Meu Captor, Meu Amor III
Capítulo 4 — A Revelação Sombria e o Plano de Confronto
por Valentina Oliveira
Capítulo 4 — A Revelação Sombria e o Plano de Confronto
A noite se estendeu para além do evento beneficente, envolvendo Isadora e Gabriel em um refúgio temporário, um apartamento seguro, escondido nos confins da cidade. A adrenalina da noite anterior ainda corria em suas veias, mas agora dava lugar a uma sensação de urgência e à necessidade de traçar um plano contra a ameaça iminente. Gabriel revisava a mensagem do delegado Almeida em seu celular seguro, enquanto Isadora observava as luzes distantes, o coração batendo em um ritmo ansioso.
“Ele não está solto, mas age como se estivesse”, Gabriel murmurou, sua voz carregada de frustração. “Victor está usando a influência dele para manipular o sistema, para tirar seus capangas do radar, mesmo que temporariamente. ‘O Sombra’ é apenas um deles.”
“Então Victor está planejando algo grande”, Isadora completou, a mente correndo a mil por hora. “Algo que justifica a liberação temporária de seus homens mais perigosos.”
“Exatamente. E tudo indica que o alvo somos nós. Ou, mais especificamente, você. Ele quer te machucar, Isadora. Ele quer te ver sofrer. E ele acha que te tirar de mim é a maneira mais eficaz de fazer isso.” Gabriel se virou para ela, seus olhos verdes fixos nos dela, cheios de uma determinação feroz. “Mas ele subestima o que nós construímos. Ele subestima o nosso amor.”
Isadora assentiu, sentindo a força emanar dele. “Ele é perigoso, Gabriel. Ele é implacável. Precisamos ser mais espertos. Precisamos pensar como ele.”
“Eu já estou pensando nisso. O delegado Almeida está monitorando tudo. Ele acredita que Victor está usando uma rede de comunicações clandestinas para manter contato com seus homens lá fora. O problema é rastrear isso sem alertá-lo.”
“E se nós usarmos isso contra ele?”, sugeriu Isadora, uma faísca de ideia surgindo em seus olhos. “E se nós o fizermos acreditar que está no controle, enquanto, na verdade, nós o estamos levando para uma armadilha?”
Gabriel a olhou, um sorriso lento e perigoso surgindo em seus lábios. “Eu gosto do seu jeito de pensar, meu amor. Diga-me mais.”
“Victor quer me assustar, quer me ver sofrer. Ele quer me tirar de você. O que ele mais deseja é nos separar. E se nós fizermos ele pensar que essa é a estratégia mais fácil?”
“Você quer dizer… fingir que estamos caindo no jogo dele?”
“Exatamente. Ele libertou ‘O Sombra’ para nos vigiar, para nos testar. Ele acredita que estamos vulneráveis. E se nós o fizermos pensar que estamos mais vulneráveis do que nunca? Que estamos desesperados para nos proteger, e que a única maneira de fazer isso é nos afastarmos?”
Gabriel começou a andar pela sala, a mente fervilhando com as possibilidades. “Isso poderia funcionar. Daria a ele uma falsa sensação de controle. E nos daria tempo para preparar a nossa própria ofensiva. Mas como faríamos isso sem que ele percebesse?”
“Precisamos de uma mensagem. Uma mensagem que chegue até ele, mas que pareça vir de uma fonte inesperada. Talvez através de um dos contatos dele que foi… desativado por nós no passado.”
“Isso é arriscado. Poderia alertá-lo de que sabemos quem ele é.”
“Mas e se a mensagem for sutil? Algo que o leve a acreditar que nós estamos nos afastando, que você está se preocupando mais em se proteger do que em proteger a mim. Isso poderia despertar nele a ideia de que ele venceu, de que ele está nos separando.”
Gabriel parou e a olhou, os olhos brilhando com a audácia do plano. “Você é brilhante, Isadora. E perigosa. Gosto disso.” Ele a puxou para si, beijando-a com a intensidade que só eles conheciam. “Vamos fazer isso. Vamos jogar o jogo dele, mas pelas nossas regras.”
