Cap. 15 / 25

O Último Beijo II

Capítulo 15 — A Armadilha no Coração da Cidade

por Ana Clara Ferreira

Capítulo 15 — A Armadilha no Coração da Cidade

A notícia do que aconteceu no Cais de São Cristóvão chegou a Victor como um balde de água fria. A perda das provas, o confronto inesperado, tudo indicava que Rafael estava mais perto do que ele imaginava, e que suas redes de segurança estavam falhando. A confiança inabalável que ele tinha em sua própria invencibilidade começava a ser corroída por uma ansiedade crescente. A necessidade de acabar com tudo, de silenciar Rafael e Isabella de uma vez por todas, se tornava urgente.

Ele convocou seus homens mais leais para uma reunião em seu luxuoso escritório no centro da cidade, um espaço de poder e controle, onde as decisões que afetavam tantas vidas eram tomadas com frieza calculista. As janelas imponentes ofereciam uma vista panorâmica do coração fervilhante do Rio de Janeiro, um contraste gritante com a escuridão de seus planos.

"Rafael está se tornando um problema sério," Victor disse, a voz calma, mas com um tom cortante. "Ele conseguiu as provas que eu queria que a Isabella me entregasse. E agora, parece que ele está se aliando a gente perigosa."

Um de seus capangas, um homem corpulento e de olhar vazio, respondeu: "Precisamos eliminá-lo, senhor. Sem rodeios."

Victor sorriu, um sorriso que não alcançava seus olhos. "Eliminar? Não, isso seria muito direto. Muito sujo. Rafael é inteligente, ele precisa ser pego em uma armadilha que ele mesmo não veja. Precisamos atraí-lo para um lugar onde possamos controlar a situação, onde ele se sinta seguro, para depois... desferir o golpe."

Ele caminhou até a janela, observando o movimento incessante da cidade lá embaixo. "Ele ainda está procurando por pistas sobre as minhas transações. Ele acha que tem o controle, que está desvendando um grande mistério. Precisamos alimentar essa ilusão. Criar uma isca que ele não consiga resistir."

Victor pegou um pequeno celular, discando um número. "Preciso de uma informação. Uma transferência específica que ocorreu há alguns anos. Relacionada a um projeto antigo, em um local que já não existe mais. Sim, aquele. Quero os detalhes. E preciso que essa informação "vaze" para os contatos de Rafael. Que ele pense que é a chave para tudo."

Ele desligou o telefone, voltando-se para seus homens. "Rafael vai acreditar que encontrou a mina de ouro. Um projeto antigo, com fundos desviados, que pode incriminá-lo indiretamente e me livrar de vez. Ele vai correr para o local, acreditando que está prestes a desmascarar tudo."

O local escolhido era um antigo galpão abandonado na Gamboa, uma área portuária em decadência, repleta de história e de segredos. Um lugar que Victor conhecia bem, pois havia sido palco de algumas de suas operações mais obscuras no passado. A armadilha estava montada.

Enquanto isso, Rafael e Isabella estavam imersos na análise das informações que haviam conseguido coletar. Samuel Mendes havia confirmado a veracidade de algumas das alegações de Victor sobre um projeto antigo, um empreendimento imobiliário que havia fracassado anos atrás, e que envolvia grandes somas de dinheiro. E, de alguma forma, um boato sobre transferências irregulares ligadas a esse projeto "vazou" para os contatos de Rafael.

"Isso é estranho," Rafael disse, franzindo a testa enquanto examinava os dados. "Se Victor está envolvido nisso, por que ele deixaria essas informações chegarem até mim? A não ser que ele tenha um plano."

Isabella assentiu, o instinto de sobrevivência apitando. "Ele é muito perigoso, Rafa. Ele não joga limpo. Se essa informação é tão valiosa, por que ele a deixaria exposta assim?"

"Porque ele quer que eu vá até lá," Rafael concluiu, um arrepio percorrendo sua espinha. "Ele quer me atrair para uma armadilha. Ele sabe que eu vou atrás da verdade, especialmente se ela puder incriminar ele. É um jogo perigoso."

"Mas se é uma armadilha, não vá!" Isabella implorou, o medo em seus olhos era palpável.

"Eu tenho que ir, Isa. Se essa transferência realmente existe, e se eu puder provar que Victor a usou para fins ilícitos, será a nossa maior prova. Eu não posso deixar essa chance passar. Mas eu vou com cuidado. E você, fique aqui, segura. Se algo acontecer comigo, você sabe o que fazer com as informações que temos."

Rafael se preparou, reunindo seus contatos mais confiáveis, incluindo o ex-policial que o havia ajudado no Cais de São Cristóvão. Ele sabia que estava entrando em território inimigo, e que precisava de todas as precauções possíveis. A ideia de ir sozinho o assustava, mas a necessidade de obter essa prova era maior.

Ao chegar à Gamboa, o cenário era desolador. O antigo galpão abandonado se erguia como um fantasma, a estrutura corroída pela maresia e pelo tempo. A escuridão parecia engolir a luz, e o silêncio era quebrado apenas pelo som distante das ondas e pelo vento que uivava pelas frestas do prédio.

Rafael entrou com cautela, seus sentidos em alerta máximo. O cheiro de mofo e de poeira pairava no ar. Ele avançou pelo interior do galpão, cada passo ecoando no silêncio opressivo. Ele esperava encontrar documentos, arquivos, qualquer coisa que confirmasse as transferências. Mas o que ele encontrou foi algo completamente diferente.

No centro do galpão, iluminado por uma única lâmpada que balançava precariamente, estava Victor. E ao lado dele, de pé e sem demonstrar nenhuma emoção, estava O Sombra. Em suas mãos, O Sombra segurava a pasta com as provas que Rafael havia entregue a ele no Cais de São Cristóvão. A traição era clara, brutal e devastadora.

"Surpreso, Rafael?" Victor disse, com um sorriso de escárnio. "Você realmente achou que eu seria tão tolo a ponto de deixar minhas provas nas mãos de um desconhecido? O Sombra é leal a quem paga melhor. E eu paguei muito bem para trazer essas provas de volta para mim. E para te trazer até aqui."

Rafael sentiu o chão sumir sob seus pés. A armadilha era ainda mais elaborada do que ele imaginava. Ele não estava apenas sendo atraído para um local de perigo, mas suas próprias esperanças haviam sido usadas contra ele.

"Você é um canalha, Victor," Rafael sibilou, o corpo tenso, pronto para a luta.

"Eu sou um sobrevivente, Rafael. E você, meu caro, está prestes a deixar de ser um problema." Victor fez um gesto com a mão. As sombras no galpão ganharam vida. De todos os cantos, homens armados emergiram, cercando Rafael completamente. A armadilha estava completa. O coração da cidade se tornava o palco de um confronto final, onde a verdade lutaria contra a mais pura e cruel das manipulações. O último beijo, se ele viesse, seria amargo.

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