O Ladrão do meu Coração III

Capítulo 17 — O Jogo Duplo dos Poderosos e o Grito Silencioso do Medo

por Isabela Santos

Capítulo 17 — O Jogo Duplo dos Poderosos e o Grito Silencioso do Medo

A brisa suave de Porto Seguro, antes um bálsamo para a alma de Helena, agora parecia carregar consigo os ecos sombrios das revelações de Rafael. A confissão dele, embora libertadora em sua honestidade, desnudara uma realidade mais complexa e perigosa do que ela jamais imaginara. Ricardo Almeida. O nome reverberava em sua mente, um fantasma de um passado que se recusava a ser enterrado. Aquele homem à sua frente, o homem que ela aprendera a amar, não era apenas um ex-criminoso em busca de redenção, mas o herdeiro de uma fortuna manchada e o alvo de pessoas que aterrorizavam impérios.

Ela se sentiu como se estivesse em um tabuleiro de xadrez, onde as peças eram pessoas e os jogadores, sombras com planos calculistas. Rafael – ou Ricardo – estava no centro desse jogo, e agora, ela também se via tragada para o turbilhão de perigo. As ameaças que ele mencionou, dirigidas a ela, não eram mais sussurros distantes, mas realidades concretas que pairavam sobre suas cabeças como uma nuvem de tempestade iminente.

“Eles… eles sabem onde eu moro?”, Helena perguntou, a voz baixa, quase inaudível acima do som das ondas. A preocupação com sua segurança e a de todos ao seu redor a consumia. A galeria de arte, o pequeno sobrado onde ela vivia, a vida tranquila que construíra com tanto esforço, tudo parecia subitamente frágil.

Rafael segurou suas mãos, seus olhos transmitindo uma urgência palpável. “Não diretamente. Não ainda. Mas eles sabem que você está próxima de mim. E essa proximidade é o ponto fraco deles. Eles querem te usar para chegar até mim. Para me forçar a ceder, a voltar para as garras deles.” A angústia em seu tom era palpável. Ele odiava essa impotência, odiava ter que expô-la a tanto risco.

“E o que eles querem?”, ela insistiu, tentando manter a calma, embora seu coração estivesse acelerado em seu peito.

“O controle. O poder. Meu pai construiu um império com base em chantagem, corrupção e influência. Quando ele morreu, os que estavam na base dessa pirâmide tentaram se aproveitar. Eles me veem como uma ameaça. Alguém que pode, talvez, expor tudo o que eles fizeram. Ou, pior, alguém que pode reivindicar uma parte do que eles roubaram.” Ele soltou um suspiro pesado. “Eles são implacáveis, Helena. Não têm escrúpulos. Se precisarem passar por cima de alguém, eles o farão sem hesitar.”

O silêncio se instalou entre eles, preenchido apenas pelo som do mar e pelo bater ansioso dos corações. Helena olhou para Rafael, para o homem que lutava contra seus demônios e os do seu passado. Ela viu a coragem em seus olhos, mas também o medo. E ela percebeu que não estava apenas apaixonada pelo homem que ele era, mas pela luta que ele travava.

“O que faremos agora?”, ela perguntou, sua voz firme, um fio de determinação surgindo em meio ao pânico.

Rafael a apertou mais perto. “Agora… agora não há mais segredos entre nós. Não há mais a farsa. Eu vou te proteger, Helena. Com a minha vida, se for preciso. Mas nós vamos lutar. Juntos.” Ele olhou para ela com uma intensidade feroz. “Eles acham que sabem quem eu sou. Acham que eu sou apenas o fantasma de Ricardo Almeida. Mas eles se esqueceram do homem que construiu a Terra Firme. Eles se esqueceram do homem que aprendeu a lutar contra a adversidade.”

Ele a guiou para longe da beira da água, para um banco de madeira gasto, de frente para o mar. Sentaram-se lado a lado, a pele deles se tocando, um pequeno conforto na iminência do perigo.

“Eu tive que ser esperto para fugir do meu pai. E tive que ser ainda mais esperto para construir a Terra Firme e sobreviver a essa cidade. Agora, vou ter que ser o mais esperto de todos.” Rafael pegou a mão dela e a entrelaçou com a sua. “Eu já comecei a me mexer. Tenho alguns contatos… pessoas que me devem favores, que não gostam do poder que essa gente exerce. Pessoas que, como eu, querem ver um pouco de justiça nesse mundo.”

“Você vai confrontá-los?”, Helena perguntou, a preocupação voltando.

“Não de frente. Ainda não. Eles são muito poderosos. Mas eu posso começar a desestabilizar o império deles. Pequenas operações, informações vazadas… o suficiente para fazê-los se voltarem uns contra os outros. Eles são como abutres, Helena. Logo, começam a brigar pela carcaça.” Ele sorriu levemente, um sorriso sombrio, mas cheio de propósito. “E enquanto isso, eu preciso garantir a sua segurança. E a segurança daqueles que você ama.”

A menção a sua família e amigos fez Helena sentir um aperto no estômago. Sua mãe, sua irmã, seus amigos próximos… eles eram inocentes nesse jogo. E ela sabia que Rafael jamais os colocaria em perigo.

