bem treinadas.” Ricardo suspirou, a culpa visível em seus olhos. “Mas as coisas mudaram, Helena. Eu mudei. Você mudou a mim.”

“E agora que sabemos a verdade, o que faremos?” Helena perguntou, a voz firme. “Seu pai… quer dizer, o pai do seu marido… ele ainda está por aí. E ele não vai nos deixar em paz.”

“Exatamente. Ele é perigoso. Ele tem recursos, contatos. Ele não hesitará em usar qualquer meio para nos destruir, para manter seu império intacto. Precisamos de um plano. Um plano que o pegue desprevenido.” Ricardo olhou para ela, seus olhos brilhando com uma inteligência afiada. “E para isso, precisaremos de aliados.”

“Aliados?” Helena franziu a testa. “Quem confiaria em nós? Quem se arriscaria contra o poder dele?”

“Há pessoas que foram prejudicadas por ele, Helena. Pessoas que ele arruinou, que ele humilhou. Pessoas que, como nós, anseiam por justiça. E há aqueles que, por razões próprias, desejam vê-lo cair.” Ricardo pegou um tablet e começou a digitar, projetando um organograma complexo na tela. “Eu tenho uma lista. Pessoas que, se abordadas corretamente, podem se tornar nossos aliados mais fortes.”

Enquanto Ricardo explicava seu plano, Helena sentiu uma faísca de esperança se acender. Havia pessoas no mundo que também haviam sofrido nas mãos de seu sogro, e que poderiam se unir a eles. A ideia de formar uma aliança improvável, de unir forças contra um inimigo comum, era audaciosa, mas também promissora.

“E quem seria o primeiro em quem confiaríamos?” Helena perguntou, curiosa.

“Temos que começar com alguém que entende o submundo, alguém que tem acesso às informações que precisamos, e que tem um motivo pessoal para odiar o Sr. Alencar,” Ricardo respondeu, os olhos fixos em um nome na tela. “Temos que ir atrás de Sofia Alencar. Sua tia.”

Helena ficou chocada. Sofia Alencar, a mulher que ela conheceu superficialmente no evento de caridade, que parecia tão fria e distante. “Sofia? Mas… ela sempre pareceu tão leal ao marido dela, ao seu pai.”

“A lealdade dela foi forçada, Helena. Assim como a minha. O Sr. Alencar a humilhou, a diminuiu, a controlou de todas as formas possíveis. Ele destruiu o relacionamento dela com o irmão, o seu marido. Ela tem suas próprias cicatrizes, suas próprias mágoas. E eu tenho informações que provam que ela está investigando o pai dela em segredo há meses.”

A ideia era arriscada, mas fazia sentido. Sofia, a única família restante do seu falecido marido, seria uma peça chave. Se ela estivesse disposta a colaborar, teriam acesso a informações cruciais e a uma aliada interna.

“Precisamos ser cautelosos,” Helena alertou. “Não podemos confiar cegamente em ninguém. E o Sr. Alencar tem olhos e ouvidos por toda parte.”

“Eu sei. Por isso, faremos isso à moda antiga. Nada de tecnologia, nada de ligações. Encontros secretos, mensagens codificadas. Precisaremos de discrição absoluta.” Ricardo deu um sorriso enigmático. “Eu tenho um plano para abordá-la. Um plano que irá despertar o interesse dela, e a convencer de que estamos do mesmo lado.”

Helena concordou, sentindo uma onda de adrenalina percorrer seu corpo. A rebelião estava começando. A luta pela verdade e pela justiça, pela proteção de Sofia, sua filha, seria longa e perigosa, mas ela estava pronta. Ao lado de Ricardo, ela se sentia mais forte, mais determinada.

Nos dias seguintes, a cidade se tornou um cenário de intrigas e encontros clandestinos. Helena e Ricardo se moviam nas sombras, tecendo uma rede de contatos com a cautela de espiões. O primeiro encontro com Sofia Alencar foi tenso. Ocorreu em um café discreto, em um bairro afastado do centro da cidade. Sofia, impecável em seu traje de negócios, parecia desconfiada, seus olhos verdes perscrutando cada movimento deles.

“O que vocês querem?” a voz de Sofia era fria, controlada. “Não tenho tempo para jogos.”

Ricardo a encarou, sua expressão séria. “Queremos justiça, Sra. Alencar. E sabemos que a senhora também. Sabemos que o Sr. Alencar não é o homem que todos pensam que ele é. Sabemos que ele prejudicou a senhora, assim como prejudicou a Helena.”

Sofia arqueou uma sobrancelha, um leve tremor em sua voz. “Vocês estão enganados.”

Helena interveio, sua voz suave, mas firme. “Sua lealdade ao Sr. Alencar é admirável, mas também compreensível. Ele sabe como manipular as pessoas. Mas eu sei o que ele fez. E sei que ele destruiu a vida do homem que eu amava. E que ele nos separou, a mim e à minha filha.”

Ricardo pegou um envelope pardo de seu bolso. “Temos informações que provam a extensão dos crimes dele. Informações que podem derrubá-lo. E sabemos que a senhora está investigando há meses. Não estamos aqui para julgá-la, Sra. Alencar. Estamos aqui para oferecermos uma aliança. Juntas, podemos expor a verdade e garantir que ele pague por tudo o que fez.”

Sofia pegou o envelope, seus dedos tremendo levemente. Ela o abriu, seus olhos correndo pelas páginas. Um silêncio tenso se instalou. O aroma do café parecia ter evaporado, substituído pela tensão palpável.

Finalmente, Sofia fechou o envelope, seu rosto uma máscara de emoções contidas. “Vocês estão me pedindo para trair meu próprio pai.”

“Seu pai é um monstro, Sra. Alencar,” Ricardo disse, sua voz calma, mas incisiva. “Ele é um perigo para todos nós. E, como irmã dele, a senhora tem o poder de detê-lo. A senhora tem o poder de garantir que a memória do seu irmão seja honrada, e que a verdade venha à tona.”

Sofia olhou para Helena, para a dor genuína em seus olhos, para a força que ela emanava. Ela viu em Helena um reflexo de sua própria dor, de sua própria busca por justiça. E, pela primeira vez, a dúvida sobre a lealdade inabalável ao pai começou a tomar forma em sua mente.

“Eu preciso pensar,” ela disse, sua voz um sussurro. “Me deem tempo.”

“Precisamos de sua resposta o mais rápido possível, Sra. Alencar,” Ricardo insistiu. “O tempo está se esgotando.”

Enquanto Sofia se levantava para ir embora, Helena a chamou. “Sofia, por favor. Não deixe que ele controle sua vida para sempre. Não deixe que ele destrua mais famílias.”

Sofia parou, seu olhar cruzando o de Helena. Um brilho de determinação surgiu em seus olhos. Ela assentiu levemente e saiu do café, deixando Helena e Ricardo em um silêncio expectante.

A fagulha da rebelião havia sido acesa. A aliança improvável estava se formando nas sombras. A luta contra o império de Alencar estava apenas começando, e Helena sentia, pela primeira vez em muito tempo, que ela não estava sozinha. A verdade, por mais perigosa que fosse, estava se tornando sua arma mais poderosa.

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