A Esposa do Magnata III

A Esposa do Magnata III

por Valentina Oliveira

A Esposa do Magnata III

Romance: A Esposa do Magnata III Gênero: Romance Romântico Autor: Valentina Oliveira

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Capítulo 16 — O Sussurro da Desconfiança e o Jogo das Aparências

O sol da manhã banhava a mansão dos Almeida em um dourado que contrastava cruelmente com a tempestade que se formava na alma de Isabella. O café da manhã, antes um ritual de afeto e cumplicidade com o Dr. Alexandre Almeida, tornara-se um campo minado de silêncios e olhares evasivos. O peso da confissão de Ricardo, o ex-sócio traído, ainda pairava no ar, uma névoa densa que Richard parecia ignorar, ou, pior, fingir ignorar.

Ela observava-o enquanto ele folheava o jornal com uma calma estudada, a mandíbula tensa sob a pele bronzeada. Alexandre era um enigma fascinante, um homem de poder inquestionável, mas cujas rugas de preocupação, antes sutis, agora se aprofundavam em seu rosto. Seria a pressão do escândalo iminente? Ou algo mais? A desconfiança, como uma erva daninha insidiosa, começava a brotar em seu coração. Ela o amava, sim, com uma paixão que a consumia por inteiro. Mas o amor, ela aprendera da forma mais dolorosa, não era uma armadura impenetrável contra a sombra da dúvida.

"Bom dia, meu amor", disse Alexandre, finalmente baixando o jornal e dirigindo-lhe um sorriso que parecia forçado. Seus olhos azuis, antes tão límpidos e cheios de ternura para ela, agora carregavam um brilho de apreensão que Isabella não conseguia decifrar.

"Bom dia", respondeu ela, tentando manter a voz firme. A garganta parecia apertada, como se um nó invisível a impedisse de respirar livremente. "Durmiu bem?"

"Como um anjo", mentiu ele, pegando a mão dela sobre a mesa e beijando seus dedos delicadamente. O gesto, antes tão reconfortante, agora a fazia sentir um arrepio de desconforto. A frieza em seu toque, por mais sutil que fosse, não escapara à sua atenção.

"Que bom", murmurou Isabella, retirando a mão com cuidado. Ela precisava de respostas, de clareza. O fantasma de Ricardo e suas palavras ecoavam em sua mente: "Alexandre não é quem você pensa, Isabella. Ele tem segredos que podem destruir você."

"Você parece pensativa hoje", observou Alexandre, o tom de voz carregado de uma falsa leveza. "Alguma coisa te preocupa?"

Isabella o encarou, buscando em seus olhos a verdade que ele parecia relutar em revelar. "Ricardo me procurou ontem. Ele disse... ele disse coisas sobre o passado da empresa, sobre você."

Um leve tremor percorreu o rosto de Alexandre, quase imperceptível, mas Isabella, com a sensibilidade aguçada pela angústia, notou. Ele ajeitou o colarinho da camisa, um gesto nervoso que ele raramente exibia.

"Ricardo é um homem amargurado, Isabella. Ele perdeu tudo e agora tenta sujar o nome de quem o superou. Não dê ouvidos às suas fantasias." A voz de Alexandre era firme, quase autoritária, como se quisesse silenciar não apenas ela, mas também as próprias dúvidas que o atormentavam.

"Mas o que ele disse, Alexandre...", Isabella hesitou, o medo de magoá-lo misturando-se ao desejo irrefreável de saber. "Ele falou sobre uma transação. Algo sobre... manipulação."

Alexandre suspirou, levantando-se da mesa e caminhando até a varanda que dava para os jardins impecáveis. A luz do sol filtrava pelas folhas das árvores, criando um mosaico de sombras dançantes no chão.

"Isabella, você sabe que nossa empresa cresceu em um mercado competitivo e, por vezes, brutal. Houve acordos, decisões difíceis. Ricardo sempre foi um estrategista ambicioso, mas, por vezes, seus métodos ultrapassavam os limites do aceitável. Eu apenas... corrigi o rumo, garanti que a Almeida Corp se mantivesse íntegra e respeitosa às leis."

As palavras de Alexandre eram polidas, evasivas. "Corrigi o rumo." Que rumo? E o que significava "métodos que ultrapassavam os limites do aceitável"? Era o suficiente para que Ricardo, um homem movido por vingança, pudesse construir uma narrativa destruidora?

"Mas ele mencionou um nome, Alexandre. Um nome que me pareceu... familiar. O nome de um juiz. Ele insinuou que você... que você subornou um juiz." A acusação escapou dos lábios de Isabella antes que ela pudesse contê-la, um sussurro carregado de horror.

O corpo de Alexandre endureceu. Ele se virou, o rosto impassível, mas os olhos frios como gelo. O sol parecia ter se apagado por um instante, mergulhando a varanda em uma penumbra sombria.

"Isso é absurdo, Isabella. Ricardo está desesperado. Ele está inventando histórias para me incriminar e, de quebra, destruir você. Ele sabe que você é o meu ponto fraco."

"Meu ponto fraco?", repetiu Isabella, a voz embargada. O que ele queria dizer com isso? Era uma confissão de amor, ou um aviso velado?

Alexandre aproximou-se dela, seus olhos buscando os dela com uma intensidade que a desarmava. Ele a segurou pelos braços, o aperto firme, mas não violento.

"Você é o meu porto seguro, Isabella. A única pessoa em quem eu confio plenamente. E é por isso que você precisa acreditar em mim. Eu jamais faria algo que pudesse prejudicar você. Jamais."

Ele a puxou para um abraço, o corpo dele forte e protetor, mas Isabella não conseguia sentir o conforto de antes. O perfume dele, antes um aroma reconfortante, agora parecia sufocante. Ela o amava, mas a semente da desconfiança plantada por Ricardo teimava em germinar. As palavras dele, tão calculadas, tão polidas, pareciam esconder um abismo de verdades ocultas.

Naquela noite, enquanto Alexandre adormecia ao seu lado, Isabella permaneceu acordada, os olhos fixos no teto escuro. A desconfiança era um veneno lento, mas implacável. Ela precisava descobrir a verdade, por mais dolorosa que fosse. O amor que sentia por Alexandre era imenso, mas o amor próprio, e a necessidade de honrar a memória de seu pai, a impulsionavam a buscar a luz em meio à escuridão que parecia envolver o magnata que ela amava. O jogo das aparências estava apenas começando, e Isabella sentia que estava presa em um tabuleiro onde as peças eram suas próprias emoções e a confiança em seu marido.

A vida deles, antes um romance de conto de fadas, agora se assemelhava a um thriller psicológico, onde cada sorriso podia esconder uma mentira e cada palavra de amor podia ser uma armadilha. Ela olhou para o rosto sereno de Alexandre no sono, a pele lisa e os cílios longos, e um suspiro escapou de seus lábios. Seria possível que o homem que ela amava com toda a sua alma pudesse ser capaz de tamanha falsidade? A resposta, ela sabia, estava em algum lugar entre os sussurros da desconfiança e o brilho opaco de um passado que se recusava a ficar enterrado.

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