Amor na Escuridão II

Capítulo 12 — O Eco do Passado em Terras Estranhas

por Valentina Oliveira

Capítulo 12 — O Eco do Passado em Terras Estranhas

A brisa suave do Atlântico acariciava o rosto de Helena enquanto ela observava o horizonte azul infinito, a imensidão do oceano espelhando a turbulência em seu peito. A viagem para Portugal, embora uma oportunidade de negócios e um refúgio temporário, parecia mais um convite para reviver fantasmas. A cada passo que dava pelas ruas de pedra de Lisboa, cada olhar trocado com desconhecidos, uma sensação de familiaridade estranha a assaltava. Era como se as memórias, outrora enterradas sob camadas de tempo e dor, estivessem ressurgindo com uma força avassaladora.

Rafael estava ao seu lado, um porto seguro em meio àquela tempestade emocional. Ele observava a cidade com uma curiosidade contida, como se também estivesse buscando respostas em cada esquina. A proximidade dele era um bálsamo para sua alma, mas também um lembrete constante da fragilidade de sua situação.

Naquela tarde, eles visitaram a Torre de Belém, um monumento histórico que guardava séculos de histórias de partidas e retornos. Enquanto caminhavam pelas muralhas, o vento forte chicoteava seus cabelos, e Helena sentiu um arrepio que não era apenas pelo frio. Era a sensação de estar em um lugar onde o tempo parecia ter parado, onde o passado sussurrava em cada pedra.

"Este lugar é… impressionante", comentou Rafael, a voz um pouco mais alta para ser ouvida acima do vento. "Cheio de história."

"Sim", Helena concordou, os olhos fixos no rio Tejo. "E de despedidas. Tantas pessoas partiram daqui em busca de um novo mundo, de novas oportunidades. Algumas nunca mais voltaram."

Rafael a observou, a compreensão em seu olhar. "Você sente isso também, não é? A… ressonância do passado."

Helena assentiu, um nó se formando em sua garganta. "É como se as paredes pudessem falar. Contar histórias de esperança, de desespero, de amor e de perda."

Enquanto desciam da torre, encontraram um grupo de músicos tocando Fado, a melodia melancólica e apaixonada preenchendo o ar. Helena parou, hipnotizada pela voz potente da fadista, uma mulher de meia-idade com olhos profundos e um semblante que parecia carregar o peso de mil vidas. A canção falava de saudade, de um amor perdido, de um destino implacável. Helena sentiu as lágrimas correrem livremente por seu rosto, sem se importar com quem a visse.

Rafael a envolveu com um braço, a mão pousada em seu ombro em um gesto de conforto silencioso. Ele não fez perguntas, apenas a deixou sentir, a deixou chorar.

"O que você está sentindo, Helena?", ele perguntou suavemente, quando a música terminou e a fadista se curvou para agradecer aos aplausos.

"É como se eu estivesse aqui antes", ela sussurrou, a voz embargada. "Como se essa dor, essa saudade… fosse minha. É confuso, Rafael. E assustador."

Rafael a puxou para perto, abraçando-a com força. "Não se assuste. Estamos juntos nisso. E se precisar se perder um pouco em suas memórias para se encontrar, eu estarei aqui."

Nos dias que se seguiram, a viagem tomou um rumo inesperado. Helena se viu atraída para locais que pareciam chamá-la: um antigo mercado de livros em Alfama, onde encontrou um diário empoeirado com anotações em um português arcaico; uma pequena igreja no Bairro Alto, onde sentiu uma paz reconfortante em meio ao burburinho da cidade. Cada descoberta, cada sensação, parecia desenterrar uma camada de sua própria identidade que ela pensava ter perdido para sempre.

Rafael, por sua vez, parecia mais introspectivo do que o usual. Ele passava horas em seu quarto, consultando documentos e livros, sua expressão cada vez mais tensa. Helena sabia que ele também estava lidando com seus próprios demônios, mas a natureza de suas pesquisas era um mistério para ela.

Uma noite, enquanto jantavam em um restaurante charmoso com vista para o Tejo, Helena decidiu perguntar.

"Rafael, você tem estado tão… distante ultimamente. O que você está procurando aqui em Portugal?"

Ele suspirou, pousando os talheres. Seus olhos encontraram os dela, e Helena viu neles uma profunda tristeza. "Estou procurando por respostas, Helena. Respostas sobre o meu passado. Sobre a minha família."

"Sua família?", Helena repetiu, surpresa. Ela sabia que ele havia sido criado em um orfanato, mas nunca havia se aprofundado nos detalhes de sua origem.

"Há anos eu venho investigando a história da minha mãe", ele começou, a voz baixa e controlada. "Ela desapareceu quando eu era muito jovem. A única coisa que me restou dela foi um medalhão antigo e a vaga lembrança de uma canção de ninar que ela cantava em português."

Helena sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Um medalhão antigo? Uma canção de ninar em português? Era tudo tão familiar, tão desconcertantemente familiar.

"Eu descobri que minha mãe pode ter vindo de uma pequena vila no interior de Portugal", Rafael continuou, os olhos fixos em um ponto distante. "Um lugar chamado Vila das Sombras. E eu tenho a forte suspeita de que ela não desapareceu… que algo mais aconteceu."

O estômago de Helena se revirou. Vila das Sombras. O nome ecoou em sua mente como um trovão. Era o nome da vila de sua própria família, a vila que ela havia fugido anos atrás, assombrada por segredos sombrios e por uma tragédia que marcara sua vida para sempre.

"Vila das Sombras?", Helena repetiu, a voz quase um sussurro, a cor sumindo de seu rosto.

Rafael a olhou, a surpresa estampada em seus traços. "Sim. Você conhece?"

Helena assentiu lentamente, o coração batendo descompassado. "Conheço. É… é a vila onde eu cresci."

O choque tomou conta do rosto de Rafael. Seus olhos se arregalaram, a incredulidade se misturando à apreensão. "Você… você cresceu lá? Mas… como?"

A conversa se arrastou noite adentro, cada palavra trocada um fio que desvendava uma teia de coincidências assustadoras. Helena contou sobre sua família, sobre a tragédia que a forçou a fugir, sobre os segredos que ela havia tentado enterrar. Rafael, por sua vez, revelou detalhes sobre o medalhão de sua mãe, a descrição de um símbolo gravado nele que Helena reconheceu imediatamente. Era o mesmo símbolo que adornava a entrada da mansão de sua família em Vila das Sombras.

À medida que as revelações se acumulavam, um sentimento de inevitabilidade tomou conta deles. Era como se o destino, com sua crueldade e seu senso de humor macabro, os tivesse unido não apenas pelo amor, mas por um passado compartilhado e perigoso. A viagem a Portugal, que deveria ser um escape, havia se transformado em um retorno forçado às origens, a um lugar onde as sombras de seus antepassados ainda pairavam.

"Não pode ser coincidência", Helena disse, a voz embargada pela emoção e pelo medo. "Rafael, o que está acontecendo conosco?"

Rafael segurou as mãos dela, os olhos fixos nos dela, uma determinação renovada em seu olhar. "Eu não sei, Helena. Mas uma coisa é certa: nossos passados estão entrelaçados. E eu não vou desistir até descobrirmos a verdade. Juntos."

A promessa ecoou no silêncio da noite. A aventura em Portugal, que começou com a busca por um refúgio, agora se tornava uma jornada perigosa em busca da verdade, uma verdade que poderia libertá-los ou destruí-los para sempre. O eco do passado em terras estranhas ressoava em seus corações, chamando-os de volta para onde tudo começou.

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