Cap. 20 / 25

O Último Beijo II

Capítulo 20 — A Fúria Contida na Sede da Empresa

por Ana Clara Ferreira

Capítulo 20 — A Fúria Contida na Sede da Empresa

A sede da Almeida Corp. erguia-se imponente no centro financeiro do Rio de Janeiro, um monumento de vidro e aço que refletia a luz fria e calculista de Ricardo Vasconcelos. A atmosfera dentro do prédio era densa, carregada de tensão e de um silêncio artificial, como se todos os funcionários sentissem a presença sombria que pairava sobre eles. Laura, com o coração pulsando em um ritmo frenético, caminhava pelo corredor que levava ao escritório de Ricardo, acompanhada por Marco e pelo Dr. Almeida, o promotor público de reputação irretocável.

A revelação do "Projeto Fênix" e das provas contra Ricardo havia sido um divisor de águas. O Dr. Almeida, após analisar os documentos, não hesitou em agir. Ele convocou uma reunião de emergência na sede da empresa, sob o pretexto de discutir assuntos urgentes de interesse da corporação, e com uma autorização judicial em mãos, estava pronto para confrontar Ricardo.

"Lembre-se, Laura", o Dr. Almeida disse, sua voz grave e calma, enquanto caminhavam. "Você tem o direito de apresentar as acusações. A justiça está do nosso lado."

Laura assentiu, sentindo o peso da responsabilidade em seus ombros. A imagem de seu pai, de Sérgio, e de todas as vítimas da ambição de Ricardo a impulsionavam. Marco estava ao seu lado, uma presença firme e tranquilizadora, pronto para protegê-la.

O escritório de Ricardo era um espaço amplo e luxuoso, com uma vista panorâmica da cidade. Ricardo estava sentado em sua imponente mesa, um sorriso forçado no rosto ao ver a chegada deles. Ele não demonstrava surpresa, mas um leve brilho de desafio em seus olhos revelava que ele já desconfiava do que estava por vir.

"Laura, Marco. Que surpresa agradável", Ricardo disse, a voz polida, mas com um tom de sarcasmo. "E quem é este cavalheiro?"

"Este é o Dr. Almeida", Marco respondeu, dando um passo à frente. "E ele tem alguns assuntos a tratar com o senhor, Ricardo."

O Dr. Almeida estendeu uma pasta para Ricardo. "Sr. Vasconcelos, fui informado de uma série de atividades ilícitas que envolvem a Almeida Corp. e sua participação direta em crimes graves, incluindo a morte do Sr. Almeida e o desvio de fundos para um projeto de vigilância ilegal, o 'Projeto Fênix'."

Ricardo pegou a pasta, um leve tremor em seus dedos que ele tentou disfarçar. Seus olhos percorreram os documentos, e o sorriso desapareceu de seu rosto, substituído por uma expressão de fúria contida.

"Isso é um absurdo!", ele exclamou, jogando a pasta de volta na mesa. "Vocês estão inventando mentiras! Eu sou o dono desta empresa, e ninguém tem o direito de me acusar sem provas!"

"As provas estão nesta pasta, Sr. Vasconcelos", o Dr. Almeida disse, com firmeza. "E elas são irrefutáveis. Temos as anotações de Sérgio, os registros financeiros, os e-mails que comprovam seu envolvimento direto na morte do seu sócio e no desenvolvimento de um plano de vigilância ilegal."

Laura deu um passo à frente. "Você destruiu a vida do meu pai, Ricardo. Você o matou para ter o controle. E você usou Sérgio, que você sabia ser frágil, para realizar seus planos sujos." Sua voz embargada pela emoção, mas transbordando de coragem. "Eu nunca vou te perdoar pelo que você fez."

O olhar de Ricardo se fixou em Laura, e a máscara de polidez caiu completamente, revelando a fúria que ardia em seus olhos. "Você é ingrata, Laura. Eu fiz tudo por você, por esta empresa. Seu pai era fraco, ele não entendia o que era necessário para o sucesso."

"Sucesso?", Laura riu, um riso amargo e sem alegria. "Você chama isso de sucesso? Destruir vidas, trair a todos que confiaram em você? Isso não é sucesso, Ricardo. É o caminho de um monstro."

Marco se aproximou de Ricardo, sua postura tensa. "Acabou, Ricardo. Não há mais para onde fugir."

Nesse momento, a porta do escritório se abriu e dois seguranças da empresa entraram, com olhares ameaçadores. Ricardo sorriu, um sorriso cruel.

"Vocês acham que podem entrar aqui e me acusar impunemente? Eu sou o dono deste lugar. E eu não permito que intrusos ameacem minha posição."

Os seguranças avançaram em direção a Laura, Marco e o Dr. Almeida. Mas o Dr. Almeida estava preparado. Ele fez um sinal para Marco, que rapidamente pegou o celular e discou um número. Em poucos segundos, a porta do escritório se abriu novamente, e policiais uniformizados entraram, com armas em punho.

"Detenham o Sr. Vasconcelos e seus seguranças", o Dr. Almeida ordenou, com autoridade.

Ricardo ficou pálido. Ele tentou reagir, mas foi contido pelos policiais. Os seguranças, sem saída, também foram detidos. A fúria contida em Ricardo deu lugar ao desespero.

"Vocês não podem fazer isso comigo!", ele gritou, enquanto era algemado.

Laura observou a cena, uma mistura de alívio e tristeza tomando conta de si. A justiça estava sendo feita, mas a perda de seu pai, e a revelação da verdadeira natureza de Ricardo, deixavam uma cicatriz profunda em sua alma.

Ao saírem da sede da empresa, o sol da tarde banhava a cidade, e a garoa havia cessado. O ar parecia mais leve, mais puro. A justiça, embora tardia, havia prevalecido. O último beijo de Sérgio, um ato de desespero e coragem, havia desencadeado uma série de eventos que culminaram na queda de Ricardo. Laura sabia que o caminho à frente não seria fácil, mas ela estava determinada a reconstruir sua vida, honrando a memória de seu pai e garantindo que a verdade viesse à tona, custe o que custasse. O Último Beijo II chegava ao fim, mas a história de Laura, de superação e de busca pela justiça, estava apenas começando.

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