Cap. 7 / 25

Entre Sombras II

Capítulo 7 — As Ruínas da Confiança e o Sussurro da Vingança

por Valentina Oliveira

Capítulo 7 — As Ruínas da Confiança e o Sussurro da Vingança

Os dias que se seguiram ao incêndio no depósito de Leonardo Bastos foram um borrão de desespero e determinação para Isabella. A notícia se espalhou como fogo, cada manchete um golpe mais doloroso que o anterior. Os jornais, sedentos por sensacionalismo, pintavam um quadro sombrio, com especulações sobre sabotagem e envolvimento de terceiros. O nome de Isabella, embora não diretamente acusado, pairava no ar como uma sombra incômoda, ligada ao homem que agora estava foragido. A confiança que ela depositara em Leonardo, a fé que um dia nutriu, desmoronou em pedaços, deixando um vazio cruel em seu peito.

Ela se refugiava em seu apartamento, as paredes parecendo se fechar sobre ela. As cartas e e-mails de condolências de amigos e familiares eram um consolo frágil, incapaz de preencher a lacuna deixada pela verdade. Seu pai, o homem íntegro e justo que ela sempre admirara, era agora o centro de uma investigação que prometia expor a podridão no coração daquela sociedade. Ela sentia o peso da responsabilidade, o dever de honrar sua memória e limpar seu nome.

Marco, sempre presente e leal, era o seu porto seguro. Ele a visitava diariamente, trazendo não apenas comida e apoio, mas também um otimismo resiliente que Isabella lutava para encontrar.

“Você não pode se deixar abater, Isa”, disse Marco, enquanto preparava um café na cozinha dela, o aroma reconfortante invadindo o ambiente. “Leonardo fugiu. Isso é a prova que ele é culpado. E você, você é a única que pode dar voz ao seu pai agora.”

Isabella o encarou, seus olhos marcados pela insônia e pela dor. “Mas como, Marco? Como eu vou provar a verdade quando todos os papéis que ele guardava foram queimados? Leonardo planejou tudo meticulosamente. Ele sabia exatamente o que fazer para apagar os vestígios.”

“Ele pode ter queimado os papéis, mas ele não queimou as memórias. E ele não queimou as pessoas que sabem a verdade. Seu pai não era o único a desconfiar dele. Havia outros. E você… você está mais perto dele do que qualquer um.” Marco sentou-se à mesa, pegando a mão dela. “A gente vai encontrar um jeito. Juntos.”

A menção de "juntos" trouxe um calor sutil ao coração de Isabella, mas a imagem de Leonardo pairava em sua mente, um fantasma de desejos proibidos e traição. O que ele queria dizer com "eles vão te arrastar comigo"? Quem eram "eles"? O perigo que ele mencionou era real, e Isabella sentia isso em seus ossos.

“Você acha que ele está em perigo?”, perguntou Isabella, a voz baixa. “Ou ele está apenas fugindo da justiça?”

Marco deu de ombros, um gesto de incerteza. “Leonardo Bastos é um homem perigoso, Isabella. Ele tem inimigos. E ele fez muita coisa errada. Se ele foi pego em alguma dessas artimanhas, pode ser que ele esteja correndo perigo de vida, sim. Mas quem sabe se isso não é só mais uma jogada dele para se fazer de vítima?”

A resposta de Marco não a tranquilizou. A ideia de Leonardo em perigo era perturbadora, mesmo com toda a raiva que sentia. Havia uma parte dela que ainda se importava, uma parte que se recusava a aceitar que o homem que ela um dia pensou conhecer pudesse ser tão desprovido de humanidade.

Naquela noite, enquanto a chuva batia na janela, Isabella sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Ela revisava mentalmente cada conversa, cada encontro com Leonardo, buscando por um detalhe que pudesse ter passado despercebido. Ela se lembrou de uma reunião tensa com alguns dos antigos parceiros de negócios de seu pai, homens que Leonardo havia afastado com astúcia. Um deles, um homem chamado Ricardo Almeida, sempre pareceu particularmente ressentido com Bastos.

Um fio de esperança se acendeu em sua mente. Ricardo Almeida. Ele poderia ser a peça que faltava no quebra-cabeça. Ele tinha motivos para querer ver Leonardo cair, e talvez ele soubesse mais do que deixava transparecer.

No dia seguinte, Isabella tomou uma decisão. Ela não podia mais se esconder. Precisava sair do casulo de sua dor e ir atrás da verdade. Ela pegou seu celular, o coração batendo mais forte. Ela sabia que Leonardo havia destruído sua confiança, mas agora ela precisava usar essa desconfiança a seu favor.

Ela ligou para Ricardo Almeida. A voz dele, ao atender, era fria e profissional, um reflexo do mundo implacável dos negócios.

“Sr. Almeida, meu nome é Isabella Soares. Sou filha do falecido Arthur Soares.” Ela fez uma pausa, sentindo o peso do nome do pai. “Gostaria de conversar com o senhor sobre Leonardo Bastos.”

Houve um silêncio do outro lado da linha, um silêncio carregado de significado. Finalmente, Ricardo respondeu: “Senhorita Soares, não sei o que o senhor Bastos fez para ter sua atenção, mas meu tempo é limitado. Se for sobre negócios, sugiro que procure os advogados.”

“Não é sobre negócios, Sr. Almeida. É sobre justiça. Meu pai foi prejudicado por Leonardo. E agora, com o incêndio no depósito, a verdade pode ter sido queimada. Mas eu acredito que o senhor sabe mais do que aparenta. O senhor nunca gostou dele, e eu entendo o motivo. Eu preciso da sua ajuda para expor Leonardo Bastos.”

Outra pausa. Desta vez, mais longa. Isabella podia sentir a mente de Ricardo trabalhando, calculando os riscos e os benefícios.

“A senhorita está brincando comigo?”, perguntou ele, a voz um pouco mais tensa.

“De forma alguma. Eu estou falando sério. Se o senhor não quer me ajudar, eu entenderei. Mas saiba que eu não vou desistir. Eu vou encontrar a verdade, com ou sem o senhor.”

A pressão sutil na voz de Isabella, a sinceridade em seu tom, pareciam ter o efeito desejado.

“Tudo bem, senhorita Soares”, disse Ricardo, finalmente. “Marque um horário. Mas que fique claro: não estou fazendo isso por você. Estou fazendo isso para ver Leonardo Bastos pagar pelo que ele fez a todos nós.”

Um sorriso fraco surgiu nos lábios de Isabella. A vingança era um veneno, ela sabia, mas às vezes, era o único antídoto para a injustiça. Ela havia dado o primeiro passo. As sombras ainda eram densas, mas agora, um vislumbre de um plano começava a se formar, um plano alimentado pela dor, pela perda e por um desejo ardente de justiça. A guerra contra Leonardo Bastos havia acabado, mas a batalha para desvendar a verdade e vingar seu pai estava apenas começando. E Isabella, embora assustada, sentia uma força crescente dentro de si, a força de uma mulher que não se deixaria vencer.

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