A Esposa do Magnata II

Capítulo 22 — A Tempestade se Aproxima e o Fio da Esperança

por Valentina Oliveira

Capítulo 22 — A Tempestade se Aproxima e o Fio da Esperança

O sol já estava alto quando Helena recebeu a ligação. A voz de Arthur soou tensa, mais do que o normal. “Helena, preciso que você se prepare. Algo mudou. Eu estou voltando para casa. E você também vai voltar comigo.”

Um arrepio percorreu seu corpo. A alegria do reencontro imediato foi eclipsada pela urgência em sua voz. “Arthur, o que está acontecendo? Por que essa pressa?”

Ele hesitou. A verdade, como sempre, era uma teia intrincada. “Não posso te explicar tudo por telefone, meu amor. Mas é importante que estejamos juntos. Que você esteja segura. Prepare suas coisas. Estarei em casa em breve.”

A conversa terminou abruptamente, deixando Helena com um nó no estômago. A serenidade de Paraty parecia ter sido varrida por um vento súbito e inquietante. Aquele refúgio, que ela tanto se esforçara para criar, agora parecia um ponto em um mapa de perigos desconhecidos. Ela olhou para suas telas, para as cores vibrantes que agora pareciam vibrar com uma ansiedade latente. A inspiração que encontrara ali se misturava a uma apreensão crescente.

Tiago a encontrou na galeria, seu refúgio de paz e criatividade. Ele percebeu imediatamente a mudança em sua expressão. “Problemas, Helena?”

Ela assentiu, sentindo a necessidade de compartilhar, mesmo que superficialmente. “Arthur está voltando. E quer que eu volte com ele. De repente. Algo não está certo.”

Tiago a olhou com compreensão. “A vida dos poderosos é sempre um turbilhão, não é? Mas você parece mais do que preocupada. Parece assustada.”

“É que… sinto que essa paz que encontrei aqui é frágil. Como um sopro”, confessou Helena, a voz embargada. “E a volta… sinto que não é uma volta para o conforto, mas para a batalha.”

Tiago colocou a mão em seu ombro. “Seja qual for a batalha, Helena, você não está sozinha. Você encontrou sua voz aqui. E ela é forte.” Ele olhou para uma tela em particular, onde Helena retratava a si mesma com um pincel na mão, o olhar determinado. “Essa força não pode ser tirada de você, independentemente de onde você esteja.”

Enquanto Helena arrumava suas malas, a nostalgia de deixar Paraty apertou seu coração. Ela olhou para o mar, para as cores que a haviam curado, para a galeria de Tiago que se tornara seu santuário. Guardou consigo alguns dos seus esboços mais recentes, como se fossem talismãs de uma fase importante de sua vida.

A viagem de volta à mansão foi silenciosa. O motorista, um homem de poucas palavras a serviço de Arthur, mantinha o olhar fixo na estrada. Helena se perdia em pensamentos, tentando decifrar os motivos daquela partida súbita. Seria algo relacionado aos negócios de Arthur? Ou algo mais pessoal? A sombra de Silvano, que pairava em suas conversas anteriores, ressurgiu em sua mente.

Ao chegarem à mansão, a atmosfera era palpável. Seguranças em número incomum circulavam pelos jardins. O silêncio era pesado, interrompido apenas pelo clique das botas no mármore do hall de entrada. Arthur a esperava na sala principal, o semblante sério, os olhos percorrendo-a de cima a baixo, como se quisesse ter certeza de que ela estava fisicamente intacta.

“Helena”, ele disse, a voz rouca de emoção contida. Ele a abraçou com uma força que revelava seu alívio, mas também sua angústia.

“Arthur, o que está acontecendo?”, ela insistiu, sentindo o corpo dele tenso sob seu toque.

“Silvano. Ele está se movendo. Eu recebi informações… ele sabe sobre você. Ele sabe que você é a minha fraqueza”, Arthur confessou, os olhos fixos nos dela. “Eu precisava que você estivesse segura. Longe de tudo. Mas parece que ele descobriu onde você estava. Por isso o retorno imediato.”

A revelação gelou Helena. O medo que ela sentira em Paraty se materializou em uma ameaça concreta. “Ele sabe… como?”

“Não tenho certeza ainda. Mas isso não importa agora. O que importa é que estamos juntos. E vamos enfrentar isso.” Arthur a conduziu até o sofá, sentando-se ao seu lado, a mão dele segurando a dela com firmeza. “Eu fingi que estava em uma crise criativa para te dar espaço. Para que você pudesse respirar, se encontrar. Eu vi que você precisava disso. Mas agora, o jogo mudou. E não podemos mais nos esconder.”

Ele contou a ela sobre os últimos movimentos de Silvano, sobre o encontro secreto, sobre a tentativa de desestabilizá-lo através dela. Era um plano perigoso, arquitetado por um inimigo implacável.

“Por que ele quer me atingir, Arthur?”, Helena perguntou, a voz trêmula.

“Porque você é a prova de que eu posso amar. De que eu sou humano. E ele quer destruir isso. Ele quer me ver quebrado. E sabe que te atingir é a forma mais eficaz”, Arthur respondeu, a raiva contida em sua voz. “Eu cometi erros no passado. Cobri meus rastros. E agora, um desses rastros voltou para me assombrar. Mas eu não vou deixar que ele te machuque, Helena. Eu juro.”

Nas noites seguintes, a mansão se tornou um centro de operações. Arthur trabalhava incansavelmente com sua equipe de segurança, traçando planos, reforçando defesas. Helena se sentia como uma prisioneira em sua própria casa, cercada por uma guarda constante. A liberdade que ela tanto valorizara em Paraty agora parecia um luxo inatingível.

No entanto, em meio à tensão, algo mudou entre eles. A fragilidade que Arthur demonstrava ao falar sobre o perigo que ela corria, a determinação em protegê-la, reacenderam a chama em seus corações. As mentiras que os haviam separado começaram a se dissipar, substituídas por uma verdade crua e aterradora, mas também por uma conexão mais profunda.

Uma noite, após Arthur passar horas em seu escritório, ele voltou para o quarto. Helena o esperava acordada, a luz do abajur lançando sombras suaves sobre seu rosto.

“Você parece exausto”, ela disse, levantando-se para abraçá-lo.

Arthur a segurou perto, inalando o perfume dela, sentindo-se reconfortado pela sua presença. “Estou. Mas não é o cansaço que me aflige. É a preocupação.” Ele a afastou um pouco, olhando em seus olhos. “Helena, eu nunca imaginei que a vida nos traria para esse ponto. Que teríamos que lutar assim. Mas eu estou aqui. E não vou a lugar nenhum.”

“Eu também não”, ela respondeu, as lágrimas brotando em seus olhos. “Apesar de tudo, Arthur, eu… eu ainda te amo.”

A confissão pairou no ar, carregada de emoção. Arthur a beijou, um beijo que era ao mesmo tempo um pedido de desculpas, uma promessa e um ato de rendição. A tempestade lá fora, que parecia espelhar a turbulência em suas vidas, não era nada comparada à tempestade de emoções que os consumia.

Enquanto se abraçavam, uma ponta de esperança surgiu. Se Silvano queria atingi-lo através dela, isso significava que Helena era, para Arthur, um ponto vulnerável, mas também um símbolo de sua humanidade e de sua capacidade de amar. E essa era uma arma poderosa. Uma arma que Silvano, em sua frieza calculista, jamais entenderia. A força de seu amor, apesar do perigo iminente, seria o fio condutor que os guiaria através da escuridão.

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%