Amor na Escuridão II

Capítulo 17 — As Pedras Antigas e o Sangue Derramado

por Valentina Oliveira

Capítulo 17 — As Pedras Antigas e o Sangue Derramado

Elara, com passos surpreendentemente ágeis para sua idade, os conduziu por entre árvores cujos troncos eram tão grossos que mal conseguiam abraçá-los. A luz que penetrava o dossel tornava-se cada vez mais escassa, e o ar ganhava um frescor ainda mais intenso, um aroma de terra molhada e flores desconhecidas. Aurora sentia uma energia palpável emanando da mata, como se as próprias árvores estivessem vivas e a observando.

Eduardo, mais acostumado com o rigor da vida no campo, mas ainda assim apreensivo com a imponência da floresta, mantinha-se perto de Aurora, o olhar atento a qualquer sinal de perigo. A cada passo, a sensação de estar entrando em um santuário antigo se intensificava.

Finalmente, chegaram a um círculo de pedras imponentes e desgastadas pelo tempo. As rochas, cobertas de musgo e líquenes, pareciam ter sido erguidas ali por mãos ancestrais, com um propósito esquecido. No centro do círculo, uma pedra maior, quase um altar natural, exibia entalhes indecifráveis, desgastados pela ação dos elementos.

"Este é o Coração da Floresta", disse Elara, a voz ecoando com reverência no silêncio do lugar. "Um lugar de poder e de memórias. As pedras guardam a história daqueles que vieram antes de nós."

Aurora sentiu um arrepio percorrer sua espinha. A atmosfera era carregada de uma energia mística, quase tangível. Ela se aproximou da pedra central, passando os dedos hesitantes sobre os entalhes. As formas pareciam vagamente familiares, como se tivessem sido vistas em seus sonhos.

"Aqui", Elara apontou para um símbolo específico na pedra. "Este é o símbolo da linhagem. O símbolo dos guardiões. E este aqui", ela indicou um outro entalhe, mais intrincado, "é o símbolo da corrupção, da ganância que busca dominar o que não lhe pertence."

Aurora sentiu um nó na garganta. A semelhança com os símbolos que viu em suas visões era perturbadora. "Eu… eu já vi esses símbolos antes."

"Em seus sonhos?", Elara perguntou, os olhos fixos nos dela, como se esperasse essa resposta. "Os ancestrais falam com aqueles que têm o dom de ouvir."

Eduardo observava tudo com um misto de fascínio e apreensão. A sabedoria de Elara era inegável, e a conexão de Aurora com aquele lugar era algo que ele não conseguia explicar, mas que sentia ser real.

"A linhagem dos Vasconcelos", continuou Elara, "tem suas raízes neste lugar. Os primeiros a chegar aqui, séculos atrás, eram protetores deste poder. Eles o usavam para o bem, para manter o equilíbrio da natureza e da vida." Ela fez uma pausa, seu olhar se tornando sombrio. "Mas a ganância é uma semente que germina em solo fértil. Um dos descendentes, movido pela inveja e pelo desejo de poder, buscou corromper o que era sagrado. Ele tentou extrair a essência da floresta para si, usando rituais proibidos. E nessa tentativa, ele selou o próprio destino e o de sua descendência em uma maldição."

"Uma maldição?", Aurora perguntou, a voz trêmula.

"Sim. A maldição da ambição desmedida, que consome a alma e espalha o infortúnio. E a linhagem que se corrompeu… é a linhagem de Dona Inês."

O ar pareceu rarear no peito de Aurora. A revelação era chocante, mas, de alguma forma, se encaixava perfeitamente com a maldade que ela sentia emanar de sua tia.

"E o que aconteceu com esse ancestral?", Eduardo perguntou, a voz baixa.

Elara suspirou, um som longo e triste. "Ele foi punido pelos espíritos da floresta. Seu poder, que ele tanto almejava, se voltou contra ele, consumindo-o. Mas antes de perecer, ele conseguiu realizar um último ato de ódio. Ele amaldiçoou a linhagem dos protetores, fazendo com que, no futuro, um de seus descendentes se apaixonasse por alguém da linhagem corrompida, e que esse amor fosse a chave para a libertação da maldição, mas também para a ruína de ambos."

