Apaixonada pelo Chefe II

Apaixonada pelo Chefe II

por Camila Costa

Apaixonada pelo Chefe II

Autor: Camila Costa

---

Capítulo 6 — O Sussurro do Segredo no Vento da Manhã

O sol da manhã espreguiçava-se preguiçosamente pelas frestas da persiana, pintando listras douradas sobre o chão de madeira polida do quarto. Helena abriu os olhos lentamente, o calor reconfortante dos lençóis de algodão envolvendo-a como um abraço. O aroma de café fresco, que vinha da cozinha, trazia consigo a promessa de mais um dia na mansão dos Almeida. Ontem à noite, o beijo roubado de Rafael, um instante de pura eletricidade, ainda ecoava em sua pele, na memória vívida de seus lábios se encontrando sob a luz suave do jardim. O nó na garganta persistia, uma mistura agridoce de desejo e apreensão.

Levantou-se com cuidado, o corpo ainda um pouco dormente pela noite mal dormida, repleta de sonhos que mesclavam o profissional com o íntimo. Vestiu um roupão de seda cor de champanhe, sentindo a maciez do tecido contra a pele. Caminhou até a janela, afastando levemente a cortina. O céu exibia um azul límpido, salpicado por nuvens brancas e fofas. O jardim, com suas roseiras em plena floração e o cheiro adocicado das flores, parecia um convite à paz. Paz essa que, ela sabia, estava prestes a ser quebrada.

Descendo as escadas, encontrou Rafael já na sala de jantar, imerso em documentos espalhados sobre a mesa de mogno. A luz matinal realçava os contornos fortes de seu rosto, a testa levemente franzida em concentração. Ele usava uma camisa social branca impecável, as mangas arregaçadas, revelando antebraços fortes. A visão dele, tão focado e poderoso, apertou o coração de Helena. Era o chefe, o homem inacessível, e ao mesmo tempo, o homem que a beijara.

"Bom dia", disse ela, a voz um pouco mais suave do que pretendia.

Rafael ergueu o olhar, um brilho nos olhos que fez Helena sentir um arrepio percorrer sua espinha. Um sorriso discreto, quase imperceptível, brincou em seus lábios.

"Bom dia, Helena. Dormiu bem?" A pergunta, tão casual, parecia carregar um subtexto que apenas os dois podiam decifrar.

"Sim, obrigada", respondeu, sentando-se à mesa. A copeira, Dona Lurdes, uma senhora de cabelos brancos e olhar bondoso, logo serviu o café e um pequeno prato com frutas frescas.

"Vejo que a noite foi produtiva", comentou Helena, indicando os papéis.

"Sempre há muito a ser feito", respondeu Rafael, pegando uma xícara de café. "Mas ontem… foi uma noite interessante."

O coração de Helena deu um salto. Ela o encarou, tentando manter a compostura. "Interessante? Em que sentido?"

Rafael deu um gole no café, seus olhos fixos nos dela. "No sentido de descobertas. E de surpresas." Ele pausou, deixando o peso das palavras pairar no ar. "Você é mais do que uma secretária eficiente, Helena."

O rosto de Helena esquentou. O beijo, a proximidade, tudo voltou com força total. "Eu… eu apenas faço o meu trabalho, Sr. Almeida."

Rafael soltou uma risa baixa, que pareceu mais um rosnado. "Rafael. Ontem à noite, não éramos Sr. Almeida e sua secretária. Éramos apenas… duas pessoas."

O silêncio se instalou entre eles, carregado de tensão e de um desejo não expresso. Helena desviou o olhar para o prato de frutas, sentindo-se vulnerável. O que ele queria? Que ela dissesse que também sentiu aquilo? Que o desejo que vira em seus olhos era recíproco?

"Precisamos conversar sobre o projeto da nova filial", disse Rafael, mudando abruptamente de assunto, como se para se proteger da própria intensidade do momento. "Tenho algumas ideias que acho que você pode gostar de analisar."

Helena sentiu um misto de alívio e decepção. A conversa sobre o projeto era segura, familiar. Mas a proximidade de Rafael, a maneira como seus olhares se cruzavam, era algo que a desestabilizava completamente.

"Claro, Sr. Almeida. Assim que terminar meu café."

"Rafael", ele corrigiu, a voz firme. "Ontem, não éramos 'Sr. Almeida' e 'sua secretária'."

Helena assentiu, engolindo em seco. "Rafael."

