A Esposa do Magnata II
Capítulo 3 — A Sombra da Dívida e um Pacto Arriscado
por Valentina Oliveira
Capítulo 3 — A Sombra da Dívida e um Pacto Arriscado
O convite para o jantar na casa de Clara Vega caiu como uma luva para Isabella. Clara, sua amiga de infância e a única pessoa que sabia a verdade sobre o casamento relâmpago com Ricardo, era seu refúgio seguro em meio à tempestade que se formava. A mansão Vega, um oásis de bom gosto e tranquilidade em meio ao burburinho do Leblon, era o lugar perfeito para desabafar e buscar conselhos.
Ao chegar, Isabella foi recebida com um abraço caloroso e um sorriso que sempre trazia conforto. Clara, com seus cabelos cacheados e olhos vibrantes, era a personificação da elegância sem esforço.
"Amiga! Que bom que você veio!", Clara exclamou, puxando Isabella para dentro. "Eu estava morrendo de saudade. E com uma sede incontrolável de fofoca!"
Isabella riu, sentindo um pouco do peso em seus ombros diminuir. "E eu morrendo de vontade de te contar tudo que anda acontecendo."
Elas se acomodaram na sala de estar, onde um garçom discreto já servia taças de champagne. A conversa fluiu naturalmente, abordando desde os últimos acontecimentos da cidade até as preocupações mais íntimas. Isabella, finalmente, desabafou sobre o retorno de Ricardo, a visita à mansão e a insistência dele em encontrar um "documento secreto".
"Ele disse que esse contrato pode prejudicar a memória da minha mãe!", Isabella revelou, a voz embargada. "Eu não sei o que fazer, Clara. Fiquei apavorada."
Clara ouviu atentamente, seu semblante sério. "Ricardo Montenegro não brinca em serviço, Isa. Se ele está atrás disso, é porque é algo realmente importante. E ele não te ajudaria com o espólio por bondade. Há sempre um preço, você sabe."
"Eu sei, eu sei! Mas o que eu faço? Eu não quero que nada prejudique a memória da minha mãe. E essa batalha contra ele pelo espólio está me consumindo."
"E você acha que ele está dizendo a verdade sobre esse contrato?", Clara questionou. "Ou é só mais uma jogada para te manipular?"
"Não sei! É isso que me deixa louca! Eu não confio nele, mas ao mesmo tempo... o medo de prejudicar minha mãe é maior."
O silêncio pairou entre elas por um momento, a inquietação de Isabella palpável. Então, Clara mudou de assunto, com um brilho diferente nos olhos.
"Falando em jogadas e preços... eu tenho um problema, Isa. E você, talvez, seja a única que pode me ajudar."
Isabella olhou para a amiga, curiosa. "Que problema?"
"É o meu pai", Clara começou, hesitante. "Ele está em apuros financeiros. Grandes apuros. A empresa dele... as coisas não vão bem. E ele me pediu uma quantia exorbitante de dinheiro. Uma quantia que eu não tenho. E que não consigo levantar tão cedo."
Isabella ficou chocada. A família Vega, conhecida por sua fortuna e influência, em dificuldades?
"Mas como? Eu sempre pensei que as coisas eram tão estáveis para vocês..."
"E eram", Clara suspirou. "Mas meu pai, nos últimos anos, fez alguns investimentos errados. E agora, a situação é crítica. Ele me disse que se não conseguir esse dinheiro em um prazo muito curto, tudo pode desmoronar. E ele não quer que o nome da família seja manchado."
Um vislumbre de compreensão surgiu nos olhos de Isabella. Ela viu um paralelismo entre a situação de Clara e a sua própria luta contra Ricardo. Ambos estavam sendo pressionados, ambos precisavam de algo que parecia inatingível.
"E como eu poderia ajudar?", Isabella perguntou, a mente começando a trabalhar.
