Meu Captor, Meu Amor III

Capítulo 2 — O Abraço da Sombra e a Promessa de Proteção

por Valentina Oliveira

Capítulo 2 — O Abraço da Sombra e a Promessa de Proteção

O silêncio que se seguiu à ligação fantasma de Victor Alencar era mais ensurdecedor do que qualquer grito. Isadora ficou paralisada, o eco da voz fria dele ressoando em seus ouvidos, o cheiro metálico do medo voltando com força total. As luzes fluorescentes do escritório, antes um símbolo de seu sucesso, agora pareciam frias e opressoras. Ela olhou pela janela, para a paisagem urbana que se estendia sob ela, uma tapeçaria de concreto e vidro. Onde quer que ela estivesse, ele a encontraria. A certeza era um punhal afiado cravado em seu peito.

“Isadora? Tudo bem?” Clara, percebendo a palidez súbita da chefe, aproximou-se com cautela.

Isadora piscou, tentando focar. “Clara, eu… eu preciso sair. Agora.”

“Aconteceu alguma coisa? O Sr. Almeida está esperando por você no almoço.”

“Não importa. Eu preciso ir para casa. Ligue para o Gabriel. Diga que… diga que preciso dele com urgência. E chame a segurança. Todas as unidades disponíveis.”

Clara, acostumada à discrição e profissionalismo de Isadora, percebeu a gravidade da situação. O tom de voz, a urgência. “Sim, senhora Santos. Imediatamente.”

A saída do prédio foi um borrão. Isadora sentiu-se observada a cada passo. Os seguranças, com seus rostos impassíveis, formaram um cordão de proteção ao redor dela. O carro blindado estava à espera. O motorista, um homem corpulento e de poucas palavras, abriu a porta.

“Para casa, senhorita.”

No trajeto, Isadora tentava desesperadamente ligar para Gabriel. O celular, antes uma ferramenta de conexão, agora parecia um portal para a vulnerabilidade. Finalmente, a chamada foi atendida.

“Izzy? O que houve? Você está bem?” A voz de Gabriel, antes um bálsamo, agora soava como um alerta.

“Gabriel, pelo amor de Deus, eu preciso que você me escute com atenção. Não pergunte nada. Apenas me escute e faça o que eu digo.” Sua voz estava embargada pela urgência e pelo medo crescente.

“O que está acontecendo?”

“Victor Alencar. Ele ligou para mim. Ele… ele sabe onde estamos. Ele mencionou você, Gabriel. Ele disse que quer algo que eu protejo.”

Um silêncio tenso pairou na linha. Isadora podia sentir a raiva e a preocupação de Gabriel se acumularem.

“Ele não pode estar solto. Ele está preso.”

“Eu não sei, Gabriel. Mas ele ligou. E a voz dele… era ele. Ele quer nos destruir. Ele quer você.” As palavras saíam em um fluxo rápido, quase sem fôlego. “Eu preciso que você saia daí agora. Vá para o apartamento. Se tranque. Não abra a porta para ninguém. Eu estou a caminho. A segurança está a caminho.”

“Izzy, calma. Respire. Eu estou indo para casa. Estou com meu celular no carro. Não estou no escritório. Estou voltando para casa agora.”

O alívio misturado ao pavor tomou conta de Isadora. Ele estava voltando para casa. Para ela. Para o lugar que eles consideravam o refúgio mais seguro.

“Por favor, Gabriel. Cuidado. Eu não sei como ele conseguiu ligar. Não sei se ele tem alguém te observando. Apenas seja cauteloso.”

“Eu sou sempre cauteloso quando se trata de você, meu amor. Eu vou para casa. Fique calma. Eu te amo.”

“Eu também te amo.” A chamada foi encerrada. Isadora sentiu uma pontada de esperança. Gabriel era forte, inteligente. Eles haviam superado coisas terríveis juntos.

