Apaixonada pelo Chefe II
Capítulo 21
por Camila Costa
Claro, Camila! Prepare-se para mais uma dose de paixão, drama e reviravoltas inesquecíveis. Eis os capítulos 21 a 25 de "Apaixonada pelo Chefe II", como se tivessem saído direto do seu coração para as páginas:
Capítulo 21 — A Promessa Quebrada e a Sombra do Ciúme
O sol da manhã tentava romper a cortina grossa de nuvens que cobria o céu do Rio de Janeiro, mas a melancolia de Isabella parecia mais densa e impenetrável. Sentada à mesa da cozinha de seu apartamento, o café esfriava na caneca, intocado. A noite anterior havia se estendido em uma tortura silenciosa. A ligação de Rafael, tão cheia de uma frieza calculada, ecoava em sua mente como um golpe de navalha. "Precisamos de um tempo, Isabella. Eu não posso mais com essa pressão. É melhor assim." Um tempo? Para ele, significava o fim? O coração dela apertou, uma dor aguda se espalhando pelo peito, como se algo vital tivesse sido arrancado.
A imagem de Ana Clara, tão serena e confiante ao lado de Rafael no evento da noite anterior, voltava a assombrá-la. Seria Ana Clara a causa? Aquele ciúme sutil, mas persistente, que ela tentava suprimir, agora explodia com força total. Rafael jurara que não havia nada entre eles, apenas amizade, mas o medo era um veneno insidioso. A proximidade deles na empresa, as reuniões noturnas, os olhares que Isabella jurava ver entre eles… tudo se transformava em evidências na mente confusa e magoada de Isabella.
Ela tentou ligar para ele de novo. E de novo. E de novo. As chamadas eram direcionadas para a caixa postal. Cada toque sem resposta era mais um prego no caixão de suas esperanças. O nó em sua garganta se tornava insuportável. Lembrou-se do beijo roubado na cobertura, da promessa de um futuro juntos, da paixão que incendiava seus corpos e almas. Tudo aquilo era mentira? Ele estava brincando com seus sentimentos?
Enquanto isso, no escritório de Rafael, o clima era de tensão palpável. Ele se movia como um fantasma entre os corredores, seus olhos fixos em papéis, mas sua mente vagando em um turbilhão de culpa e frustração. A conversa com Isabella na noite anterior tinha sido a coisa mais difícil que ele já fizera. Ele a amava, amava com uma intensidade que o assustava, mas a ameaça velada de seu pai, a pressão para manter as aparências, para não comprometer a imagem da empresa, o sufocavam.
A proximidade com Ana Clara era, em grande parte, um escudo. Ele a usava para afastar as suspeitas, para criar uma distância física de Isabella, algo que o seu pai exigia implacavelmente. Mas era um jogo perigoso, e ele sabia disso. Cada vez que Ana Clara o tocava, ouvia um comentário sugestivo sobre o relacionamento deles, sentia um arrepio de desconforto. Era uma atuação que começava a se tornar insustentável.
"Rafael?" A voz de Ana Clara soou atrás dele, suave, mas penetrante. Ela estava parada na porta de sua sala, com um sorriso que não alcançava seus olhos.
Ele se virou, forçando um semblante neutro. "Ana Clara. Em que posso ajudar?"
Ela entrou, aproximando-se de sua mesa. A fragrância de seu perfume a envolvia. "Eu te vi ontem à noite. Parecia que você estava… distante. Aconteceu alguma coisa?"
O olhar dela era inquisitivo, quase possessivo. Rafael sentiu um calafrio. Ele sabia que ela esperava uma resposta que a tranquilizasse, mas a verdade era um veneno que ele não podia compartilhar. "Apenas cansado. Foi um evento longo."
"Cansado de quê? De estar comigo?" A voz dela era baixa, um sussurro carregado de insinuação. Ela se inclinou sobre a mesa, seus olhos fixos nos dele. "Ou cansado de… outra coisa?"
