O Ladrão do meu Coração III

Capítulo 1

por Isabela Santos

Absolutamente! Prepare-se para mergulhar em um turbilhão de emoções, intrigas e paixões ardentes. Aqui estão os primeiros cinco capítulos de "O Ladrão do Meu Coração III", escritos com a alma e o coração de um romancista brasileiro.

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O Ladrão do Meu Coração III Romance Romântico Autor: Isabela Santos

Capítulo 1 — O Eco Silencioso de Um Amor Perdido

O sol de outono, preguiçoso e dourado, beijava as pedras seculares do casarão em Paraty, pintando sombras longas e melancólicas pelos corredores que um dia vibraram com risadas e confidências. Helena, com seus quarenta e poucos anos que carregavam a beleza serena de quem aprendeu a arte da resiliência, caminhava pelos jardins em desalinho, cada folha seca que estalava sob seus pés soava como um lembrete do tempo implacável. O cheiro úmido da terra e das flores que teimavam em resistir à estação trazia um nó à garganta, um aperto que o tempo não conseguia afrouxar.

Faziam cinco anos. Cinco anos desde a última vez que sentiu o calor da pele de Rafael contra a sua, cinco anos desde o último beijo que roubou seu fôlego, cinco anos desde que o mundo, em um instante cruel e impiedoso, decidiu arrancar o seu amor pela raiz. Aquele amor que parecia tão inabalável quanto as muralhas que cercavam a cidade histórica, tão puro quanto as águas que lambiam suas praias.

Ela parou diante de um velho banco de pedra, onde tantas vezes se sentaram, sob a sombra generosa de uma mangueira frondosa. Lembrou-se dos dedos dele entrelaçados nos seus, do olhar profundo que a via por inteiro, sem máscaras, sem disfarces. Rafael, seu ladrão, o homem que roubara não apenas sua pureza, mas seu coração, sua alma, seu futuro. E ela, na ingenuidade de seus vinte e poucos anos, o amara com uma intensidade que assustava até a si mesma.

“Cinco anos, Rafael”, sussurrou para o vento, as palavras perdendo-se entre as folhas. “Cinco anos e ainda sinto o seu cheiro no ar, o eco da sua voz na minha mente.”

A vida, no entanto, não parara. O luto, por mais profundo que fosse, não impedira o tempo de seguir seu curso implacável. Helena se reergueu, com a força que a vida lhe impôs. Abriu a pousada que herdou dos pais, transformando o casarão em um refúgio para viajantes que buscavam a paz e a beleza de Paraty. Era um trabalho árduo, mas que a mantinha ocupada, impedindo que os fantasmas do passado a assombrassem a cada instante. Tinha amigos fiéis, como Dona Florinda, a cozinheira de mãos mágicas e coração de ouro, e Miguel, o jardineiro taciturno que parecia entender suas tristezas sem precisar de palavras.

Mas havia um vazio. Um espaço que nenhum trabalho, nenhuma amizade, nenhuma paisagem paradisíaca conseguia preencher. Era o espaço que Rafael ocupava em seu peito, um lugar sagrado e dolorido.

Naquela tarde, enquanto organizava os arranjos das flores na recepção, um carro diferente, um modelo que ela não reconhecia, estacionou na entrada da pousada. Um homem alto, com ombros largos e uma aura de mistério, desceu do veículo. Seus cabelos escuros, ligeiramente revoltos pelo vento, emolduravam um rosto de traços fortes e um olhar que parecia carregar um universo de segredos. Helena sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Havia algo naquele homem… algo que a fazia prender a respiração.

Ele se aproximou da porta, e quando seus olhos encontraram os dela, um choque percorreu o corpo de Helena. Aquele olhar. Não era o de Rafael, mas tinha uma intensidade perturbadora, um fogo que parecia reconhecer algo nela.

“Boa tarde”, disse ele, a voz grave e melodiosa, com um leve sotaque que ela não soube identificar. “Gostaria de saber se há disponibilidade de quartos.”

Helena forçou um sorriso, lutando para controlar o tremor em suas mãos. “Boa tarde. Sim, temos. Para quantas pessoas?”

“Apenas para mim.” Ele deu um passo à frente, e o perfume discreto que emanava dele a envolveu. Um perfume amadeirado, com notas cítricas. Um perfume que, estranhamente, a fez pensar em tardes de verão, em mares bravios.

“Qual o nome para a reserva?”, perguntou, enquanto buscava a prancheta para anotar.

Ele hesitou por um instante, um leve vinco aparecendo entre suas sobrancelhas. “Victor. Victor Montenegro.”

Helena repetiu o nome em sua mente. Victor Montenegro. Um nome forte, que combinava com a presença imponente do homem à sua frente. Ela o registrou no livro de hóspedes, sentindo o olhar dele sobre si, avaliando, decifrando. Era como se ele pudesse ler seus pensamentos mais íntimos, suas dores mais profundas.