Ao chegar ao apartamento, a atmosfera era tensa. A segurança privada já havia isolado a área. Os porteiros, visivelmente apreensivos, confirmaram que nada incomum havia ocorrido. No interior, Isadora correu para o quarto. O lado de Gabriel na cama estava vazio. Ela sentiu um frio na espinha.

“Gabriel?”, chamou, a voz trêmula.

Ele apareceu na porta do quarto, com a expressão séria, mas com um brilho de determinação nos olhos. Ele havia trocado de roupa, estava vestindo um jeans escuro e uma camiseta preta, a imagem de um homem pronto para a batalha.

“Estou aqui, meu amor.” Ele a abraçou com força, a força reconfortante que sempre a acalmava. “Eu te disse que cuidaria de você. E eu vou.”

Isadora se aninhou em seus braços, inalando o cheiro familiar dele. Aquele cheiro de proteção, de lar. “Eu fiquei com tanto medo. A voz dele… era tão real.”

“Eu sei. Mas ele está tentando te assustar, Isadora. E ele consegue. Mas nós somos mais fortes do que ele imagina. Nós já enfrentamos ele antes.”

“Mas ele parecia diferente. Mais… calculista. E como ele ligou? Como ele sabia?”

Gabriel a afastou um pouco, segurando seu rosto entre as mãos. “Não vamos nos perder nesses ‘comos’ agora. O que importa é que ele voltou. E nós vamos lidar com isso. Juntos.”

Ele a beijou, um beijo longo e profundo, que transmitia mais do que palavras: promessa, amor e a certeza de que, juntos, eles eram capazes de enfrentar qualquer coisa.

“Eu já contatei um contato meu na polícia. Alguém que me deve um favor. Quero saber sobre a situação legal de Victor Alencar. Se há alguma brecha, alguma possibilidade de ele ter saído ou ter influência lá de dentro.”

“E o que mais podemos fazer?”

“Por enquanto, discrição. Não podemos alertá-lo de que sabemos que ele está em jogo. Precisamos de tempo para planejar. E você, meu amor, você precisa se manter segura. Não saia de casa sem mim. A segurança extra vai ficar aqui. E se sentir qualquer coisa fora do comum, qualquer um que te pareça suspeito… você me liga. Imediatamente.”

Isadora assentiu, sentindo um fio de esperança. Gabriel era seu rochedo. Com ele ao seu lado, ela se sentia mais forte.

“E sobre o evento beneficente amanhã?”

Gabriel ponderou por um momento. “Se você se sentir segura, podemos ir. Seria um sinal de que ele não nos intimidou. Mas a decisão é sua. Se quiser cancelar, eu te apoio.”

Isadora pensou na sua mãe, no propósito da fundação. Ela não deixaria Victor Alencar roubar isso dela também. “Não. Nós vamos. Eu preciso mostrar que não tenho medo.”

“É assim que eu gosto. A minha mulher, corajosa e determinada.” Ele a puxou para mais perto. “Mas não vamos baixar a guarda. Essa noite, vamos ficar aqui. Juntos. E vamos pensar em como vamos acabar com isso de uma vez por todas.”

A noite caiu sobre a cidade. Dentro do apartamento luxuoso, a tensão ainda pairava, mas era temperada pela presença um do outro. Conversaram sobre o passado, sobre as cicatrizes que Victor Alencar havia deixado, mas principalmente sobre o futuro que eles construíam, dia após dia, com amor e resiliência. Gabriel a abraçava, enquanto olhavam para as luzes da cidade, um símbolo de um mundo que, para eles, se tornara um campo de batalha, mas também um palco para a prova de que o amor, quando verdadeiro, era a arma mais poderosa de todas. A sombra do passado havia retornado, mas a luz que emanava do amor de Isadora e Gabriel parecia mais forte do que nunca, pronta para iluminar o caminho e dissipar qualquer escuridão que ousasse se aproximar.

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