Meu Captor, Meu Amor III

Capítulo 14 — A Armadilha da Confiança e o Preço da Traição

por Valentina Oliveira

Capítulo 14 — A Armadilha da Confiança e o Preço da Traição

O silêncio da madrugada era quase palpável, um contraste gritante com a tempestade de incertezas que assolava Helena. A revelação sobre Sofia Alencar pairava como uma nuvem negra sobre a aliança recém-formada. A possibilidade de que ela fosse cúmplice do próprio pai, o homem que mais haviam tentado derrubar, era um golpe devastador. Ricardo, visivelmente abalado, tentava racionalizar a situação, mas a semente da dúvida fora plantada.

“Precisamos ter certeza antes de confrontá-la,” Ricardo disse, andando de um lado para o outro na sala de estar luxuosa. “Se ela realmente estiver envolvida, será uma armadilha. E se estivermos errados, podemos perder a única chance que temos de derrubar o pai dela.”

Helena sentou-se no sofá de couro, a seda do vestido deslizando suavemente. “Eu sei. Mas não podemos ignorar o que ouvimos. E se o que ouvimos for verdade? E se Sofia estiver usando a nós para proteger a si mesma ou ao pai?”

“Não,” Ricardo insistiu, parando diante dela. “Sofia tem suas próprias motivações. Ela sofreu nas mãos do pai dela. Ela não é como ele. Eu sei que não é.” Havia uma convicção em sua voz que, apesar de tudo, acalmava Helena. Ele conhecia sua família, suas nuances, suas cicatrizes.

“Então o que fazemos?” Helena perguntou, olhando para ele com expectativa.

“Precisamos de provas irrefutáveis. E a única pessoa que pode nos dar isso é a própria Sofia. Precisamos de um encontro, desta vez sem rodeios. Precisamos colocar as cartas na mesa e ver como ela reage.” Ricardo pegou o telefone. “Eu vou ligar para ela.”

A ligação foi breve e tensa. Ricardo marcou um encontro para o dia seguinte, em um local neutro, longe dos olhares curiosos. A notícia se espalhou como pólvora pelo submundo, e o Sr. Alencar, com seus informantes em todos os cantos, não tardou a saber do movimento.

No dia seguinte, a atmosfera estava carregada de expectativa. O local escolhido era um jardim botânico, um oásis de paz em meio à agitação da cidade. As plantas exuberantes e o canto dos pássaros criavam um cenário quase surreal para a conversa que estava por vir. Helena e Ricardo chegaram primeiro, observando cada rosto, cada movimento.

Sofia apareceu pontualmente, seu semblante mais tenso do que nunca. Ela usava um vestido simples, mas elegante, e seus olhos verdes pareciam mais profundos, carregados de uma melancolia que Helena não havia notado antes.

“Ricardo. Helena,” ela cumprimentou, sua voz firme, mas com um tremor quase imperceptível. “O que vocês querem?”

Ricardo a encarou, sua expressão séria. “Sofia, nós ouvimos uma conversa ontem à noite. Uma conversa que nos deixou muito preocupados.” Ele hesitou, buscando as palavras certas. “Ouvimos dizer que você está envolvida com seu pai em suas atividades ilícitas. Que você tem ajudado a esconder o dinheiro dele.”

O rosto de Sofia empalideceu. Seus olhos se arregalaram em choque e incredulidade. “O quê? Isso é um absurdo! Quem disse isso a vocês?”

“Não importa quem disse,” Helena interveio, sua voz suave, mas firme. “O que importa é a verdade. Sofia, olhe para nós. Olhe para mim. Eu preciso saber. Você está com seu pai? Você está nos traindo?”

Sofia olhou para Helena, e por um instante, Helena viu uma onda de dor genuína passar pelos olhos da outra mulher. “Helena, eu… eu nunca trairia você. Eu nunca trairia a memória do seu marido. Eu juro.”

“Mas você está ajudando seu pai?” Ricardo pressionou, a desconfiança ainda presente em sua voz.

Sofia respirou fundo, parecendo lutar contra algo interno. “Eu… eu tenho mantido contato com meu pai. Ele me pressionou. Ele ameaçou expor coisas que… que eu não quero que venham à tona. Coisas sobre o meu passado, sobre erros que cometi.”

Helena sentiu um aperto no peito. A confissão de Sofia era dolorosa, mas também reveladora. Era a confirmação de que o Sr. Alencar sabia como manipular, como usar os pontos fracos das pessoas.

“Que coisas, Sofia?” Helena perguntou gentilmente. “Conte-nos. Talvez possamos ajudar.”

