Cap. 18 / 25

O Último Beijo II

Capítulo 18 — O Confronto na Floresta da Tijuca

por Ana Clara Ferreira

Capítulo 18 — O Confronto na Floresta da Tijuca

O cheiro úmido da terra e das folhas molhadas da Floresta da Tijuca invadia o carro, um aroma que, em outras circunstâncias, traria paz. Mas para Laura e Marco, cada sopro de ar parecia prenunciar uma ameaça. Haviam descoberto um local isolado, uma clareira de difícil acesso, onde Sérgio, em um de seus momentos de lucidez entre as internações, havia mencionado que Ricardo o obrigava a encontrar-se com pessoas estranhas, para receber e entregar pacotes. Era uma pista arriscada, tirada de um momento de desespero e medo, mas que agora era a única esperança de encontrar algo concreto.

"Você tem certeza que é aqui, Laura?", Marco perguntou, reduzindo a velocidade do carro em uma estrada de terra esburacada. A luz do fim de tarde filtrava-se por entre as copas densas das árvores, criando um jogo de sombras que tornava o ambiente ainda mais misterioso.

Laura olhou para o GPS em seu celular, comparando com as poucas indicações que Sérgio havia dado. "Ele disse que era perto de uma cachoeira que ele não sabia o nome. E que era um lugar que ele temia, porque sempre se sentia observado." Ela sentiu um arrepio na espinha. O medo em Sérgio fora genuíno.

"Observado por quem, eu me pergunto", Marco murmurou, estacionando o carro em um local discreto, escondido pela vegetação. "Ricardo deve ter gente para vigiar tudo."

Eles saíram do carro, com o silêncio da floresta os envolvendo. O som de pássaros distantes e o murmúrio de um riacho eram os únicos sons que quebravam a quietude. Cada passo na trilha úmida era cauteloso, os olhos vasculhando a mata densa, os ouvidos atentos a qualquer ruído incomum.

"Se Sérgio esteve aqui, pode haver algo que ele deixou para trás", Marco disse, com a voz baixa. "Um lugar onde ele se sentia mais seguro para esconder algo."

Laura concordou, seu olhar perscrutando cada detalhe do caminho. Ela se lembrava de Sérgio, sempre ansioso, sempre com medo de ser descoberto. Ele era um homem quebrado, forçado a agir contra sua vontade.

Após cerca de vinte minutos de caminhada, eles chegaram a uma pequena clareira, com uma cachoeira modesta caindo em um poço de água cristalina. O lugar era belo, mas a aura de melancolia e medo que o envolvia era palpável.

"Aqui", Laura disse, com a voz embargada. "Ele falou sobre uma cachoeira. Ele se sentia menos exposto aqui."

Marco começou a explorar a área, afastando arbustos, olhando por trás de pedras. Laura o acompanhava, seus olhos buscando por qualquer sinal fora do comum. Ela se aproximou de uma grande rocha coberta de musgo, perto da base da cachoeira. Havia uma pequena reentrância, quase imperceptível.

"Marco!", ela chamou, a voz cheia de excitação. "Olha aqui!"

Marco correu até ela. Na reentrância da rocha, havia uma pequena caixa de metal, camuflada com musgo e folhas secas. Estava um pouco enferrujada, mas parecia intacta.

"Sérgio", Laura sussurrou, a mão tremendo ao tocar na caixa.

Com cuidado, Marco forçou a abertura da caixa. Dentro, encontraram um pen drive, alguns papéis dobrados e uma pequena arma de fogo. O coração de Laura disparou. A arma era um sinal claro do perigo que Sérgio corria e da natureza violenta das atividades que era forçado a participar.

Os papéis continham anotações sobre entregas, locais e datas. Eram informações cruciais sobre as transações ilegais. E o pen drive... Laura sentiu um arrepio de apreensão. O que estaria ali?

"Precisamos levar isso para um lugar seguro e analisar", Marco disse, pegando o pen drive e os papéis. Ele olhou para a arma com preocupação. "Essa arma... é prova de que Ricardo não hesitou em ameaçar Sérgio de morte."

Enquanto examinavam o conteúdo da caixa, um barulho sutil entre as árvores chamou a atenção de Marco. Ele se virou rapidamente, seus sentidos em alerta máximo.

"Alguém está nos observando", ele sussurrou, pegando a arma da caixa.

Laura sentiu um calafrio percorrer sua espinha. O medo que Sérgio sentia naquele lugar agora se tornava real para ela. De repente, dois homens emergiram da mata, armados e com expressões frias e determinadas. Eram capangas de Ricardo, enviados para monitorar o local e, se necessário, eliminar quem ousasse se aproximar.

"Parem aí!", um deles gritou, a voz áspera. "Entreguem o que encontraram!"

Marco agiu rapidamente. Empurrou Laura para trás de uma árvore e apontou a arma para os homens. "Corra, Laura! Vá para o carro!"

Laura hesitou por um instante, o pânico a dominando. Mas o olhar de Marco a fez entender. Ela se virou e correu o mais rápido que pôde pela trilha, ouvindo os disparos ecoarem atrás de si. Cada passo era uma corrida contra o tempo, contra o perigo iminente.

Ela ouvia os gritos, os sons de luta. O medo a impulsionava, o instinto de sobrevivência gritando mais alto do que o desespero. Chegou ao carro, o coração batendo descompassado no peito, as mãos suando. Ela ligou o motor, os olhos fixos na entrada da trilha, esperando ver Marco sair ileso.

Segundos que pareceram uma eternidade se passaram. Então, ele apareceu, ofegante, mas com um corte na testa e a roupa rasgada. Ele correu para o carro, abrindo a porta do passageiro e jogando-se no banco.

"Vamos!", ele gritou, enquanto Laura acelerava, os pneus cantando na terra.

Eles dirigiram em alta velocidade, os olhares em volta, procurando sinais de perseguição. A adrenalina ainda corria em suas veias, mas um sentimento de alívio misturado com raiva os consumia.

"Eles sabem que estamos investigando", Marco disse, limpando o sangue da testa com a manga da camisa. "Ricardo não vai parar."

Laura apertou o volante com força. A arma, os papéis, o pen drive... eles tinham provas. Provas que poderiam incriminar Ricardo. Mas o confronto na floresta havia sido um alerta severo. A luta pela verdade estava se tornando cada vez mais perigosa, e eles estavam na mira de um homem implacável.

Ao chegarem de volta à cidade, o sol já se punha no horizonte, pintando o céu de tons alaranjados e roxos. Mas a beleza da paisagem não conseguia amenizar a tensão que pairava no ar. A Floresta da Tijuca, com seu charme natural, havia se transformado em um campo de batalha, e o confronto ali havia sido apenas o prelúdio de uma luta maior. Eles tinham as evidências, mas agora precisavam encontrar uma maneira de usá-las sem serem esmagados pelo poder de Ricardo. O último beijo de Sérgio, aquele que selou sua confissão, parecia agora um grito silencioso por justiça, um chamado para que Laura e Marco continuassem, custe o que custasse.

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