Cap. 14 / 25

O Último Beijo II

Capítulo 14 — O Testemunho do Medo em Copacabana

por Ana Clara Ferreira

Capítulo 14 — O Testemunho do Medo em Copacabana

O sol da manhã em Copacabana banhava a orla com um brilho vibrante, as areias douradas convidando à tranquilidade, mas para Isabella, a paz parecia um luxo distante. A noite no Cais de São Cristóvão havia sido tensa, e a incerteza sobre o paradeiro das provas que Rafael havia entregue ao Sombra a consumia. No entanto, uma nova urgência havia surgido: a necessidade de obter o testemunho de seu irmão, Matheus, sobre as ameaças de Victor.

Ela encontrou Matheus em um café charmoso, com vista para o mar azul-turquesa de Copacabana, um lugar que ele sempre amou pela sua energia contagiante. Mas hoje, a energia de Matheus parecia diluída, substituída por um cansaço profundo e uma apreensão visível. Seus olhos, que antes brilhavam com vivacidade, agora carregavam a sombra do medo.

Isabella se sentou à mesa, o sorriso acolhedor em seus lábios lutando contra a angústia que sentia. Ela sabia que as ameaças de Victor haviam tido um impacto devastador sobre ele. "Matheus," ela começou, a voz suave. "Como você está?"

Matheus deu um pequeno sorriso, um esforço visível. "Melhor agora que você está aqui, Isa. É tão bom te ver." Ele hesitou, olhando para o mar como se buscasse ali a força para falar. "Eu... eu não tenho dormido direito. Aquela conversa com o Victor... me assustou muito."

Isabella pegou a mão dele, apertando-a com carinho. "Eu sei, meu amor. Ele é um homem perigoso. Mas você precisa me contar tudo. O que exatamente ele disse? Ele te ameaçou com o quê?"

Matheus respirou fundo, o corpo visivelmente tenso. "Ele disse que tinha provas de que eu estava desviando dinheiro da empresa. Coisas que ele sabia que não eram verdadeiras, mas ele sabia que eu me desesperei. Ele me mostrou alguns documentos... que pareciam incriminadores. Ele disse que se eu não o ajudasse a afastar o Rafael, ele faria uma denúncia formal. Diria que eu roubei a empresa, que eu estava arruinando o legado do papai."

As palavras de Matheus atingiram Isabella como um golpe. A frieza com que Victor manipulava as pessoas, usando até mesmo as fragilidades da família contra eles, era cruel. "E ele te mostrou como você deveria ajudar? O que ele queria que você fizesse?"

"Ele queria que eu confirmasse algumas coisas para ele. Que eu falasse com o Rafael de uma forma que o afastasse de você, que criasse desconfiança. E que eu me afastasse de você também, para que ele pudesse ter controle total da situação. Ele disse que se eu não fizesse, ele tornaria a vida de todos nós um inferno. Ele mencionou você, o Rafael, até mesmo a mamãe..."

A menção à mãe, mesmo que indireta, fez o sangue de Isabella gelar. Victor era implacável. "E você acreditou nele, Matheus?"

Matheus olhou para os próprios pés, a vergonha estampada em seu rosto. "Eu fiquei com medo, Isa. Medo de perder tudo. De manchar o nome da família. De ir para a cadeia. Ele parecia tão certo. E a ideia de te ver sofrer por causa de um erro meu... eu não suportaria."

"Você não fez nada de errado, Matheus. Você foi coagido. Você estava protegendo a família. E o Rafael entende isso. Ele sabe que você foi vítima." Isabella tentou transmitir a segurança que sentia em relação a Rafael, na esperança de que isso confortasse o irmão.

"O Rafael... ele ainda gosta de mim?" Matheus perguntou, a voz embargada pela emoção. "Eu sei que eu agi de forma estranha, que eu disse coisas que não deveria. Eu o julguei mal por causa das mentiras dele."

"O Rafael te perdoou, Matheus. Ele entende. O que importa agora é que você está seguro, e que vamos provar a verdade. Victor não vai mais nos manipular." Isabella viu uma faísca de esperança nos olhos do irmão, um lampejo de alívio.

"Mas como? Ele é tão poderoso. Ele tem influência em todo lugar."

"Nós temos provas, Matheus. O Rafael conseguiu algumas informações cruciais. E você, seu testemunho é fundamental. Você pode nos ajudar a mostrar como Victor opera, como ele ameaça as pessoas para conseguir o que quer." Isabella sabia que precisava ser cautelosa. Ela não podia contar todos os detalhes sobre o Sombra, apenas o suficiente para que Matheus entendesse a dimensão da luta em que estavam envolvidos.

"Eu... eu posso falar. Se isso puder ajudar a parar ele. Eu não quero mais viver com esse medo." Matheus disse, e pela primeira vez naquela manhã, um pouco da sua antiga força parecia retornar.

"É isso, Matheus. Precisamos de você. Precisamos que você seja corajoso, como sempre foi. Victor contou com o seu medo, mas o seu amor pela família é mais forte. Juntos, vamos expor a verdade."

Eles passaram o resto da manhã discutindo os detalhes, Isabella encorajando Matheus a lembrar de cada ameaça, de cada documento que Victor lhe mostrou. Ela registrou tudo, anotando cada palavra, cada detalhe que pudesse ser usado como prova. O testemunho de Matheus, mesmo que obtido sob coação, seria uma peça vital no quebra-cabeça.

No final da conversa, enquanto o sol de Copacabana aquecia a praia, Matheus olhou para a irmã com uma determinação renovada. "Eu vou fazer isso, Isa. Pelo papai, por nós. Eu não vou mais ser o brinquedo dele."

Isabella abraçou o irmão com força, sentindo um misto de alívio e esperança. O caminho ainda era longo e perigoso, mas com o testemunho de Matheus e as pistas que Rafael estava seguindo, a chance de derrubar Victor parecia mais real do que nunca. As ondas de Copacabana, com seu ritmo constante, pareciam sussurrar palavras de encorajamento, a promessa de um futuro onde o medo não mais reinaria.

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