Clara a encarou, a esperança cintilando em seus olhos. "Eu pensei em você. Você tem... acesso. E você, melhor do que ninguém, entende como Ricardo funciona. Ele é um tubarão, mas também é um homem de negócios. E muitas vezes, negócios envolvem riscos e oportunidades que ele não pode recusar."
"Você quer que eu fale com o Ricardo?", Isabella perguntou, incrédula. "Clara, você enlouqueceu? Ele é a última pessoa no mundo com quem eu quero ter qualquer tipo de negócio agora!"
"Eu sei, amiga, eu sei! Mas ele tem os recursos. E o seu pai é um homem que, apesar de tudo, fez muito pela família. Eu não posso deixá-lo cair. E você... você tem uma alavancagem com ele, mesmo que não queira admitir."
"Alavancagem? Que alavancagem?", Isabella questionou, rindo sem humor.
"O fato de você ser a ex-esposa dele. O fato de ele estar te procurando. O fato de ele se importar, de alguma forma, em te ter por perto ou em controlar a situação. Ele não está agindo por acaso, Isa. E você pode usar isso."
Isabella balançou a cabeça. "Eu não acho que entendo. O que você quer que eu faça exatamente?"
"Eu quero que você converse com ele. Use essa história do documento, use o fato de que você precisa de ajuda para lidar com o espólio da sua mãe. E, no meio disso, introduza o problema do meu pai. Diga que há uma oportunidade de investimento. Algo seguro, com retorno garantido, mas que requer uma injeção de capital imediata."
"E você espera que eu, Isabella Almeida, que fui humilhada e descartada por Ricardo Montenegro, vá até ele propor um negócio para salvar o seu pai?", Isabella questionou, a voz carregada de incredulidade e um pouco de dor.
"Eu sei que é pedir muito, Isa. Mas eu confio em você. E eu sei que você é forte o suficiente para fazer isso. Pense como uma troca. Você me ajuda a salvar meu pai, e eu te ajudo a desvendar esse mistério do documento, te ajudo a lidar com o espólio. Juntas, somos mais fortes do que contra ele separadas."
Isabella se sentiu dividida. Por um lado, a ideia de ter que recorrer a Ricardo, de ter que se expor novamente àquele homem que a machucara tanto, era insuportável. Por outro lado, a ideia de ajudar Clara, de não deixar a família Vega cair, e de finalmente ter uma aliada forte na luta contra Ricardo e seus planos, era tentadora.
"Isso é loucura, Clara", ela sussurrou.
"É um pacto, Isa", Clara respondeu, segurando a mão dela com firmeza. "Um pacto entre amigas. Você me ajuda com o Ricardo, e eu te ajudo com o resto. Vamos desenterrar esse documento, vamos proteger sua mãe e vamos salvar meu pai. E talvez, só talvez, vamos dar uma lição naquele magnata arrogante."
Isabella olhou nos olhos determinados de Clara e sentiu uma centelha de coragem acender dentro de si. Ela odiava Ricardo Montenegro com todas as suas forças. Mas o amor por sua mãe e a lealdade à sua amiga eram sentimentos ainda mais poderosos. Se havia uma maneira de usar a própria arma de Ricardo contra ele, ela estava disposta a tentar.
"Tudo bem", Isabella disse, respirando fundo. "Eu vou falar com ele. Mas não espere que seja fácil. E você terá que me ajudar em cada passo. Cada palavra. Cada olhar."
Clara sorriu, um sorriso genuíno de alívio e gratidão. "Eu estarei lá com você, amiga. Em cada passo."
Naquela noite, enquanto voltava para casa, Isabella sentiu o peso da decisão que acabara de tomar. Ela estava se jogando de volta na arena, em território inimigo, mas agora, não estava mais sozinha. Tinha uma amiga ao seu lado e um plano arriscado que, esperava, a levaria à verdade e à justiça que tanto buscava. A sombra da dívida pairava sobre a família Vega, e um pacto arriscado havia sido selado, prometendo novas reviravoltas na intrincada teia de segredos e poder que envolvia Ricardo Montenegro.