Cap. 4 / 25

Entre Sombras II

Capítulo 4 — O Jogo de Sombras de Leonardo Bastos

por Valentina Oliveira

Capítulo 4 — O Jogo de Sombras de Leonardo Bastos

A notícia da dívida de Miguel e da ameaça de Leonardo Bastos pairava sobre Helena como uma nuvem negra. A casa, antes um refúgio de memórias e amor, agora parecia frágil, como um castelo de areia prestes a ser engolido pela maré. Rafael, com sua determinação feroz, a impedia de desmoronar, mas a angústia corroía sua alma.

“Precisamos de dinheiro, Rafael”, Helena disse, a voz embargada pela preocupação. “Precisamos pagar essa dívida. Mas como? Eu não tenho nada. Miguel não deixou nada além de nós dois.”

Rafael a segurou pelas mãos, seus olhos azuis cheios de uma promessa silenciosa. “Não se preocupe com o dinheiro, Helena. Vamos encontrar uma solução. Talvez eu possa ajudar com alguma coisa. Eu não sou rico, mas tenho algumas economias.”

“Não, Rafael. Você já está me ajudando mais do que eu mereço”, Helena disse, as lágrimas brotando em seus olhos. “Você chegou como um anjo para me resgatar das minhas sombras, e agora… agora você está se envolvendo nos meus problemas.”

“Você não está envolvida sozinha, Helena. Agora, nós estamos. Eu te amo. E farei tudo para te proteger”, Rafael respondeu, seus dedos entrelaçando-se aos dela com firmeza. A sinceridade em sua voz a confortou, mas não dissipou completamente o medo.

Enquanto isso, no imponente escritório de mármore e vidro no centro da cidade, Leonardo Bastos observava uma foto de Miguel Santos com um sorriso cruel. A imagem de Helena, sorrindo ao lado dele, também estava presente. Ele se deleitava com a perspectiva de ter a casa dela, um lugar que ele cobiçava há anos, um lugar que representava a felicidade que ele nunca conseguiu ter.

“A viúva está desesperada, não é, meu caro Miguel?”, Bastos murmurou para a foto. “Espero que você tenha desfrutado do seu tempo ali. Porque agora, tudo isso será meu.”

Ele chamou seu assistente, um homem frio e calculista chamado Marcos.

“Marcos, investigue mais sobre essa Helena. Descubra se ela tem alguma brecha, algum ponto fraco. E certifique-se de que o processo avance o mais rápido possível. Não quero surpresas.”

“Entendido, senhor”, Marcos respondeu, a voz desprovida de emoção.

No dia seguinte, Helena e Rafael foram ao escritório do Dr. Almeida para discutir os próximos passos. O advogado explicou a situação com detalhes sombrios.

“O senhor Bastos está agindo com muita rapidez”, Dr. Almeida disse, sua testa franzida. “Ele já iniciou os trâmites legais para a execução da hipoteca. Precisamos apresentar uma contraproposta o mais rápido possível, ou um pedido de liminar para ganhar tempo.”

“Mas como vamos conseguir o dinheiro?”, Helena perguntou, sentindo o desespero aumentar.

Rafael interveio. “Dr. Almeida, há alguma forma de negociar diretamente com o senhor Bastos? Talvez possamos oferecer um plano de pagamento, ou um valor um pouco menor, para evitar a perda da casa.”

Dr. Almeida balançou a cabeça. “Com o senhor Bastos, negociar raramente é uma opção, especialmente quando ele tem a vantagem. Ele é conhecido por sua intransigência. Mas posso tentar. Posso contatá-lo e propor uma reunião. No entanto, não crie muitas expectativas.”

Helena sentiu um frio na espinha. A ideia de ter que encarar Leonardo Bastos era aterradora. Ela se lembrava de ter visto ele algumas vezes na vila, sempre com uma comitiva de seguranças, exalando um poder intimidador.

Naquela noite, enquanto Rafael preparava um jantar simples para elas, Helena se sentiu repentinamente mal. Uma tontura forte a atingiu, e ela sentiu náuseas.

“Você está bem, Helena?”, Rafael perguntou, preocupado, ao vê-la se apoiar na bancada.

“Estou bem, só um pouco tonta”, ela respondeu, tentando sorrir. Mas a sensação persistiu.

Nos dias seguintes, Helena começou a se sentir estranhamente indisposta. Cansaço excessivo, enjoos matinais e uma sensibilidade incomum a cheiros. Ela tentava ignorar, atribuindo tudo ao estresse e à preocupação com a casa. Mas uma dúvida começava a surgir em sua mente.

Uma tarde, enquanto arrumava algumas caixas antigas no sótão, Helena encontrou um diário de capa gasta, escondido no fundo de um baú. Era o diário de Miguel. Com as mãos trêmulas, ela começou a ler. As páginas eram repletas de anotações sobre o mar, sobre seus dias de pesca, e sobre o amor que sentia por ela. Mas, em algumas passagens mais recentes, um tom de apreensão tomava conta.

