A Esposa do Magnata II

A Esposa do Magnata II

por Valentina Oliveira

A Esposa do Magnata II

Capítulo 16 — O Sussurro da Esperança em Terra Estrangeira

A brisa fria de Londres, tão diferente do calor úmido do Rio de Janeiro, acariciava o rosto de Clara, trazendo consigo um cheiro de chuva iminente e de algo mais… de um futuro incerto. Sentada em um banco de parque adornado com um musgo persistente, ela observava as folhas douradas e vermelhas dançarem ao vento, um espetáculo melancólico que espelhava a turbulência em sua alma. A poucos metros, o pequeno Léo, alheio à tempestade que se formava no coração de sua mãe, corria atrás de um pombo com uma alegria contagiante, suas risadas ecoando pelo silêncio quase respeitoso do lugar.

“Ele é tão bonito, Clara. Tão forte.”

A voz de Helena, sua fiel amiga desde os tempos de faculdade, soou suave ao seu lado. Helena, com seu jeito sempre elegante e ares de quem sabia os segredos do mundo, havia sido seu porto seguro naquela fuga desesperada. Ela, que um dia sonhou com uma carreira diplomática e agora administrava uma galeria de arte renomada em Londres, não hesitou em acolher Clara e Léo, oferecendo não apenas um teto, mas um abraço acolhedor em meio à desolação.

Clara sorriu sem humor, um movimento frágil dos lábios. “Ele é tudo para mim, Helena. O único pedaço de casa que me restou.” A palavra “casa” soou estranha em sua boca. O Rio, com seus arranha-céus de vidro e concreto, com os rostos familiares e as memórias que a assombravam, parecia um sonho distante, quase irreal. Aqui, em meio à névoa londrina, a realidade era outra. Uma realidade dura, mas, ao mesmo tempo, libertadora.

“E você é tudo para ele”, retrucou Helena, pegando a mão de Clara. “E é por isso que você não pode fraquejar. Você o trouxe para longe. Agora precisa protegê-lo.”

A proteção. Essa era a palavra que guiava cada passo de Clara. Proteger Léo do perigo que pairava sobre eles, do nome que um dia representou tudo e agora era sinônimo de medo. Rodrigo. A imagem dele, tão marcante e poderosa, surgia em seus pensamentos como um fantasma, mesmo sabendo que ele estava, naquele exato momento, a milhares de quilômetros de distância. Ela não sabia se ele a procurava, se a odiava, ou se simplesmente a havia esquecido, como um mero contratempo em sua vida de impérios e poder. Mas o medo, esse companheiro indesejado, sussurrava em seu ouvido que ele não a deixaria em paz.

“Eu sei”, Clara suspirou, apertando a mão de Helena. “Mas é difícil, Helena. Cada barulho, cada sombra… meu coração dispara. Eu vejo o rosto dele em todos os homens que passam. Eu sinto o olhar dele nas minhas costas.”

Helena olhou para Léo, que agora sentava na grama, imitando os esquilos que corriam ao redor. “Ele é um sobrevivente, Clara. Assim como você. A força dele vem de você. E a sua força… bem, você tem muitas fontes.” Um leve sorriso brincou nos lábios de Helena, um sorriso que Clara conhecia bem, um sorriso que anunciava um plano, um conselho, uma distração necessária.

“Que fontes, Helena? A falta de dinheiro? A saudade da minha terra? O medo constante de que ele nos encontre e nos tire tudo de novo?” A voz de Clara começou a embargar. A luta para manter a compostura estava se tornando cada vez mais árdua.

“Não seja boba”, Helena disse, com uma firmeza maternal. “Sua fonte de força é você mesma, Clara. Sua inteligência, sua resiliência. E, não se esqueça, você tem um trunfo poderoso.”

Clara franziu a testa. “Que trunfo?”

“Seu nome. Ou melhor, o que você representa para Rodrigo. Ele pode ser um magnata implacável, mas você… você é a mãe do herdeiro dele. E isso, meu bem, é um poder que ele não pode ignorar, quer ele queira ou não. Ele não pode simplesmente apagar Léo da existência. E, enquanto Léo for uma peça importante para ele, você também será.”

As palavras de Helena plantaram uma semente de esperança, uma ideia que Clara não havia ousado considerar. Ela sempre se viu como a vítima, a fugitiva. Mas talvez, apenas talvez, ela pudesse ser mais do que isso. Talvez ela pudesse usar a própria condição de mãe de Léo como um escudo, e quem sabe, até mesmo como uma arma.

“Você acha?”, Clara perguntou, a voz baixa, quase um sussurro.

“Tenho certeza. Mas, para isso, você precisa se fortalecer. Precisa voltar a ser a Clara que eu conheci. A Clara que sonhava alto, a Clara que não se deixava abater.” Helena se levantou, estendendo a mão para Clara. “Vamos. O sol está se pondo, e temos muito o que conversar. E, além disso, a galeria abre amanhã. Preciso de você lá, Clara. Preciso de sua ajuda. Preciso que você se sinta útil, que se sinta você mesma novamente.”

Clara olhou para a mão estendida de Helena, depois para Léo, que agora se aproximava correndo, com um sorriso radiante no rosto. Aquele sorriso era o sol que dissipava a névoa em seu coração. Ela sabia que a jornada seria longa e perigosa, mas naquele momento, sentiu uma renovada centelha de coragem. A esperança, tímida mas persistente, começava a florescer em terra estrangeira. Ela não seria apenas uma fugitiva. Ela seria uma mãe forte, uma mulher resiliente, e talvez, apenas talvez, a arquiteta de seu próprio destino.

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