A Esposa do Magnata II

Capítulo 24 — O Jogo de Emboscada e o Preço do Amor

por Valentina Oliveira

Capítulo 24 — O Jogo de Emboscada e o Preço do Amor

A noite caiu sobre a cidade com a opulência habitual de uma metrópole em seu auge. Luzes cintilantes rasgavam a escuridão, mas para Helena, o brilho parecia ofuscante, quase ameaçador. Ela estava sentada em um carro discreto, estacionado a algumas quadras do luxuoso restaurante onde seu destino seria selado. O vestido de seda esmeralda que Arthur havia escolhido para ela parecia mais uma armadura do que uma peça de vestuário. Em sua bolsa, escondido com perfeição, um pequeno dispositivo de gravação emitia um sinal discreto para Ricardo, que monitorava cada movimento de sua posição.

“Lembre-se, Helena”, a voz de Arthur soou em seu ouvido através do pequeno comunicador embutido em sua orelha. Ele estava em um ponto de observação estratégico, cercado por sua equipe, mas sentindo-se a quilômetros de distância de sua esposa. “Não se deixe intimidar. Ele é um lobo em pele de cordeiro. Mantenha a compostura. Lembre-se do que treinamos.”

Helena respirou fundo, o cheiro de perfume caro e o murmúrio distante da cidade parecendo sufocá-la. “Eu sei, Arthur. Só… deseje-me sorte.”

“Você não precisa de sorte. Você tem coragem”, ele respondeu, a voz carregada de emoção. “E eu estou com você, em cada passo.”

Ela saiu do carro, o salto alto afundando ligeiramente no asfalto. Ao se aproximar da entrada do restaurante, a figura imponente de Silvano surgiu das sombras. Ele era exatamente como Arthur o descrevera: charmoso em sua superficialidade, com um sorriso que não alcançava os olhos e um porte que exalava poder, mas também uma frieza calculista.

“Senhorita Helena”, ele disse, com uma voz suave e sedutora, estendendo a mão. “É uma honra finalmente conhecê-la. Seu marido fala muito de você.”

Helena apertou sua mão, sentindo um arrepio percorrer sua espinha. A mentira já começava. “Senhor Silvano. A honra é minha.” Ela forçou um sorriso, tentando projetar uma confiança que mal sentia.

Eles entraram no restaurante, um lugar de sofisticação discreta, onde a comida era tão requintada quanto a clientela. Silvano a conduziu até uma mesa reservada, com vista para a cidade iluminada. O garçom, um jovem com um olhar atento, parecia mais do que apenas um funcionário do restaurante; Helena percebeu a forma sutil como ele observava cada movimento de Silvano. Mais um dos homens de Arthur, mantendo-a sob vigilância.

“Arthur é um homem de muitos talentos”, Silvano começou, enquanto pediam os pratos. “Mas às vezes, o foco excessivo em seus negócios o cega para o que é realmente importante.”

Era a deixa que Helena esperava. Ela se inclinou ligeiramente para frente, o olhar fingindo uma confidência. “É verdade. Ele tem estado… ausente. Distante. E eu… eu me sinto sozinha. Abandonada.”

Silvano sorriu, um brilho de satisfação em seus olhos. Ele a observava com a atenção de um predador que sente a presa vacilar. “Entendo perfeitamente. O poder tem um custo alto, não é mesmo? E às vezes, o amor é a primeira vítima.”

A conversa fluiu em uma dança perigosa de meias-verdades e mentiras cuidadosamente construídas. Helena alimentava a desilusão de Silvano, falando de suas frustrações, de seus anseios, de sua necessidade de ser vista e valorizada. Silvano, por sua vez, se mostrava um ouvinte atento, oferecendo palavras de consolo e, sutilmente, sondando as profundezas de seus sentimentos.

“Arthur é um homem que se acostumou a ter tudo o que quer”, Silvano comentou, enquanto degustava seu vinho. “Ele não percebe que algumas coisas, como a lealdade, não podem ser compradas. Precisam ser conquistadas. E às vezes, quando se é negligenciado, a busca por essa atenção pode levar a caminhos inesperados.”

Helena sentiu o peso daquelas palavras. Ela sabia que Silvano estava tentando seduzi-la, não apenas com palavras, mas com a promessa de um poder que Arthur, em sua ausência, parecia não oferecer. Era um jogo psicológico, e ela estava no centro do tabuleiro.