Nos dias seguintes, a fachada foi cuidadosamente construída. Gabriel começou a agir de forma mais reservada, com uma preocupação exagerada pela segurança de Isadora, a ponto de parecer desconfiança. Ele limitava suas saídas, aumentava a segurança ao redor dela de forma ostensiva, e evitava conversas sobre o futuro. As chamadas para o delegado Almeida se tornaram mais raras, e quando ocorriam, eram breves e cheias de incertezas.
O objetivo era claro: fazer Victor Alencar acreditar que Gabriel, o homem que tudo fez para protegê-la, estava começando a vacilar sob a pressão. Que o medo de perdê-la estava o consumindo, e que ele estava se afastando, tentando se proteger de uma forma que o deixava vulnerável a outros ataques.
“Ele precisa acreditar que você está se isolando para se proteger, que está se tornando paranoico”, explicou Gabriel a Isadora. “Isso vai atiçar a vaidade dele, vai fazê-lo pensar que está vencendo. E ele vai relaxar a guarda.”
Isadora, por sua vez, assumiu um papel de vítima assustada, mas resiliente. Ela demonstrava uma tristeza velada, uma saudade dos tempos em que a segurança era inabalável, mas sem nunca demonstrar desespero. Era uma dança perigosa, no fio da navalha, onde um passo em falso poderia significar o fim.
Uma noite, Gabriel recebeu um e-mail em seu computador seguro. Era de um de seus contatos antigos, um homem que havia trabalhado com Victor e que agora, por motivos próprios, estava disposto a cooperar. O e-mail continha um breve relato sobre as movimentações de Victor e seu principal executor, o Sombra.
“Ele está se sentindo confiante”, leu Gabriel em voz alta para Isadora. “Victor acredita que você está se afastando de mim. Que o nosso relacionamento está se deteriorando sob a pressão. E ele está começando a planejar o golpe final.”
“E qual é o golpe final?”, perguntou Isadora, o coração apertado.
“Ele quer te pegar desprevenida. Ele acredita que, se você estiver mais isolada, mais assustada, será mais fácil de te capturar. Ele quer te usar como moeda de troca para me controlar, ou para te destruir de vez.”
“Ele está completamente enganado”, disse Isadora, com uma firmeza que surpreendeu até a si mesma. “Ele não vai me pegar. E você não vai me perder.”
Gabriel a abraçou com força. “Nunca. E agora, nós vamos usar essa confiança dele contra ele.”
O plano de confronto começou a tomar forma. O delegado Almeida, com as informações que Gabriel lhe passava, começou a montar uma operação. O objetivo não era apenas prender Victor Alencar e seus capangas, mas desmantelar toda a rede que ele havia construído.
“Precisamos de uma isca”, disse Gabriel. “Algo que o leve a acreditar que ele está prestes a conseguir o que quer. Algo que o coloque em um lugar onde possamos cercá-lo.”
“E se essa isca for o próprio Gabriel?”, sugeriu Isadora. “Se Victor acreditar que ele está mais próximo de me capturar se você estiver mais exposto?”
Gabriel ponderou. “É arriscado. Mas pode ser o único jeito. Ele me vê como o obstáculo principal. Se ele acreditar que pode me atrair para uma armadilha, ele vai tentar.”
“E você vai estar pronto para isso”, Isadora completou, com a voz firme. “Nós vamos estar prontos.”
A armadilha perfeita estava sendo montada. Uma teia de engano e precisão, onde cada fio era cuidadosamente posicionado para capturar o predador. Victor Alencar, em sua arrogância, acreditava estar no controle, orquestrando a queda de Isadora e Gabriel. Mal sabia ele que, enquanto ele brincava com seus peões, eles estavam tecendo uma rede que o prenderia, expondo toda a sua crueldade e destruindo o império de medo que ele havia construído. O confronto final se aproximava, e com ele, a promessa de um futuro livre da sombra de Victor Alencar.