A Esposa Rebelde III

Capítulo 19 — O Pacto de Sangue

por Isabela Santos

Capítulo 19 — O Pacto de Sangue

A noite em Angra dos Reis se estendeu, pesada e carregada de prenúncios. O confronto com Ricardo havia deixado Angélica em um estado de alerta máximo. As palavras dele, a comparação cruel com a tia Helena, haviam despertado nela não o medo que ele esperava, mas uma fúria silenciosa, uma determinação férrea em provar a ele, e a si mesma, que ela era forte o suficiente para resistir às suas manipulações. A Fazenda Boa Vista não era apenas um pedaço de terra; era a personificação de sua história, de sua identidade, e ela jamais permitiria que fosse vendida para satisfazer a ganância de um homem que parecia ter perdido a alma.

No dia seguinte, Angélica tomou uma decisão que mudaria o rumo dos acontecimentos. Ela não poderia mais lutar sozinha contra as maquinações de Ricardo. Era hora de buscar aliados, de encontrar aqueles que compartilhavam de seus valores e que poderiam ajudá-la a proteger o legado da família Monteiro. Sua mente vagou pelos rostos de pessoas que sempre admirou pela integridade e pelo amor à tradição.

Sua primeira parada foi na casa de Dona Eulália, a matriarca de uma família tradicional de cafeicultores da região, amiga de longa data de sua avó. Dona Eulália, uma senhora de sabedoria serena e olhar penetrante, representava a força silenciosa de uma geração que entendia o valor do tempo, da terra e das relações humanas.

Ao chegar, Angélica foi recebida com um abraço caloroso. A casa de Dona Eulália, com seu aroma de café fresco e móveis antigos, era um refúgio de paz e sabedoria. Angélica, com a voz embargada pela emoção, contou toda a história, desde a proposta de Ricardo até as manipulações e ameaças.

Dona Eulália a ouvia atentamente, o rosto sério, a cada palavra de Angélica um nó se formando em sua garganta. Quando Angélica terminou, um silêncio carregado de significado pairou entre elas.

“Meu filho, Ricardo parece ter perdido o norte há muito tempo”, disse Dona Eulália, a voz firme, mas tingida de tristeza. “O dinheiro é um bom servo, mas um péssimo senhor. Ele está sendo escravizado por ele.”

Ela pegou a mão de Angélica, apertando-a com força. “A Fazenda Boa Vista é mais do que propriedade, é alma. Sua avó e eu sempre dissemos isso. Vender a Boa Vista seria como vender um pedaço do coração de Angra. E isso, minha querida, não podemos permitir.”

“Mas como, Dona Eulália? Ricardo está determinado. Ele tem os acionistas do lado dele, e o fundo de investimento é uma ameaça real.”

Dona Eulália sorriu, um sorriso que trazia consigo a força de anos de resiliência. “O dinheiro pode comprar muitas coisas, Angélica, mas não compra lealdade. E não compra a força de um povo unido. Eu conheço outras famílias, outros produtores que também se sentem ameaçados pela ganância de homens como Ricardo. Juntos, somos mais fortes.”

Naquele momento, um pacto de sangue, não literal, mas de intenções e valores, foi selado. Dona Eulália prometeu mobilizar a rede de contatos, os corações e as mentes que se opunham à venda da Fazenda Boa Vista. Ela sabia que a batalha seria difícil, mas a esperança, agora, ganhava um novo contorno.

Enquanto isso, Ricardo, sentindo-se cada vez mais pressionado, decidiu acelerar o processo. Ele sabia que Angélica estava buscando apoio, e isso o deixava furioso. Em sua mente, ela estava agindo como uma criança mimada, incapaz de compreender a magnitude dos riscos que eles corriam. Ele convocou uma nova reunião com os acionistas, desta vez com um tom mais autoritário.

“Senhores, a resistência de Angélica é um entrave que não podemos mais tolerar”, declarou Ricardo, a voz dura. “Ela não entende a urgência. E está colocando em risco o futuro de todos nós. Precisamos fechar o acordo com o fundo de investimento o mais rápido possível. Eu já tomei a decisão. A Fazenda Boa Vista será vendida.”

Alguns acionistas, os mais fiéis a Ricardo e aos seus interesses, concordaram prontamente. Outros, porém, sentiam uma pontada de dúvida. As palavras de Angélica na reunião anterior haviam plantado uma semente de incerteza, e a união silenciosa que ela estava construindo começava a se manifestar em olhares apreensivos e sussurros preocupados.

A notícia do pacto de Angélica com Dona Eulália chegou aos ouvidos de Ricardo como um balde de água fria. Ele sabia que ela não estava brincando. A ideia de uma oposição organizada o enfurecia, e ele decidiu que era hora de uma demonstração de força. Ele convocou Angélica para uma conversa definitiva em seu escritório, um espaço austero, dominado por uma mesa de mogno maciço e um ar de poder implacável.

“Angélica”, começou Ricardo, a voz fria como o aço. “Eu sei o que você tem feito. Você está tentando me sabotar. E eu não vou permitir.”

Angélica o encarou, a postura firme, o olhar desafiador. “Eu não estou te sabotando, Ricardo. Estou protegendo o que é nosso. O que é de nossos filhos. E o que é de Angra dos Reis.”

“Bobagem”, ele descartou, passando as mãos pelos cabelos em um gesto de impaciência. “Você está sendo sentimental demais. Está vivendo em um mundo de fantasia. A realidade é que a empresa precisa desse dinheiro. E a Fazenda Boa Vista é o único ativo que pode nos salvar.”

“Salvar a empresa à custa da nossa alma, Ricardo? É esse o seu plano?”

Ricardo levantou-se, a raiva contida transbordando em seus olhos. “Você não entende nada! Você não sabe a pressão que estou sofrendo! Os credores vão tomar tudo se eu não agir!”

“E o que você acha que eles farão quando o fundo de investimento tomar a Boa Vista? Eles vão te dar um tapinha nas costas e te agradecer por sua sagacidade? Ou vão te devorar vivo quando você não conseguir cumprir os prazos deles?”, Angélica retrucou, a voz carregada de uma sabedoria que ele parecia ter esquecido.

Ele se aproximou dela, o corpo tenso, os punhos cerrados. “Eu sou o dono desta empresa, Angélica. E eu decido o que fazer com ela. Você vai aceitar minha decisão, ou vai ter que lidar com as consequências.”

A ameaça pairava no ar, pesada e sombria. Angélica sentiu um arrepio, mas não se deixou abalar. O pacto de sangue com Dona Eulália lhe dera a força que ela precisava. Ela sabia que não estava mais sozinha.

“Eu não vou aceitar, Ricardo. E você sabe por quê”, ela disse, a voz baixa, mas firme. “Porque eu sou uma Monteiro. E nós lutamos pelo que é nosso. Com unhas e dentes. E você… você se vendeu por um punhado de moedas.”

Ela se virou e saiu do escritório, deixando Ricardo sozinho com seus demônios e suas decisões equivocadas. A luta estava longe de terminar, mas Angélica sabia que, com a força de sua convicção e o apoio daqueles que acreditavam nela, ela poderia reescrever o futuro e proteger o legado que tanto amava. O pacto de sangue da tradição e da resistência havia sido selado, e o jogo de poder em Angra dos Reis estava apenas começando.

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