“Eu só queria sentir que importo para alguém”, Helena disse, a voz baixa, quase um sussurro. Ela ergueu os olhos para Silvano, fingindo vulnerabilidade. “Que minhas necessidades são ouvidas.”

Silvano colocou sua mão sobre a dela na mesa. O toque era frio, calculista. “Você importa, Helena. E eu posso te dar a atenção que você merece. Posso te mostrar um mundo onde você não precisa implorar para ser vista. Um mundo onde você pode ter o que quiser.”

Naquele momento, o comunicador de Helena emitiu um leve bip. Era o sinal combinado: algo estava prestes a acontecer.

“Acho que tivemos uma pequena distração”, Silvano disse, olhando para a entrada do restaurante. Um grupo de homens, todos com o mesmo semblante sério e terno, entrava com passos firmes. Eram os homens de Silvano, e Helena reconheceu um deles como o motorista que a trouxera até ali.

Silvano se virou para ela, um sorriso de triunfo nos lábios. “Parece que meu tempo com você atraiu atenção indesejada. Arthur deve estar com seus nervos à flor da pele.”

Helena sentiu um aperto no peito. Era a hora. O plano de Arthur envolvia uma ‘interrupção’ planejada, uma demonstração de força para que Silvano acreditasse que Arthur estava ciente de sua aproximação e reagindo.

De repente, um alarme soou do lado de fora, seguido por uma confusão crescente. As luzes do restaurante piscaram, e um grito foi ouvido. Silvano se levantou abruptamente, o rosto tenso. Seus homens formaram um círculo protetor ao redor dele.

“O que está acontecendo?”, ele rosnou para o garçom, que agora se revelava um dos agentes de Arthur.

“Um pequeno incidente na rua, senhor. Parece que um carro capotou”, o garçom disse, com uma calma estudada.

Silvano olhou para Helena, os olhos desconfiados. “Você sabia disso?”

Helena balançou a cabeça, mantendo a expressão de surpresa e receio. “Não. Eu… eu não faço ideia do que está acontecendo.”

A distração foi suficiente. Enquanto a confusão aumentava, Arthur aproveitou a oportunidade. Seus homens criaram uma pequena brecha na segurança de Silvano, e um deles, disfarçado de garçom, conseguiu trocar o copo de vinho de Silvano por um que continha um sedativo leve. O objetivo não era machucá-lo, mas sim incapacitá-lo por um curto período, permitindo que Arthur e sua equipe obtivessem as informações que precisavam de seus escritórios.

“Preciso ir”, Silvano disse, com uma urgência repentina. Ele parecia um pouco tonto. “Um assunto urgente surgiu.” Ele olhou para Helena, um misto de desconfiança e desejo em seus olhos. “Nos veremos novamente, Helena. E da próxima vez, não haverá interrupções.”

Ele saiu apressadamente, seus homens o seguindo. Helena permaneceu sentada, o coração batendo forte contra as costelas. O plano estava em andamento. Ela sentiu o dispositivo em sua bolsa vibrar novamente. Era o sinal de que Arthur havia conseguido acessar os escritórios de Silvano.

De volta à mansão, a tensão era palpável. Arthur esperava Helena ansiosamente. Quando ela entrou, o alívio em seu rosto era imenso. Ele a abraçou com força.

“Você se saiu maravilhosamente bem, meu amor”, ele disse, a voz rouca de emoção. “Ricardo confirmou. Conseguimos. Encontramos os planos de exportação ilegal de armas. E o contrato de lavagem de dinheiro. É o suficiente para arruiná-lo.”

Helena, exausta, encostou a cabeça no peito de Arthur. “Foi… foi apavorante, Arthur. Ele… ele me tocou.”

Arthur a apertou ainda mais. “Eu sei. E me sinto como um monstro por ter te colocado nessa situação. Mas você foi tão corajosa, Helena. Tão forte. E isso me mostra que o amor que sinto por você é a minha maior força. E a sua, a minha.”

Enquanto ele a confortava, Helena sentiu uma pontada de culpa. Ela havia jogado com os sentimentos de Silvano, se aproveitado de sua falsa confiança. Era o preço do amor, ela pensou. Um preço alto, pago com a própria integridade. Mas ela sabia que era necessário. Para proteger a si mesma, a Arthur, e para garantir que Silvano não pudesse mais machucar ninguém. A guerra contra Silvano ainda não havia acabado, mas uma batalha crucial havia sido vencida. E o amor, em sua forma mais pura e resiliente, fora a arma mais poderosa.

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