Miguel escrevia sobre a pressão crescente de Leonardo Bastos, sobre um empréstimo que ele havia feito para investir em novas redes de pesca e que se tornara uma bola de neve. Ele mencionava a dificuldade em pagar os juros, a ameaça velada de Bastos de usar a hipoteca da casa como garantia, caso ele não cumprisse os pagamentos.

“Ele está me sufocando, Helena”, Miguel escreveu em uma entrada. “Seus olhos são frios como o gelo do mar no inverno. Ele me prometeu ajuda, mas agora vejo a armadilha em que caí. A casa… não posso perder a nossa casa. Não posso perder o nosso lar. Vou tentar mais uma vez, vou lutar até o fim.”

As lágrimas rolavam pelo rosto de Helena enquanto ela lia. Ela se sentia devastada pela dor de Miguel, pela luta silenciosa que ele travava. E sentia uma raiva crescente contra Leonardo Bastos.

“Como ele pôde?”, Helena murmurou para si mesma, o diário apertado contra o peito. “Como ele pôde fazer isso com meu Miguel?”

Enquanto isso, Rafael estava em uma missão secreta. Ele havia decidido investigar Leonardo Bastos, para descobrir alguma fraqueza que pudesse usar em benefício de Helena. Ele sabia que não podia confiar apenas em meios legais. A frieza e a crueldade de Bastos exigiam uma abordagem diferente.

Ele usou seus contatos no submundo para obter informações sobre as atividades ilegais de Bastos. Descobriu que o empresário estava envolvido em negócios obscuros, lavagem de dinheiro e extorsão. Havia um nome que surgia com frequência nas investigações de Rafael: um homem chamado "Vermeio", um braço direito de Bastos, conhecido por sua brutalidade.

Em uma noite escura, Rafael se infiltrou em um dos armazéns de Bastos, buscando provas concretas. Ele encontrou documentos comprometedores, contratos fraudulentos e listas de pagamentos suspeitos. Estava tudo indo bem, até que ele ouviu passos se aproximando.

“Quem está aí?”, uma voz áspera gritou.

Rafael se escondeu nas sombras, o coração disparado. Ele viu Vermeio e dois capangas entrarem no local, carregando caixas. Rafael esperou até que eles se distraíssem e, em um movimento rápido, pegou alguns dos papéis mais importantes e fugiu.

Ele conseguiu escapar, mas a experiência o deixou abalado. Sabia que estava pisando em um terreno perigoso. Mas a imagem do rosto de Helena, o desespero em seus olhos, o impulsionava a continuar.

No dia seguinte, Rafael levou as provas que encontrou para o Dr. Almeida.

“Com isso, talvez possamos pressionar Bastos”, Rafael disse, com um brilho nos olhos. “Ou, pelo menos, ganhar tempo suficiente para que Helena se recupere.”

Dr. Almeida examinou os documentos com atenção. “Isso é excelente, Rafael. São provas robustas. Podemos usar isso para exigir uma negociação mais justa. Mas tenha cuidado. Bastos é um homem perigoso e não vai gostar de ser acuado.”

Enquanto isso, Helena, sentindo-se cada vez mais enjoada e fraca, decidiu procurar um médico. Ela marcou uma consulta com uma clínica discreta na cidade vizinha, temendo que alguém pudesse vê-la.

Após os exames, a médica a chamou para seu consultório, um sorriso gentil em seu rosto.

“Parabéns, Helena”, ela disse. “Você está grávida.”

Helena ficou em choque. Grávida? A notícia a atingiu como um raio. Ela olhou para a médica, sem conseguir processar a informação. Uma gravidez? Agora? Com toda aquela turbulência, a ameaça de perder sua casa, a incerteza sobre seu futuro com Rafael…

E então, uma lembrança veio à tona. A noite em que ela e Rafael se entregaram à paixão. A noite em que ele disse que a amava. A noite em que, em seu desespero e em seu novo amor, eles esqueceram de se proteger.

As lágrimas começaram a rolar por seu rosto, mas dessa vez, não eram apenas de tristeza. Eram lágrimas de um misto avassalador de medo, surpresa e uma pontada de alegria. Um novo amor, um novo desafio, um novo ser que crescia dentro dela.

Ela sabia que precisava contar a Rafael. Mas como? Como ele reagiria? Ele estava ali para ajudá-la a salvar sua casa, para ser seu porto seguro. E agora, ela trazia para ele uma nova responsabilidade, uma nova vida.

Ao sair da clínica, Helena olhou para o céu, as lágrimas ainda escorrendo por seu rosto. A vida estava lhe dando um presente inesperado, um presente que era ao mesmo tempo uma bênção e um fardo.

Ela sabia que Leonardo Bastos era um monstro, um homem que se alimentava da dor alheia. Mas ela também sabia que Miguel havia lutado bravamente para proteger seu lar e sua família. E agora, com um novo ser em seu ventre, Helena sentia que precisava lutar com mais força do que nunca.

A batalha estava longe de terminar. E as sombras que envolviam suas vidas estavam prestes a se aprofundar ainda mais. O jogo de sombras de Leonardo Bastos estava apenas começando, e Helena estava no centro de seu tabuleiro perigoso.

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