Sofia hesitou, seu olhar vagando pela paisagem exuberante. “Eu… eu tive um problema no passado. Um deslize. Meu pai me ajudou a encobrir. Ele me deu dinheiro, me ajudou a sair daquela situação. Mas ele nunca esquece. Ele usa isso contra mim, sempre que quer. E agora, ele quer que eu o ajude a esconder o dinheiro de um novo esquema. Ele me disse que se eu não o fizesse, ele me entregaria à polícia.”

Ricardo fechou os olhos, um misto de alívio e decepção em seu rosto. Sofia não era cúmplice por vontade própria, mas estava sendo coagida. “Então você está sendo chantageada.”

Sofia assentiu, lágrimas escorrendo por seu rosto. “Sim. Eu me sinto suja, Ricardo. Eu me sinto enojada comigo mesma. Mas eu não vejo outra saída.”

Helena se aproximou de Sofia, colocando a mão em seu ombro. “Você tem uma saída, Sofia. Nós podemos te ajudar. Podemos encontrar uma maneira de lidar com o seu pai, de expor os crimes dele e, ao mesmo tempo, te livrar dessa chantagem.”

“Mas como?” Sofia perguntou, a esperança surgindo em seus olhos. “Ele é poderoso. Ele tem tudo sob controle.”

Ricardo sorriu, um sorriso genuíno que Helena não via há tempos. “Ele pensa que tem. Mas ele não conta com a nossa determinação. E ele não conta com a verdade. Nós encontramos uma maneira de quebrar o controle dele. Precisamos apenas que você confie em nós, Sofia. E que nos ajude a expor tudo.”

O plano que eles traçaram era ousado. Sofia, sob a supervisão de Ricardo, fingiria cooperar com o pai, enquanto secretamente coletaria provas de seus crimes. Helena, por sua vez, usaria seus contatos para garantir que as informações chegassem às mãos certas, aos órgãos de imprensa e às autoridades competentes.

Sofia, sentindo um fio de esperança, concordou. A confiança estava sendo reconstruída, tijolo por tijolo. Mas o Sr. Alencar não era um homem de se deixar enganar facilmente. Ele sentia que algo estava mudando, que a lealdade de sua filha estava sendo testada.

Dias se transformaram em semanas. Sofia, com a ajuda de Ricardo, começou a coletar informações valiosas. Ela gravou conversas, obteve acesso a documentos sigilosos, e enviou tudo discretamente para Ricardo. A cada passo, o risco aumentava. O Sr. Alencar, sentindo a desconfiança crescer, começou a apertar o cerco.

Em uma noite fatídica, enquanto Sofia estava em seu apartamento, compilando as últimas provas, o Sr. Alencar apareceu inesperadamente. Ele sabia que algo estava errado. Sua expressão era fria e implacável.

“Sofia,” ele disse, sua voz um rosnado baixo. “O que você está fazendo?”

Sofia tentou manter a calma, mas seu coração batia descompassado. “Nada, pai. Apenas organizando alguns papéis.”

O Sr. Alencar deu um sorriso cruel. “Eu sei o que você está fazendo, Sofia. Eu sei que você está me traindo. Eu sei que você está com Ricardo e Helena.” Seus olhos faiscaram com fúria. “Você acha que pode me desafiar?”

Antes que Sofia pudesse responder, o Sr. Alencar a agarrou pelo braço, sua força surpreendente para sua idade. “Você vai se arrepender disso, Sofia. Você vai se arrepender de ter se virado contra mim.”

Naquele exato momento, Ricardo e Helena, que haviam sido alertados por um contato de Sofia, invadiram o apartamento. A cena era caótica. O Sr. Alencar, furioso, tentava fugir, mas Ricardo o confrontou. Uma luta se seguiu, a tensão explodindo em violência.

No meio da confusão, Helena viu algo que a gelou até os ossos. O Sr. Alencar, em sua tentativa de escapar, pegou uma pequena caixa de joias que estava sobre a mesa. Helena reconheceu a caixa. Era a mesma caixa que seu falecido marido usava para guardar as cartas de amor de sua mãe. E o Sr. Alencar a pegou como se fosse um troféu.

“Não!” Helena gritou, avançando em direção a ele.

O Sr. Alencar, surpreso com a investida de Helena, a empurrou com força. Helena cambaleou para trás, batendo a cabeça em um móvel. A última coisa que ela viu antes de tudo escurecer foi o rosto furioso de Ricardo, lutando contra o Sr. Alencar.

A confiança havia sido testada, a traição parecia iminente, mas no fim, a coragem de Sofia e a determinação de Helena e Ricardo haviam levado a verdade à tona. O preço, no entanto, seria alto.

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