Rafael desviou o olhar, sentindo o suor brotar em sua testa. "Ana Clara, por favor. Não vamos entrar nesse tipo de conversa aqui."
Ela riu, um som seco e sem alegria. "Que conversa, Rafael? A conversa sobre nós? Sobre o que todos estão falando? Sobre o nosso futuro juntos?"
O coração de Rafael martelava no peito. Ele sabia que ela estava se alimentando das aparências, interpretando mal a sua necessidade de se afastar de Isabella como um desejo de se aproximar dela. "Não há 'nós', Ana Clara. Somos colegas de trabalho. E você sabe disso."
A expressão de Ana Clara mudou drasticamente. A suavidade deu lugar a uma frieza gélida. "Colegas? É assim que você me vê? Depois de tudo que passamos? Depois de todas as 'coincidências' que nos uniram?" Um brilho perigoso surgiu em seus olhos. "Você acha que pode brincar comigo, Rafael? Acha que pode me usar como um peão em seus jogos?"
"Eu não estou brincando com ninguém", Rafael disse, a voz tensa. "Estou apenas tentando manter a ordem. E você está tornando isso impossível."
Ana Clara deu um passo para trás, um sorriso de escárnio nos lábios. "Ordem? Ou uma desculpa para não se comprometer? Você é um covarde, Rafael. Um covarde que se esconde atrás de mentiras. Mas eu sei a verdade. E a verdade é que você me quer. Você apenas tem medo. Medo do seu pai, medo da sua reputação… e medo de se entregar de verdade."
Ela se virou e saiu da sala, deixando Rafael sozinho com o eco de suas palavras e a sensação amarga da verdade que ele tentava enterrar. Ele sabia que Ana Clara não desistiria facilmente. Ela era tão determinada quanto Isabella, mas com uma crueldade que o assustava. O ciúme dela, agora alimentado pela rejeição, era uma bomba relógio.
Isabella, por outro lado, sentia-se cada vez mais isolada. Ela ligou para sua melhor amiga, Sofia, desabafando tudo.
"Isso não pode ser verdade, Isa!", Sofia exclamou, a voz carregada de indignação. "Rafael não faria isso com você. Ele te ama!"
"Mas ele disse que precisava de um tempo, Sofi!", Isabella chorou, as lágrimas finalmente rolando livremente. "Ele disse que era melhor assim! Como ele pode dizer isso depois de tudo? E a Ana Clara… ela estava tão perto dele ontem, Sofi. Os olhares… eu vi!"
"Isabella, você está deixando o ciúme tomar conta de você", Sofia disse com firmeza, mas com ternura. "Você conhece o Rafael. Ele não é do tipo que brinca com sentimentos. E a Ana Clara… ela é uma víbora. Ela quer te prejudicar. Ela sempre quis."
"Mas e se eu estiver errada? E se ele realmente estiver… se sentindo pressionado? E se ele estiver se afastando porque… porque ele acha que eu sou o problema?" A voz de Isabella falhou. A ideia era torturante.
"O problema não é você, Isabella. O problema é a interferência dele. O problema é a manipulação que ele está sofrendo. Você precisa falar com ele, cara a cara. Não aceite migalhas de explicação pelo telefone, com ele tão distante. Vá até ele. Exija a verdade."
A sugestão de Sofia acendeu uma pequena chama de coragem em Isabella. Exigir a verdade. Ela não era uma peça descartável. Ela merecia respostas. Ela merecia saber o que estava acontecendo. Com o coração ainda apertado, mas com uma nova determinação, Isabella se levantou da mesa. Ela não podia mais ficar parada, esperando. Ela iria até o escritório dele. Ela iria confrontar Rafael e exigir que ele parasse de brincar com seus sentimentos e com o amor que eles compartilhavam. A sombra do ciúme ainda pairava, mas a busca pela verdade era agora sua prioridade.