Um silêncio pesado caiu sobre eles. Aurora e Eduardo se entreolharam, a compreensão do que Elara estava dizendo atingindo-os em cheio. Eles eram a prova viva dessa profecia.

"Você", Elara apontou para Aurora, "é descendente dos protetores originais. E Eduardo…", ela olhou para ele com uma curiosidade sombria, "você carrega em suas veias o sangue dos que tentaram corromper este lugar, embora seu coração seja puro."

Aurora sentiu o mundo girar. Ela, a guardiã, e Eduardo, o descendente do opressor. Era uma ironia cruel do destino. "Mas isso não faz sentido. Se a maldição é sobre a linhagem corrompida, por que isso afeta a todos nós?"

"Porque a maldição não foi completamente selada", explicou Elara. "O ancestral corrompido, em seu último ato, fez um pacto. Ele dividiu o poder da floresta, parte dele mantido em segredo, esperando o momento certo para ser recuperado. E esse momento é agora. Dona Inês, com sua ambição, busca esse poder. Ela acredita que, ao controlar a floresta, controlará o destino de todos."

Ela apontou para um pequeno recanto na base da pedra central, onde uma fenda se abria. "Ali. O poder está escondido em uma relíquia. Um cristal que pulsa com a energia vital da floresta. Dona Inês sabe disso. E ela está determinada a obtê-lo."

"Precisamos pegá-lo antes dela!", exclamou Aurora, a adrenalina correndo em suas veias.

"Será difícil", disse Elara, o semblante grave. "A relíquia está protegida. E Dona Inês não estará sozinha. Ela tem aliados, pessoas que ela manipula com promessas de poder."

"Quem?", perguntou Eduardo, a voz tensa.

"Aqueles que se perdem na escuridão, como ela. Homens e mulheres sem escrúpulos, que buscam sua própria vantagem." Elara olhou para Aurora, seus olhos transmitindo uma urgência contagiante. "O segredo para deter Dona Inês não está apenas em recuperar a relíquia. Está em entender a natureza do poder. Ele pode ser uma força construtiva ou destrutiva. E você, Aurora, como descendente dos protetores, tem a chave para usá-lo corretamente."

Ela pegou a mão de Aurora e a guiou até a fenda na pedra. "Sinta. Sinta a energia que emana daqui. A força da terra, a vitalidade das árvores, a pureza da água. É isso que seu ancestral buscou proteger. E é isso que Dona Inês busca corromper."

Aurora fechou os olhos, concentrando-se. Ela sentiu uma onda de calor percorrer seu corpo, uma conexão profunda com a natureza ao seu redor. Era como se ela pudesse ouvir os murmúrios das folhas, o pulsar da terra. E então, ela sentiu algo mais. Uma presença fria e sombria, uma força maligna que a repelia, mas que também a atraía, como um ímã perigoso. Era a presença de Dona Inês, e a de seus cúmplices.

"Ela está perto", sussurrou Aurora, abrindo os olhos. O pânico começou a se instalar.

"Eu sei", disse Elara. "Ela sentiu que vocês estavam aqui. Ela virá atrás de vocês. E atrás da relíquia." Ela olhou para Eduardo. "Você, com o sangue da linhagem corrompida, tem uma responsabilidade. Você precisa estar ao lado dela, protegê-la. O amor de vocês é o que pode quebrar a maldição, mas também pode ser a porta para a destruição se não for guiado pela sabedoria."

O peso da responsabilidade recaiu sobre os ombros de Aurora e Eduardo. Eles estavam presos em um jogo antigo, cujas regras estavam apenas começando a entender. A floresta, que antes parecia um refúgio, agora se revelava um campo de batalha, e a noite que se aproximava prometia ser carregada de perigos e revelações. A relíquia, o cristal pulsante, estava ali, ao alcance de suas mãos, mas o caminho para alcançá-la estava guardado pelas sombras e pela ganância de sua própria família.

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