Enquanto ele preenchia os dados do cartão de crédito, Helena observava os detalhes. Suas mãos eram grandes e fortes, com dedos longos e elegantes. Um anel discreto, de ouro escuro, adornava o dedo anelar da mão esquerda. Um detalhe que, por algum motivo, a fez desviar o olhar rapidamente.

“Pode me mostrar o quarto, por favor?”, pediu Victor.

Helena assentiu, pegou a chave e o conduziu pela pousada. Passaram pela sala de estar, onde os móveis antigos contavam histórias de outras épocas, pela sala de jantar, onde a mesa posta parecia convidá-la para um banquete, e finalmente subiram a escadaria de madeira maciça que rangia suavemente a cada passo.

No andar de cima, o corredor era silencioso, iluminado pela luz suave que entrava pelas janelas. Helena abriu a porta do quarto mais afastado, aquele com vista para o mar, um dos mais belos e que ela reservava com carinho para hóspedes especiais.

“Este é o nosso quarto principal”, disse ela, gesticulando com orgulho. “Tem uma vista espetacular para a baía, e o nascer do sol daqui é algo que não se pode perder.”

Victor entrou no quarto, seus olhos percorrendo cada detalhe. O quarto era amplo, com uma cama de dossel coberta por lençóis brancos e umedecidos pelo aroma de lavanda. Uma poltrona confortável estava disposta perto da janela, e uma escrivaninha de mogno, com uma pena e um tinteiro, convidava à escrita.

Ele caminhou até a janela, abrindo as cortinas pesadas. O mar, em tons de azul e verde, se estendia até onde a vista alcançava. As gaivotas planavam no céu, e o som das ondas quebrando na praia chegava suavemente até eles.

“É… impressionante”, disse ele, sua voz parecendo mais suave. “Você cuidou bem deste lugar, Helena.”

O uso do seu nome, dito daquela forma, a fez estremecer novamente. Não era a primeira vez que um hóspede a chamava pelo nome, mas havia algo na maneira como Victor o pronunciou que a fez sentir-se exposta, vulnerável.

“Obrigada. É um trabalho de amor, na verdade.” Ela tentou manter o tom profissional, mas sua voz soou um pouco trêmula.

Victor se virou para ela, um leve sorriso brincando em seus lábios. Seus olhos, de um castanho profundo, a fitaram com uma intensidade que a fez sentir um calor subir por seu pescoço.

“Amor…”, repetiu ele, como se saboreasse a palavra. “É um sentimento poderoso, não acha?”

Helena desviou o olhar, sentindo-se desconcertada. “Sim. Muito.”

“Você parece carregar o peso de muito amor… e de muito desamor”, disse ele, com uma franqueza surpreendente.

Helena levantou a cabeça, chocada com a ousadia dele. “Com licença?”

Victor deu um passo em direção a ela, seu olhar fixo no dela. “Perdoe a minha intromissão, mas sou um observador… e o amor tem uma linguagem própria, que não se esconde facilmente.” Ele fez uma pausa, e o silêncio se adensou entre eles. “Um amor que foi roubado, talvez?”

O coração de Helena deu um salto em seu peito. Como ele sabia? Como ele podia sentir aquilo? O fantasma de Rafael pairou entre eles, um espectro invisível, mas palpável. Ela sentiu um aperto no peito, a dor familiar voltando com força total.

“Não sei do que está falando”, respondeu ela, a voz baixa, carregada de uma defensiva que ela mesma não percebeu.

Victor sorriu, um sorriso enigmático que não chegava aos olhos. “Talvez não saiba. Ou talvez apenas não queira falar sobre isso. Entendo perfeitamente.” Ele olhou novamente para o mar, como se pudesse encontrar ali as respostas que buscava. “Paraty é um lugar de segredos, não é mesmo? Histórias que se escondem nas vielas, nos casarões antigos… e nos corações das pessoas.”

Helena apenas o observou, sem saber o que dizer. Quem era aquele homem? E por que ele a fazia sentir-se tão exposta, tão vulnerável, como se estivesse frente a frente com seus demônios mais profundos? Um arrepio percorreu seu corpo, um misto de medo e… algo mais. Uma estranha atração.

“Se precisar de algo, estarei na recepção”, disse ela, finalmente recuperando o fôlego.

“Obrigado, Helena”, respondeu ele, o olhar fixo nela, um olhar que a fez sentir como se estivesse sendo dissecada. “Voltarei mais tarde.”

Enquanto descia as escadas, Helena sentiu a necessidade urgente de se livrar daquela sensação de aperto no peito. A presença de Victor Montenegro a desestabilizara de uma forma que ela não sentia há anos. Era como se um vento forte tivesse varrido a poeira acumulada sobre suas feridas, revelando a dor adormecida. Ela se lembrou do primeiro capítulo daquela história que ela achava ter enterrado para sempre. O roubo que mudou sua vida. E agora, cinco anos depois, um estranho com um olhar penetrante parecia ter a capacidade de desenterrar essa memória, de fazê-la reviver a dor, e talvez… algo mais. Algo que ela tentava desesperadamente esquecer.

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