A Esposa do Magnata II

Capítulo 5 — Os Fantasmas na Caixa de Sofia

por Valentina Oliveira

Capítulo 5 — Os Fantasmas na Caixa de Sofia

A ansiedade era um nó apertado no estômago de Isabella enquanto ela acompanhava Clara até o apartamento da amiga. A promessa feita a Ricardo pesava em sua consciência. A caixa de Sofia. O que realmente estaria lá dentro? Sua mãe era uma mulher de mistérios, e agora, esses mistérios pareciam estar prestes a invadir sua vida de forma explosiva.

O apartamento de Clara era um refúgio de paz e organização, um contraste nítido com a turbulência que Isabella sentia. A caixa, de madeira escura e com um leve aroma de cedro, repousava sobre a mesa de centro da sala, como um tesouro a ser desvendado.

"Pronta?", Clara perguntou, sua voz baixa, percebendo a apreensão de Isabella.

Isabella respirou fundo, assentindo. "Acho que sim. É a vida da minha mãe em jogo. E o futuro do seu pai. Não posso fugir disso."

Com as mãos trêmulas, Isabella abriu a caixa. O interior estava forrado com um tecido de veludo antigo. Havia cartas amareladas, um diário com capa de couro gasta, algumas fotografias em preto e branco e, no fundo, um envelope grosso selado com lacre.

Elas começaram pelas cartas. Eram cartas de amor, apaixonadas e intensas, trocadas entre Sofia e um homem misterioso, cujas iniciais eram "A.M.". As palavras descreviam um romance proibido, cheio de paixão e sofrimento, com referências a encontros secretos e promessas de um futuro incerto.

"Quem é A.M.?", Clara perguntou, olhando para Isabella com curiosidade.

Isabella balançou a cabeça. "Não tenho ideia. Nunca ouvi falar. Minha mãe nunca falou sobre nenhum relacionamento antes do meu pai."

Em seguida, vieram as fotografias. Rostos desconhecidos, lugares que ela não reconhecia. E em uma das fotos, mais escondida, estava sua mãe, jovem e radiante, ao lado de um homem elegante e charmoso. Era ele. "A.M.".

"Ele é bonito", Clara comentou, observando a foto. "E parece que o romance era sério."

O diário foi a parte mais difícil. As anotações de Sofia revelavam uma alma atormentada, dividida entre o amor que sentia por A.M. e as obrigações sociais e familiares que a prendiam. Havia menções a um segredo que ela guardava, algo que poderia arruinar a vida de todos ao seu redor.

"Ela estava sofrendo muito", Isabella sussurrou, sentindo as lágrimas molharem seu rosto. A imagem que ela tinha de sua mãe, forte e inabalável, se desfazia, revelando uma mulher vulnerável, aprisionada por seus próprios medos.

Finalmente, o envelope selado. O lacre estava intacto, com as iniciais de Sofia gravadas em relevo. Com cuidado, Isabella o abriu. Dentro, havia um documento legal. Não era um contrato de confidencialidade, como Ricardo havia sugerido. Era um testamento. Um testamento que revelava uma reviravolta chocante.

"O quê?", Isabella exclamou, os olhos arregalados. "Isso... isso não pode ser."

Clara se aproximou, curiosa. "O que é, Isa?"

"Este testamento... ele nomeia Ricardo Montenegro como o tutor legal de uma criança. Uma criança que eu não conheço. E estabelece que uma grande parte da fortuna de Sofia seria destinada a essa criança, caso algo acontecesse com ela."

Clara ficou chocada. "Ricardo? Tutor de uma criança desconhecida? E parte da fortuna de Sofia para essa criança? Isso é loucura!"

Isabella sentiu o mundo girar. Ricardo, o homem que a desprezara, o homem que ela tanto odiava, era o tutor de um filho secreto de sua mãe? E a maior parte da fortuna de Sofia estava destinada a essa criança? Isso explicava por que ele estava tão interessado em "resolver" as coisas. Ele não estava buscando um contrato de confidencialidade. Ele estava buscando a comprovação de que era o guardião de um herdeiro que ele mesmo desconhecia a existência.

"O documento que ele procura...", Isabella murmurou, a ficha caindo. "Não é um contrato de confidencialidade. É este testamento. Ele deve ter descoberto sua existência e quer garantir que ele seja validado. Ele quer a criança. E a fortuna."

"Mas quem é o pai dessa criança?", Clara perguntou, a mente fervilhando com as possibilidades.

Isabella pegou a foto de Sofia jovem ao lado de A.M. E então, a peça final se encaixou. As cartas de amor. O sofrimento de Sofia. A necessidade de proteger um segredo.

"A.M.", Isabella disse, sua voz rouca. "O homem das cartas. Ele é o pai. E Ricardo... Ricardo, de alguma forma, sabia ou suspeitava disso. Talvez A.M. fosse alguém ligado a ele, ou a família dele. E ele quer essa criança, essa herança. Ele usou a história do contrato para me manipular."

O peso da traição e da manipulação de Ricardo caiu sobre Isabella com força total. Ela foi usada, enganada, mais uma vez. Mas agora, ela tinha a verdade. E a verdade era um poder imenso.

"Precisamos confrontá-lo", Isabella disse, a determinação endurecendo seu olhar. "Precisamos mostrar a ele que nós sabemos. Que não vamos ser enganadas novamente."

Clara assentiu, seus olhos brilhando com uma fúria justa. "Exato. E vamos salvar o meu pai. E vamos proteger o legado da sua mãe."

Naquela noite, Isabella dormiu com um sono agitado, mas com a certeza de que não estava mais à mercê de Ricardo Montenegro. Os fantasmas do passado de Sofia haviam saído da caixa, e agora, Isabella estava pronta para confrontar os fantasmas do presente. O jogo de damas havia atingido seu clímax, e a próxima jogada seria decisiva. A verdade, finalmente, começava a emergir das sombras, e com ela, a promessa de um confronto épico.

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