O dia de trabalho transcorreu em um turbilhão de emoções contidas. Na sala de reuniões, enquanto discutiam os detalhes da expansão, Helena se esforçava para manter o foco nos gráficos e relatórios. Mas seus olhos, invariavelmente, se desviavam para Rafael. A maneira como ele gesticulava, a paixão em sua voz ao defender um ponto de vista, a inteligência afiada que brilhava em seus olhos. Cada detalhe era uma tortura deliciosa.

Durante o almoço, Rafael insistiu que eles comessem na mansão, em vez de irem a um restaurante. Helena concordou, um pouco hesitante. A proximidade constante a deixava em alerta máximo. Sentaram-se à mesa da sala de jantar, a mesma onde haviam compartilhado o café da manhã.

"Como está o seu irmão?", perguntou Rafael, quebrando o silêncio.

Helena o encarou, surpresa pela pergunta. Ela raramente falava sobre sua vida pessoal, e ele sabia pouco sobre sua família. "O Pedro está… se recuperando. A fisioterapia tem sido difícil, mas ele é um guerreiro." Havia uma ponta de orgulho em sua voz.

"Eu o admiro. A força dele é notável." Rafael pousou a xícara de água. "Sabe, Helena, eu também tive um irmão. Mais novo. Ele não teve a mesma sorte."

Um véu de tristeza cobriu o rosto de Rafael, e Helena sentiu um súbito impulso de estender a mão e tocar seu braço. Era um vislumbre de vulnerabilidade que a atingiu profundamente. Ela apenas assentiu, oferecendo um sorriso compreensivo.

"Sinto muito", disse ela, a voz suave.

Rafael assentiu, um olhar distante. "Faz tempo. Mas a perda molda a gente, não é?" Ele olhou para ela. "Você é muito forte, Helena. Por cuidar do seu irmão e por enfrentar tudo com essa garra."

O elogio, vindo dele, significava mais do que ela podia expressar. Significava que ele a via, de verdade. Via a mulher por trás da secretária eficiente.

No final da tarde, Rafael a chamou em seu escritório. A porta se fechou, e o mundo exterior pareceu desaparecer. Ele estava de pé, perto da janela, observando a vista do pôr do sol que tingia o céu de tons alaranjados e rosados.

"Helena", ele começou, virando-se para ela. Seus olhos estavam mais escuros, mais intensos. "Eu não sei o que aconteceu ontem à noite. Mas não foi… insignificante para mim."

O coração de Helena batia descompassado. Ela se aproximou dele, a ousadia tomando conta. "Nem para mim, Rafael."

Ele deu um passo em sua direção, a distância entre eles diminuindo. O ar se tornou elétrico, carregado de um desejo que mal podiam conter. Seus olhares se prenderam, e então, sem mais hesitação, Rafael a beijou. Desta vez, não foi um beijo roubado. Foi um beijo cheio de urgência, de saudade, de uma promessa silenciosa. Seus braços a envolveram, aprofundando o contato, e Helena se entregou àquele momento, esquecendo-se do chefe, da secretária, de tudo.

O som do telefone tocando, estridente, quebrou o encanto. Rafael se afastou, respirando pesadamente. Seus olhos encontraram os dela, um misto de arrependimento e desejo ainda presentes.

"Eu… preciso atender", murmurou ele, a voz rouca. Ele pegou o telefone da mesa. "Almeida."

Helena se afastou, sentindo o corpo tremer. A realidade voltava com força total. O beijo, a proximidade, tudo era perigoso. E o telefone… quem seria? A voz de Rafael mudou, tornando-se fria, profissional, mas com uma tensão subjacente que Helena percebeu imediatamente.

"Entendo", disse ele, o olhar fixo em Helena, como se para ver sua reação. "Obrigado pela informação."

Ele desligou o telefone, a expressão sombria. Helena o encarou, a curiosidade lutando contra o medo.

"O que foi?", perguntou.

Rafael suspirou, passando a mão pelos cabelos. "Nada que você precise se preocupar. Apenas… negócios." Ele parecia relutante em dizer mais.

Mas Helena sentiu que havia algo mais. Algo que o perturbava, e que talvez tivesse relação com o que acontecera entre eles. O segredo estava voltando, insinuando-se no vento da manhã, pairando no ar como uma ameaça. Ela sabia que, apesar da proximidade, as barreiras entre eles ainda eram fortes, e o mundo lá fora, com seus desafios e seus segredos, estava prestes a invadir aquele pequeno refúgio que haviam criado. A paixão era um fogo perigoso, e ela temia que ele pudesse consumi-los antes mesmo que pudessem entender o que estava realmente acontecendo.

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%