“Eles… eles ameaçariam minha mãe?”, ela perguntou, a voz trêmula de medo.

Rafael apertou sua mão com força. “Não se preocupe com isso, Helena. Eu já tomei providências. Pessoas de confiança estão monitorando a casa da sua mãe. Se houver qualquer sinal de perigo, elas a alertarão. E você não precisa se preocupar com a galeria. Tenho certeza de que eles não ousariam se atacar algo que é tão importante para você, sem ter certeza de que eu seria avisado.”

A frieza calculista em sua voz, a maneira como ele falava de planos e estratégias, a fez perceber que aquele não era apenas o homem apaixonado que ela conheceu, mas um estrategista experiente, forjado nas batalhas da vida. E essa dualidade, embora assustadora, também lhe inspirava confiança.

“E o que eu posso fazer?”, Helena perguntou, determinada a não ser apenas uma espectadora passiva em sua própria vida.

Rafael a olhou, um brilho de admiração em seus olhos. “Você… você pode continuar sendo você mesma. Você é a minha força, Helena. Sua coragem me inspira. E seu amor… seu amor é a âncora que me impede de me perder. Você não pode se deixar abater pelo medo. Eles querem que você se sinta fraca, exposta. Mas você é mais forte do que imagina.”

Ele se inclinou e a beijou, um beijo que era ao mesmo tempo um pedido de perdão, uma promessa e um ato de desafio. Era um beijo que dizia: “Eu te amo. E juntos, nós venceremos.”

Nos dias que se seguiram, a atmosfera em Porto Seguro mudou sutilmente. O sol ainda brilhava, o mar continuava a bater na praia, mas uma tensão subterrânea pairava no ar. Helena sentia os olhares, a vigilância velada, a sensação de estar sendo observada. Ela tentava manter a normalidade em sua vida, administrando a galeria com sua usual paixão, mas a cada momento, ela se lembrava do perigo que espreitava.

Rafael, por sua vez, se movia nas sombras. Ele saía de manhã cedo e voltava tarde da noite, sempre com um ar de urgência. Helena sabia que ele estava trabalhando em algo, tecendo uma rede de contrainteligência. Ela confiava nele, mas a incerteza a consumia. Cada telefonema inesperado, cada carro desconhecido passando pela rua, a fazia prender a respiração.

Certa tarde, enquanto organizava uma nova exposição na galeria, um homem de terno escuro entrou. Ele não parecia ser um cliente comum. Seus olhos varriam o ambiente com uma frieza calculista, e ele se aproximou de Helena com uma desenvoltura perturbadora.

“Senhorita Helena?”, ele perguntou, a voz polida, mas sem emoção. “Meu nome é Dr. Menezes. Sou advogado. Fui enviado por… certos interessados… para entregar uma mensagem.”

Helena sentiu um arrepio percorrer sua espinha. “Mensagem de quem?”

“De pessoas que se importam com o seu bem-estar”, o Dr. Menezes respondeu, um leve sorriso que não alcançou seus olhos. “Pessoas que sabem que você está envolvida com Ricardo Almeida, ou como preferir chamá-lo, Rafael. E que desejam que você entenda a gravidade da situação.”

Ele tirou um envelope de couro escuro de dentro do paletó. “Eles sugerem que você se afaste dele. Por seu próprio bem. E pelo bem daqueles que você ama. Não se preocupe, senhorita. Nada acontecerá com você se você fizer a escolha certa. Mas se você insistir em permanecer ao lado dele… bem, as consequências podem ser desagradáveis. Para todos.”

Helena pegou o envelope, suas mãos tremendo levemente. Ela olhou para o advogado, para a frieza em seus olhos, e uma raiva silenciosa começou a crescer dentro dela. Ela não era uma marionete para ser manipulada.

“Agradeço o aviso, Dr. Menezes”, Helena disse, sua voz surpreendentemente calma. “Mas eu já fiz a minha escolha. E ela não inclui me afastar de quem eu amo, especialmente quando ameaças são feitas. Por favor, diga aos seus… clientes… que eu não me curvo ao medo. E que eles estão subestimando a força que eu e Rafael temos quando estamos juntos.”

O Dr. Menezes a observou por um momento, uma expressão indecifrável em seu rosto. “Uma escolha corajosa, senhorita. Ou talvez, tolamente imprudente. O tempo dirá.” Com um leve aceno de cabeça, ele se virou e saiu da galeria, deixando Helena sozinha com o envelope em suas mãos e um pressentimento sombrio.

Ela abriu o envelope. Dentro, havia uma única fotografia. Uma foto granulada, tirada de longe. Era dela, caminhando pela orla, há alguns dias. E ao lado, em letras vermelhas, a palavra “VIGILADA”. O grito silencioso do medo ecoou em seu peito, mas, estranhamente, não a dominou. Em vez disso, acendeu nela uma nova chama de determinação. Eles queriam assustá-la, mas só conseguiram torná-la mais forte. Ela olhou para a fotografia, para a sua própria imagem vulnerável, e depois para a janela, onde o sol ainda brilhava. A luta estava apenas começando, e ela estava pronta para travá-la.

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